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segunda-feira, 27 de abril de 2026

"São os melhores a adaptar as aulas às necessidades dos alunos" concluiu a OCDE em 2018



Título: "São os melhores a adaptar as aulas às necessidades dos alunos" concluiu a OCDE em 2018.

Texto:

"Os professores portugueses são os melhores a adaptar as aulas às necessidades dos alunos", concluiu a OCDE há menos de uma década e reforçou-o na semana passada com outra conclusão: "os professores portugueses lideram na pedagogia". E o que disse o ministro da Educação? Mostrou-se "surpreendido com os resultados". É na linha de um texto (2014) do actual secretário de estado da Educação: "temos maus professores".

No fundo, é uma súmula da tragédia que proletarizou os professores, que são uns azarados com a sucessão de governantes. De facto, há políticos, académicos e lobistas viciados no financiamento do orçamento do Estado que são os responsáveis por este legado. Para além de se terem transformado numa confraria de "bullies" dos professores, asfixiaram a democracia escolar. Resume-se em semelhantes e célebres afirmações de governantes: perderam-se os professores, mas ganharam-se os pais; há professores a mais e os excedentes devem emigrar; os directores são os braços direitos do poder que resolverão a falta de professores.

Se se considerar que a OCDE concluiu, em 2018, que "a indisciplina reina nas salas de aula e coloca Portugal no primeiro lugar do tempo perdido para começar uma aula, que os seus professores são, na Europa, os mais desgastados e os que mais preenchem burocracia inútil e que são vítimas de uma organização de trabalho que os adoece (mas, repita-se, "são os melhores a adaptar as aulas às necessidades dos alunos") e que a mesma OCDE concluiu em 2025 ("reportado por 62,1% dos professores, sendo muito mais alto, 73,6%, entre quem tem 5 ou menos anos de experiência"): "Portugal é dos países onde os professores mais se queixam da indisciplina; a sua maior fonte de stress é o trabalho administrativo; e em nenhum país a taxa é tão alta", temos de concordar com quem considera os professores portugueses uns heróis num país que não é para professores.

E o que mais impressiona é o silêncio do mundo político e o manto de mutismo que caracteriza as campanhas eleitorais. A direita finge que acompanha os protestos dos professores quando a esquerda governa e vice-versa. Logo que se passa para governo, ou para suporte parlamentar, assume-se a condição de amnésico. É também o exemplo da extrema-direita da estridência, do oportunismo, da divisão e da regateirice, que é oriunda dos partidos que governam e que até prometeu uma central sindical, em plena explosão de indignação dos professores, quando a esquerda governava.

Aliás, ser professor tornou-se, há muito, uma gestão da mágoa, do desgaste e da revolta contida. Acima de tudo, uma sociedade adoeceu quando mais de metade dos professores relata "agressões físicas ou verbais por parte dos alunos”. Apesar de, e como já escrevi, ser injusto generalizar até pela dificuldade dos estudos empíricos: "cada aluno não é um potencial agressor, nem cada professor um provável agredido". E convém recordar que a OCDE concluiu também em 2018: "há um respeito mútuo e generalizado entre professores, alunos e encarregados de educação". 

Nota: com a mudança do blogue da SAPO para o blogger, a exportação ficou com alguns problemas de formatação. Vou corrigindo e republicando alguns textos, como este, mais intemporais. Actualizo-os com notícias recentes, embora na Educação a inércia do poder político seja toda uma escola. O texto tem ligações que meterei nos comentários.

domingo, 12 de abril de 2026

Confiar nos professores, 15 alunos por turma e pré-escolar até aos 7 anos de idade, foi o óbvio sublinhado pela Ministra da Educação da Estónia

O sistema educativo da Estónia caiu nas boas graças da onda mediática por causa dos resultados PISA e a sua Ministra da Educação esteve por cá. Li duas das suas entrevistas, ao Expresso e ao Público. No Expresso, em 10.04.2026, destaca-se que “as crianças não devem começar a escola formal antes dos 7 anos" e "que todas as decisões pedagógicas devem ser tomadas pelo professor". No Público, de 09.04.2026, destaca-se a "receita para sucesso da Estónia: jardins-de-infância até aos sete anos e “políticos longe da sala de aula”".

De facto, a Estónia, a Finlândia e Singapura - países com características históricas naturalmente muito diferentes -, são exemplos interessantes para se estudar modelos diferentes de sistemas educativos e aprender. Contudo, essas diferenças não impedem a consistência das suas políticas em domínios que são mais polémicos e desorientados no universo lusitano: formação, escolha e avaliação de professores e de lideranças escolares; embora os três países, e a exemplo de Portugal, estejam nos lugares cimeiros, nos últimos estudos da OCDE, nos países com mais novos professores com vontade de desistir de uma profissão cada vez mais difícil - a de professor.

