Manuel Soares, secretário geral da Associação de Juízes portugueses, escreve um artigo muito interessante no jornal público. Destaco a seguinte frase:
- "... os tribunais precisam de liderança exercida em ambiente de confiança e consenso, assumido com naturalidade, e não de chefia hierárquica estabelecida em relações de subalternização".
Poderíamos ler de outro modo, aplicando as mesmas ideias ao novo regime de gestão das escolas:
- As escolas precisam de liderança exercida em ambiente de confiança e consenso, assumindo com naturalidade, e não de chefia hierárquica estabelecida em relações de subalternização.
Já por aqui dei conta dos motivos que me opõem, de forma veemente, ao novo modelo de gestão e administração escolar: o fim das eleições directas e tudo o que leva a que se decida ir por aí. E, por mais espantoso que possa ser, essa forma, algo que mistura ingenuidade com atrevimento, de encarar a ideia de liderança vem de um governo do PS.
E quais serão os motivos? Julga-se que num regime de chefia hierarquizada se ganha eficácia e, por outro lado, aponta-se com os exemplos de legitimação democrática de pequenos e incompetentes tiranetes. Sabe-se que, com a mudança desenhada, tudo ficará na mesma, ou pior ainda, no que a esse aspecto se refere.
Também se sabe que as lideranças em ambiente de confiança e consenso dão muito mais trabalho e levam algum tempo a afirmar-se.
A questão pode ser colocada assim: mas quem é que lhes disse que a democracia não dá trabalho? Pois é, dá muito e é diário.
E mais: não se conhece nenhuma grande realização, em escolas, em tribunais, em empresas, sem trabalho cooperativo e em ambiente de confiança e consenso.
Acrescentaria um importante detalhe associado a este caminho de suposta modernidade: essa coisa das cotas, dos excelentes, dos muito bons e quejandos, são uma manifestação inequívoca da falta de liderança: de quem as propõe, de quem as advoga e de quem as reconhece.
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