Mas há domínios essenciais que são consensuais e que contrariam tudo o que neste milénio se tem feito por cá: confia-se nos professores, tenta-se ter um número decente de alunos por turma, começa-se a escola formal aos sete anos de idade e os sistemas educativos respeitam a História dos países, e as suas idiossincrasias, e não navegam ao sabor de modismos anti-professor.

Já escrevi muito sobre como foi fatal, entre nós, a desconfiança nos professores. Num texto para o Público (2021), com o título "Foi fatal não confiar nos professores", escrevi assim o que considero essencial: "desde que há escolas que os professores devem estar sempre preparados para a prestação de duas contas: como gerem o programa da disciplina que leccionam e como avaliam os alunos. Contudo, e por influência das políticas neoliberais, aplicou-se aos professores uma espécie de inversão do ónus da prova."

Também escrevi muito sobre o número de alunos por turma. Num texto para o Público (2023), com o título "Do aumento brutal das desigualdades educativas", escrevi assim: "num assunto desta dimensão, Daniel Markovits escolhe o número de alunos por turma como a outra variável educativa que explica o aumento brutal das desigualdades. Por exemplo, a estrutura escolar que desde o pré-escolar desagua na Universidade de Princeton (financiada por uma fundação de caridade isenta de impostos, mas que também usa fundos públicos) tem uma média colossal de oito alunos por turma." E terminei assim: "Como se conclui, no mundo global é decisivo aplicar políticas que reduzam as brutais desigualdades educativas. Considerar em Portugal 18 alunos por turma no pré-escolar e no primeiro ciclo, 20 nos 2.º e 3.º ciclos e 22 no secundário (objectivos que devem ajudar a nortear a municipalização), e um investimento de 8000 euros por estudante até 2030, é não só razoável como elementar para combater as desigualdades, e a fuga a ser professor, e consolidar a democracia."

Ainda sobre o tema, e em 5 de Junho de 2013 depois de o ter desenvolvido numa intervenção na SIC Notícias, escrevi assim no blogue:
"William Golding, prémio Nobel da literatura em 1983 e professor no 1º ciclo durante 30 anos, foi taxativo numa entrevista à RTP2: "com 30 alunos por turma não há método de ensino que resulte, mas com 10 alunos todos os métodos podem ser eficazes". Essa entrevista descansou-me. Tinha leccionado cerca de 10 turmas do ensino secundário, cada uma com mais de 30 alunos, e estava preocupado com a profissão que tinha escolhido e com a minha memória. Já íamos em Maio e nem o nome dos alunos todos conhecia. Numa sociedade ausente da educação como a nossa, e mais ainda nos tempos que correm, a relação entre os professores e os alunos atenua muito a taxa de abandono escolar para além de ser um indicador da qualidade do ensino. Nunca imaginei que 30 anos depois ouviria o ministro da Educação do meu país a defender que uma turma com 30 alunos pode trabalhar melhor do que uma com 15. Depende do professor e da sua qualidade". Nuno Crato disse-o numa inenarrável entrevista televisiva em que se pôs a dissertar sobre a relação entre a formação dos professores e o número de alunos por turma. Nuno Crato revelou-se mais uma pessoa que nos deixa dúvidas quanto ao conhecimento sobre uma escola do não superior. Temos de concordar: os professores portugueses têm azar com os ministros.”

terça-feira, 10 de março de 2026

Não basta dizer para que se voe


Há muito que escrevo sobre a encruzilhada em que caiu a escola pública e convenço-me que a inacção política em relação às irrefutáveis causas estruturais (carreira, avaliação dos professores e gestão as escolas, que provocaram queda das aprendizagens, indisciplina nas salas de aula e aumento do inferno de inutilidades burocráticas) tem uma forte componente financeira. A percentagem do PIB para a Educação já baixou do mínimo democrático dos 3% (o que não acontecia, repita-se, desde 1973; estará nos 2,6% para gáudio dos financeiros) e a impreparação dos decisores origina receio em mudar o que tem que ser mudado. A vida das escolas está tão longe do laboratório da democracia, que já é o poder central que ridiculamente constitui um grupo de trabalho para determinar as actividades escolares que são educativas e que se podem realizar. Ou seja, não basta dizer para que se voe. Antes do mais, quem o diz tem que ser exemplar. Além disso, em democracia o voo é um exercício livre, autónomo e responsável e resulta de uma aprendizagem grupal diária e exigente. E, já agora, é possível mudar causas estruturais sem aumento de despesa.

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

"Tudo deve mudar para que tudo fique como está"


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Nestes momentos de negociação entre governos e sindicatos, há um histórico que me recorda sempre o escritor italiano Giuseppe Lampedusa: "tudo deve mudar para que tudo fique como está". É exactamente o que não pode acontecer.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

O caricato tema dos sumários sintetiza o que os estudos dizem há mais de uma década: "há uma organização do trabalho que adoece os professores".

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O caricato tema dos sumários sintetiza o que os estudos dizem há mais de uma década: "há uma organização do trabalho que adoece os professores". E se estão mais do que identificadas as causas organizacionais e relacionais que colocaram Portugal no topo dessa patologia, os governantes espantosamente ignoram-nas ou não sabem o que fazer. Mas o mais grave é que as acentuam com estas decisões, quando a fuga dos professores ao ensino já é declarada até pela maioria dos mais jovens com 5 ou menos anos de serviço.


E o leitor menos versado nestas questões interrogar-se-á: mas os professores não preenchem os sumários e não devem receber o salário se não o fizerem? E se se sabe a quem pagar horas extraordinárias - e quantas -, são precisos os sumários para se conhecer o número de horários sem professor? A resposta às questões é simples: esta decisão é caricata e não são necessários os sumários para se saber quantos horários estão sem professor.


De facto, os professores faziam os sumários analógicos desde que há escolas e era um registo mais simbólico do que outra coisa qualquer. Aliás, desde que há escolas que os professores sabem que prestam duas contas, desde que legalmente convocados, a qualquer momento: como gerem o programa que leccionam e como avaliam os alunos. Estes sumários digitais são um picar do ponto e uma síntese da aula associada à marcação das faltas aos alunos. Nem sequer permitem que o professor consulte os seus históricos. Os professores usam o conceito de sumário para informar os alunos, mas têm outros modos de controlar o planeamento. E nem sequer as escolas consultam os sumários para saber se um professor faltou - como também não o faziam no tempo dos livros de ponto.


Mas com a inserção dos horários dos professores em plataformas digitais, os sumários seguiram o mesmo caminho. Passaram a ter um limite temporal - a falha exige justificação - para o preenchimento em ambientes de exasperante lentidão, ou de interrupção de servidores e de sinal de internet. Em regra, o sumário tornou-se mais um trabalho de casa.


Interrogar-se-á ainda o leitor: mas como é que se marcam as faltas dos professores? As faltas são, e bem, sinalizadas por assistentes administrativos e operacionais. Mal seria se numa escola não se conhecesse em tempo real, e sem o digital, a falta de um professor.


Claro que o fenómeno tem vários e importantes ângulos de análise. Fiquemos por três.


1. O conhecido ambiente de caos informacional nas escolas, que incluiu a decisão de digitalizar sumários, sumaria-se assim: o MECI licencia o software de empresas privadas que os agrupamentos e as escolas usam, e pagam, para a gestão de dados (e o tragicómico, é que o MECI começou, em 1998, o seu portal - denominou-o depois E360, já que ia englobar tudo - e abandonou-o em 2024 por incapacidade). E como os Governantes não indicam às empresas a informação a obter, a relacionar e a automatizar, instala-se uma balburdia informacional. As escolas mergulham num inferno de emails, onde anexam grelhas em excel ou word, e de plataformas digitais para obter dados repetidos ou inúteis em reuniões inúteis. Por precaução, os registos são ainda impressos e arquivados em infindáveis prateleiras.


2. Agravou-se porque a fatal desconfiança nos professores até saliva com o picar do ponto e com o controlo. Portugal é tristemente campeão nessa doença. Nas escolas, e ao contrário do Multibanco ou do Banco Online, a transição digital não significou eliminar procedimentos. Por exemplo, seria lógico que dos livros de ponto analógicos só transitasse o lançamento das faltas dos alunos. Mas não. Transitou tudo e o Governo carimbou os sumários digitais com um argumento tecnicamente surreal: só assim se apurará, finalmente e em 2026, quantos horários de professores estão por preencher e quantos alunos estão sem aulas; e entregou a trapalhada à KPMG (que parece que sugeriu a epifania controladora com os  sumários).


3. Por fim, a história das revoluções tecnológicas demonstra que a esperança em encurtar e frutificar o trabalho humano também levou ao seu excesso, a muita violência e ao aumento das desigualdades. Na presente revolução tecnológica correm-se riscos ainda maiores. O poder absoluto das gigantes tecnológicas, e da IA-GEN, estende-se à educação e é notório o perigo da imposição destes procedimentos.


Nota: já usei, naturalmente, muita desta argumentação ao longo dos anos.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

O Ministro da Educação propõe uma espécie de cheque-residência, ou cheque-alojamento, que é da família do comprovadamente desastroso cheque-ensino (desastroso também para os mais pobres)

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Título: O Ministro da Educação propõe uma espécie de cheque-residência, ou cheque-alojamento, que é da família do comprovadamente desastroso cheque-ensino (desastroso também para os mais pobres).


Texto:


A propósito das polémicas declarações do Ministro da Educação sobre "a degradação das residências universitárias preenchidas por estudantes dos meios mais desfavorecidos", fui ver a sua intervenção. O Ministro da Educação parece que propõe uma espécie de cheque-residência, ou cheque-alojamento, que é da família do comprovadamente desastroso cheque-ensino (desastroso também para os mais pobres). Sumariamente, se uma residência tem 100 vagas preenchidas por 100 estudantes dos meios mais desfavorecidos que pagam 90 euros mensais, o Ministro da Educação defende que isso a degrada e que a opção por uma lógica de mercado seria a solução elevatória da qualidade. A bolsa devia ser entregue aos estudantes que, em liberdade de escolha, seleccionariam o alojamento num mercado que incluiria as residências e os quartos e apartamentos privados. Tudo isto em igualdade com os estudantes dos mais diversos estratos sociais. Nesta lógica, garantir-se-ia uma mistura de estratos sociais na tal residência com 100 vagas para milhares de candidatos desfavorecidos (muitos, cada vez mais, desistem).


E antes do mais e para leitores menos versados no tema, como se comprovou com a tragédia do cheque-ensino e da liberdade de "escolha da escola", as vagas numa instituição vão sendo preenchidas por estudantes de um mesmo estrato social. O fenómeno de guetização dos mais pobres (que se auto-excluem das matrículas nas escolas dos mais ricos, mas nem sempre são menos educados ou têm menor ambição escolar) torna-se ainda mais selectivo e determinante e uma parte substancial do financiamento público beneficia os mais favorecidos e os lucros das organizações privadas de gestão. Estas ideias ultraliberais foram aplicadas também pela Suécia em meados da década de 1990 e abandonadas com estrondo há pouco tempo por queda das aprendizagens, por clivagens sociais e pela degradação do serviço associado a inaceitáveis privatizações de lucros com os orçamentos públicos para a educação (leia este texto no Público em que um ex-Ministro da Educação sueco, dos Liberais, revela o seu arrependimento (é preciso desplante)).


Mas voltando às declarações, para o Ministro da Educação, que não referiu a privatização da gestão e nem sequer, e obviamente, que os desfavorecidos vandalizam as instalações, as residências só para pobres tornam-se "menos acolhedoras" em função do escasso financiamento dos bolseiros e da incompetência da gestão (pareceu-me que a sua plateia era constituída pelos incompetentes que ainda foram acusados de não ouvirem a voz dos pobres). E aqui há dois aspectos: não sei a experiência do Ministro da Educação, mas geri uma escola pública e foi preciso muito trabalho e muita concretização de impossíveis para transformar uma "escola para pobres" numa referência em menos de uma década; e, a propósito, lembro-me que um dos vários ministros desse período disse, cheio de prosápia e num registo que criou um sentimento de revolta em quem dirigia escolas públicas, que só não contratava pessoas como João Rendeiro do BPP para gerir as escolas porque não tinha dinheiro para lhes pagar; "caiu" pouco tempo depois por causa de uma memorável incompetência política e técnica na gestão dos concursos de professores e o banqueiro teve o triste fim que se conhece; por outro lado, o Ministro da Educação devia era explicar o que se passa com o Orçamento de Estado que é onde as democracias avançadas encontraram soluções que estimulam o que se designa por elevador social.


Aliás, aconselho este texto no Público de onde colo um pedaç:


"A última vez que o investimento em educação, em percentagem do Produto Interno Bruto (PIBedu), esteve abaixo do mínimo democrático dos 3% a 4% foi em 1973, com 1,63%. Mas 52 anos depois, o executado em 2025 e o orçamentado para 2026 serão inferiores a 3%.(...)Baixar-se-á do mínimo democrático com os 7,7 mil milhões de euros orçamentados para 2026. O PIBedu cairá para cerca de 2,8%. Poderá, no final da década ou até antes, aproximar-se dos 2%.(...)"


Por outro lado, no dia 11 de Setembro de 2025 estive na SIC Notícias (aqui o vídeo) a comentar a falta estrutural de professores. Disse que o Ministro da Educação estava a manipular dados para a campanha eleitoral ao afirmar que 98% das escolas tinham todos os professores (depois de declarar que não conseguia apurar os números). Eu também disse que duas semanas depois seríamos confrontados com a realidade. E assim foi. No dia 28 de Setembro de 2025 voltei à SIC Notícias (aqui o vídeo) porque afinal 78% das escolas não tinham todos os professores.


E é isto. O debate da educação não existe ou é isto. Já em 21 de Setembro de 2024 o Ministro da Educação teve que pedir desculpas públicas por ter divulgado dados manipulados (no Expresso, onde uma semana antes se fez um destaque de primeira página com a notícia bombástica, mas falsa, da "resolução" da falta de professores). Depois, ou antes, foi, do que me lembro, o caso de um reitor no Porto e da aura. É uma sucessão de desculpas, desmentidos, esclarecimentos, precisões e por aí fora que divide ainda mais a sociedade.


Em suma, é da minha personalidade não gostar de comentar a espuma dos dias. Nem sequer é uma crítica a quem o faz. Gosto de reflectir e de tentar sintetizar. Procuro ser justo e fundamentado. Em mais de 20 anos de blogue, nunca apaguei um post por me ter precipitado ou vim desculpar-me no dia seguinte. Aliás, estas trapalhadas governativas não ajudam a democracia. Há um quadro político com queda para o ultraliberalismo, como já abordei noutros textos. Disse-o à SIC Notícias quando se conheceu a composição do Governo e tive que ir à procura do pensamento de quem foi nomeado para a educação. Não encontrei muito, mas o que li foi nesse sentido. Imagina-se que a realidade deve gerar desorientação. Naturalmente. Claro que o ministro beneficia, em termos de imagem, da aura da recuperação faseada do tempo de serviço dos professores que a crescente folga orçamental, resultante das aposentações, permite. Mas como as pessoas perdem a paciência com a inércia nos temas fundamentais, veremos o que o futuro nos reserva.




 



segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Como é que o “algoritmo” da irritação contribuiu para a fuga a ser professor com a participação da comunicação social 

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Título: Como é que o “algoritmo” da irritação contribuiu para a fuga a ser professor com a participação  da comunicação social 


Texto:


Foi em 10.06.2023 que fiz o último post sobre as investidas de Miguel Sousa Tavares (MST) sobre os professores. Prometi que seria o derradeiro. Como pode ler no link que meto no primeiro comentário, dessa vez escrevi assim: "MST mentiu sobre a avaliação dos professores e sobre a carreira(...)numa fase com milhares de professores em "fuga" e sem candidatos a essa profissão tão exigente e difícil. MST analisa sem o mais elementar conhecimento da realidade. São duas décadas desta devassa mediática da profissionalidade dos professores."


Após a recente greve geral, MST escreveu que os professores “adoram fazer greves antes do fim de semana" e que o fazem para "terem quatro dias de fim de semana". Não ia abordar o assunto, mas um comentador habitual do blogue desafiou-me e um anónimo comentou assim - subscrevo-o e transcrevo o essencial -: “Há anos que o jornalista MST, avisado noutras matérias, tem um discurso persecutório e irresponsável em relação aos professores(...)nunca fez o trabalho de casa, sempre se pronunciou com ligeireza(...)o seu discurso, mais emocional do que racional(...)nem a fuga de professores ao sistema o fazem questionar-se, se ser professor é um festim como ele diz, por que razão não há fila de espera?”


E lembrei-me de um podcast - no "Vale a pena", de Mariana Alvim, ou no "Fala com ela", de Inês Meneses - em que ouvi o maestro Martim Sousa Tavares, filho de MST, explicar, com desconforto, estas investidas: "ainda noutro dia falámos disso ao almoço. Acho que o faz só para irritar".


Se a ideia é irritar, consegue quase a unanimidade junto dos professores - claro que haverá professores laranjas que agora justificam as investidas, como antes houve professores rosas que o terão feito.


Usar a irritação e o ódio é destrutivo e deslaça as sociedades, mas granjeia popularidade se se escolher bem os alvos. MST, e muito comentário da bolha político-mediática, foi percursor dessa realidade e também usou informação falsa.


Em síntese, a escolha de MST tem as características do fenómeno que está a degradar as democracias (e repetindo alguma argumentação): as gigantes tecnológicas, que dominam as redes sociais, criaram algoritmos que destacam posts com mensagens, que podem ser falsas, de ódio e irritação. Servem-se do perfil dos utilizadores para os viciarem. Há muito que se sabe tudo isto e há muitos testemunhos de programadores destacados que discordaram e se afastaram. Os criadores das mensagens irritantes usam o racismo, a xenofobia, a misoginia, as informações falsas e por aí fora, no que se tornou no exercício favorito da extrema-direita e das autocracias mais poderosas que tudo fazem para desestabilizar as democracias ocidentais. É uma luta muito desigual, até porque quantos mais posts denunciadores se faz mais se alimenta o monstro.


E no pior que tem o sistema, destaca-se diariamente a decadência que chefia os EUA (ainda esta semana fez uma declaração de irritação e ódio a lamentar-se que não cheguem aos EUA "imigrantes da Noruega ou da Suécia e só apareçam os repugnantes - e mais umas classificações aberrantes - somalis"). Aliás, o pequeno Tutti-frutti da Lusitânia usa os bengalis com o mesmo fim de irritação tiktokiana e não se pode dizer que as gigantes tecnológicas, nem as instituições democráticas, onde se inclui a comunicação social, não estavam informadas.


Em suma, o “algoritmo” da irritação contribuiu para a fuga a ser professor com a participação da comunicação social.


Nota: não voltarei ao tema MST.



 

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

Um país a várias velocidades


"“Sobressalto” no acesso ao ensino superior: ministério convoca instituições de ensino. Taxas de ocupação baixaram significativamente. Ministros da Educação e da Coesão vão debater a situação com nove politécnicos especialmente afectados pela quebra de alunos."


domingo, 14 de setembro de 2025

Homenageio todos os professores que lutaram durante 20 anos contra a autocracia na gestão das escolas

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Diz o Público que o "PS quer escolas a eleger a direcção em lista e evitar “contaminação” partidária""


E pesando bem as palavras, 20 anos após o início de tanta destruição na organização da escola pública e na vida pessoal e profissional de milhares de professores e de outros profissionais da educação, o PS, diz o Público, quer que "as direcções escolares deixem de ser eleitas pelo conselho geral e passem a ser um órgão colegial eleito em lista por uma assembleia eleitoral composta por todos os docentes e não docentes em serviço na escola ou agrupamento, por representantes dos encarregados de educação de cada uma das turmas e, ainda, se for no ensino secundário, pelos delegados de cada turma." Leio por aí que isto pretende ser uma antecipação ao actual Governo. Diz-se que a AD quer legislar o mesmo. Nesse caso, seria um duplo salto mortal à retaguarda, já que a AD apoiou estas políticas do PS dede 2005 (o modelo vigente entrou em vigor em 2008 e foi agravado em 2013) e agravou-as sempre que governou (e o actual Governo tem feito referência a um estatuto do director). Mais vale tarde, sei disso. Mas num caso que nunca devia ter existido, é muito tarde e com resultados irreparáveis na queda das aprendizagens e na falta estrutural de professores. Neste momento, homenageio todos os professores que lutaram durante 20 anos contra a autocracia na gestão das escolas e contra o clima de parcialidades e de anti-democráticas “contaminações político-partidárias”.


"PS quer escolas a eleger a direcção em lista e evitar “contaminação” partidária"


Pode ler que os "socialistas pretendem que direcções escolares deixem de ser eleitas pelo conselho geral e passem a ser um órgão colegial eleito em lista pela comunidade escolar. (...)É com vontade de acabar com eventuais “contaminações político-partidárias”, mas também de fazer evoluir o modelo de gestão das escolas, que o PS dá entrada a um conjunto de iniciativas no Parlamento que mudam as regras de eleição das direcções escolares e fomentam a participação no associativismo estudantil. Ao PÚBLICO, o deputado Porfírio Silva assegura tratar-se de uma mudança para uma “escola mais colaborativa e participativa”, rejeitando tratar-se de “descontinuidades radicais”. Neste projecto de lei, os socialistas prevêem que a direcção seja eleita por uma assembleia eleitoral composta por todos os docentes e não docentes em serviço na escola ou agrupamento, por representantes dos encarregados de educação de cada uma das turmas e, ainda, se for no ensino secundário, pelos delegados de cada turma. A apresentação de candidaturas deverá ser feita em lista, com indicação expressa dos candidatos a director, director-adjunto e vogais.(...)"

domingo, 24 de agosto de 2025

E os portugueses a empobrecer


"44 mil estudantes colocados no Ensino Superior: o número mais baixo em quase uma década. Sobram agora mais de 11 mil vagas para a 2ª fase, mais do dobro do ano passado. Voltou a descer o número de colocados com carências económicas. Matrículas serão entre dia 25 e 28 de agosto."



 

domingo, 27 de julho de 2025

Não é por causa da escola e do que lá se ensina numa aula semanal que os jovens eleitores se apresentam misóginos, racistas, xenófobos e violentos

 




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Não é por causa da escola e do que lá se ensina numa aula semanal da disciplina de cidadania que os jovens eleitores se apresentam misóginos, racistas, xenófobos e violentos. E também não é por causa do hardware (smartphones, tabletes ou portáteis). Há exemplos, e muitos, do bom uso educativo da tecnologia nas salas de aula. E se usarem os smartphones para telefonar e tirar fotografias ou fazer vídeos, por exemplo, não precisam de qualquer proibição. O que os aliena é o software. Proíba-se, até aos 16 anos, redes sociais em que se fica à mercê de influencers como Andrew Tate na série "Adolescência (violência no namoro e tantas outras pragas que têm regressado) e da ampliação do bullying, navegadores na internet que possibilitam a adicção em pornografia e jogos nos smartphones. É absurdo e ridículo advogar com o é "proibido proibir" fora da escola, como se a proibição de conduzir antes dos 18 anos, ou de adquirir álcool ou tabaco, não fizesse sentido. É tão absurdo como apontar a insensatez dos professores nas aulas de cidadania; e não se generalize. Actue-se em casos de insensatez. Sabe-se sempre o que se passa em cada sala de aula. Mas tudo isto não interessa à extrema-direita do tiktok (Trump confessou a importância desses eleitores e anulou, logo que foi eleito, a decisão de Biden sobre a proibição do tiktok). Por outro lado, quem é que colocou a disciplina de cidadania na agenda? Foi o marketing da divisão, do ódio, da dor (da dor das minorias alvo) e da ideia de caos. Mas isto só é possível porque o mainstream assistiu de braços cruzados, por interesses comercias e industriais, durante bem mais de uma década à adicção de crianças e de adolescentes ao software referido. E não foi por falta de avisos. É importante que se cruze o debate sobre a disciplina de um tempo semanal com o tempo de écran e com o seu conteúdo. Tudo se liga e as manobras de distracção são como os vírus: tomam sempre a dianteira.



Em suma, a sociedade tem que se envolver sem empurrar mais uma vez a responsabilidade para a escola.


 


 

quinta-feira, 24 de julho de 2025

O grave equívoco dos que sabiam como se aprende

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O grave equívoco dos que sabiam como se aprende.


Fica agora muito mais claro o que levou a classificar como neoliberais e extractivos os que diziam que se sabia como se aprende. Pois bem: se sabemos como se aprende, também temos que aceitar que se sabe como se aprende mais e mais depressa. E é bom que se saiba que é neste espaço que renascem as discriminatórias (e assutadoras) teses neoliberais que associam a inteligência - medida em testes de quociente de inteligência - à herança genética e às linhas raciais.


De facto, é fundamental repetir as categorias essenciais das políticas inclusivas.


E antes do mais e salvo melhor opinião, a desvalorização do professor foi um erro histórico participado por pedagogos. Advogou-se, como inclusivo, o radicalismo da escola centrada na aprendizagem, em oposição à escola centrada no professor. Foram extremos que se tocaram.


Verdade seja dita que se ignorou os avisos (década de 1980) de que a democracia exigia dos professores a selecção dos conteúdos (com conhecimentos, destrezas, valores e atitudes), e das formas de avaliação, que ultrapassaria a relação contraditória com os alunos. Desconstruíram-se três teses que ainda hoje se confrontam: a da harmonia, do psicoterapeuta Carl Rogers, baseada em relações individualizadas e empáticas, mas inaplicável em turmas; e duas de desequilíbrio: magistercentrismo (o professor rei de Alain, Dewey e Durkheim) e pedocentrismo (o aluno rei de Freinet, Montessori e Summerhill).


Além de tudo, e é hoje cientificamente mais claro, há diversos estilos para ensinar, mas é mais correcto falar em ignorância do que em conhecimento no que se refere ao modo como cada um aprende. Se na investigação é imperativa a busca desse conhecimento, nas políticas educativas requer-se equilíbrio e prudência. Confundiu-se ciência com o valor moral positivo dado ao estímulo para aprender, agravado com a hierarquização de estilos de aprendizagem.


A partir de dado momento, não era inclusivo treinar as memórias de médio e longo prazos nem estimular a repetição, o estudo em casa, a atenção nas aulas e até o respeito pelos professores. Nem sequer se valorizava o número de alunos por turma e perdeu-se também a articulação com a sociedade em áreas fundamentais como a saúde mental, as emoções e o sono. Aliás, o ensino superior, que "desapareceu" da formação contínua, impôs, na formação inicial, um vazio no treino de professores que aumentou o desconhecimento sobre estilos de ensino.


Por outro lado, acentuou-se o erro com a generalização nos serviços centrais do Ministério da Educação (foram anos a fio de uma mistura desastrosa de prateleiras douradas com emprego partidário) da cultura anti-professor e anti-sala de aula. Alargou-se a escolas e sindicatos e abriu-se portas a modelos autocráticos. Resultou ainda na infernal burocracia que eliminou o que restava da "confiança nos professores".


Nota: já usei estes argumentos noutros textos.

domingo, 20 de julho de 2025

Mas é óbvio que há professores pouco educados

Sempre que há um excesso nos protestos de professores, emerge de imediato uma legião de comentadores que alinha o discurso: "até concordo com as causas da sua luta, mas é inadmissível que se formem professores com estes comportamentos". Ou seja: nunca explicam as tais causas, nunca se comprometem com a defesa do exercício de professor, mas aproveitam para umas beliscadelas generalizáveis; e essa devassa mediática também explica o estado de fuga a ser professor. Não a crítica dos excessos, claro. O silêncio em tudo o resto é que isola a defesa do imperativo democrático.


Até porque é óbvio que há professores pouco educados, como nas restantes funções e profissões. Há professores que cometem crimes de dolo e de falsificação de documentos ou que se apropriam do bem comum usando os cargos que ocupam para actos parciais e de amiguismo como se fossem lugares para a vida. Mas alguém tem dúvidas disso ou da falta de eficácia e de celeridade do MP e inspecções?


É por isso que os modelos e os seus contrapesos são cruciais. Na educação, e para as funções de avaliação e administração educacionais, deu-se primazia a uma formação acrescida, em regra, irrelevante, e eliminou-se a eleição de lideranças pelo reconhecimento das características pessoais e profissionais. O que existe permite que um indivíduo dirija arbitrariamente uma organização onde nunca seria eleito pelos profissionais que a constituem; e com uma limitação de mandatos irrisória. E, sublinhe-se, que a manutenção deste modelo interessa à indústria da formação e que a coragem para desmontar esta máquina de perversidades é um dos desafios mais difíceis que Portugal tem que enfrentar na educação pública.

domingo, 22 de junho de 2025

Breve história do falhanço do digital na educação

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Breve história do falhanço do digital na educação


As tecnologias estão na educação desde o lápis de carvão. Em síntese, a pergunta a fazer é equivalente à das guitarras: não me digas a marca da tua guitarra, diz-me antes o que fazes com ela.


Na verdade, a educação, que vai muito para além da escola, é a arte do equilíbrio e da sensatez; mas não só. Exige humildade e a aplicação diária do mito de Sísifo.


As chamadas novas tecnologias estão na educação em duas redes: a de recursos administrativos, mais no universo escolar, e a de recursos educativos, na sociedade e no universo escolar.


A primeira é muito mais exigente na construção de software e muito menos lucrativa para as gigantes tecnológicas. Por isso, o caos no Ocidente na gestão de dados da educação. O investimento em software não tem retorno nos curto e médio prazos, apesar de ser crucial para a consolidação da democracia. Mas os tecnocratas desprezam esse objectivo. Aliás, foge-se a ser professor também por causa desse inferno. Não há, em resumo, algo que se assemelhe à rede multibanco, que inclui os homebanking, ou até, no nosso caso, ao portal das finanças.


A rede de recursos educativos é muito lucrativa para as gigantes tecnológicas; mais do que os drones, o comércio electrónico, o 5G ou a tele-medicina. Recorde-se as mais conhecidas componentes do negócio: um smartphone por aluno e por professor, redes sociais através de apps com software elementar e milhões de portáteis e de tabletes nas escolas para alimentar a indústria das escolas digitais e antecipar o ensino à distância. Os olhos dos neoliberais até brilham (como sempre, os nórdicos metem pedras na engrenagem).


Claro que o "reconhecimento de padrões" - mais divulgado como Inteligência Artificial (IA) - exige um outro debate. Estamos numa fase em que o pêndulo da condição humana oscila entre o pânico e a apreensão, porque as crianças e jovens das democracias ocidentais estão entregues à selva digital e com falta de professores. Mas sempre se alertou, há mais de uma década, para duas graves consequências do digital na rede de recursos educativos: conteúdos pornográficos e redes sociais. No segundo caso, foram usadas, e para além do ciberbullying, por organizações da extrema-direita com conteúdos xenófobos, racistas, misóginos e violentos e que fidelizaram eleitores logo que os jovens chegaram aos 18 anos.


E se qualquer das crises, selva digital e falta de professores, compromete o crescimento como pessoas livres respeitadas nos direitos fundamentais, a simultaneidade acentua preocupações com quatro dimensões bem identificadas: internet, recursos digitais para o ensino, "Reconhecimento de Padrões" - mais divulgado como Inteligência Artificial (IA) - e desinvestimento na Educação.


Por outro lado, já se percebeu que o que aí vem informatizará tudo o que for para informatizar, automatizará tudo o que for para automatizar e que as aplicações digitais usadas para controle e vigilância serão usadas para controle e vigilância. É o nível 4 da transição digital. O nível 5, que será longo e incerto, inclui a inteligência artificial e a robotização. Por exemplo, Luc Julia, um dos criadores da Siri da Apple, diz que não tem a certeza que queira falar com o seu frigorífico. No universo escolar, também não se terá a certeza que se queira falar com um robô como se fosse um professor que ensina e ajuda a formar a personalidade.


Como se percebe, os nórdicos estão a ser sensatos com o digital na educação. Até já regressaram fundamentadamente ao papel. Ou seja, voltam a passar ao lado de uma vaga neoliberal; a vigente; a segunda. Como referiram os prémios Nobel da economia em 2024, Acemoglu e Robinson, em "Porque falham as nações", os nórdicos passaram ao lado da primeira vaga neoliberal começada por Thatcher e Reagan e que Clinton, Blair, e Schröder continuaram.


No digital, preocupam-se com as crianças e jovens e têm há muito uma educação a tempo inteiro que mitiga a tragédia da escola a tempo inteiro. Nós estamos perdidos e completamente condicionados pelos interesses da indústria das gigantes tecnológicas que se alastrou às políticas educativas, às leis laborais, ao inverno demográfico, aos fluxos migratórios e, repita-se, à proliferação de movimentos racistas, misóginos, xenófobos e violentos.


Nota: este texto é também uma síntese de textos anteriores, aonde fui buscar algumas passagens.