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domingo, 9 de março de 2025

A ideia de escola pública que se tornou uma miragem

A ideia de escola pública de qualidade, simultaneamente exigente e inclusiva e que vem do século XX, tornou-se uma miragem.


A matriz incluía:


currículo completo, com as ciências e as letras a par;


avaliação dos alunos exigente e contínua;


avaliação externa das aprendizagens consistente e previsível;


professores confiantes, respeitados e com carreiras decentes;


turmas com dimensão pedagógica;


códigos disciplinares simples e "ancestrais";


sensatez no uso dos meios de ensino e aprendizagem, evitando-se massificações e adicções;


educação a tempo inteiro, com o contributo da escola;


não rivalização da natureza com a tecnologia, como se percebeu desde o lápis de carvão.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

Em Portugal, escolas "privadas" ainda não são generalizadamente escolas para ricos

 



Em Portugal, escolas "privadas" ainda não são generalizadamente escolas para ricos. Muitas escolas "privadas" são financiadas exclusivamente pelo orçamento do Estado e têm os mesmos problemas que as escolas do Estado (usa-se a designação escolas públicas). 


Escolas para ricos são escolas financiadas exclusivamente pelas propinas dos encarregados de educação e funcionam com currículos completos, professores bem pagos e respeitados, regras disciplinares ancestrais, avaliação contínua dos alunos exigente, turmas com um número decente de alunos, relação inteligente com o digital e por aí fora. As propinas para um país como Portugal, em que o investimento do Estado por aluno andará pelos 6.000 euros anuais, andarão, para já, pelos 25.000 euros anuais (2º e 3º ciclos e ensino secundário).


Quer saber para onde caminhamos depois de quase duas décadas de políticas educativas comprovadamente desastrosas? Leia o seguinte texto: do aumento brutal das desigualdades educativas


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sexta-feira, 14 de julho de 2023

Década e meia perdida na Educação

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A História não se repete exactamente, mas o que estamos a viver na Educação era previsível e parece plasmado de 2008. Confirma-se o que os professores disseram nessa altura: as políticas na carreira e avaliação dos professores, e na gestão das escolas, são desastrosas. Se em 2008 os professores resistiram, mas os poderes instalados anestesiaram a contestação, em 2023 a onda de saturação é ainda, e naturalmente, mais forte e informada.


É importante reforçar que a saturação dos professores é transversal e fundamenta-se em três condições: "fuga" para quem tem outra saída profissional, ou só olha para o que falta para a aposentação; revolta contida para quem ainda tem anos de serviço a percorrer; e sobrevivência visível para quem se sujeita à avaliação injusta e kafkiana. Os próximos tempos serão importantes e os professores não estão livres dos tais poderes anestesiadores até dentro da classe profissional. Como alguém dizia ontem, e a pensar, desde logo, no parlamento, no ME, nas ramificações e nos sindicatos, "há professores que deviam ter vergonha de estar nesta manifestação".


Em suma, o mundo mudou e década e meia perdida na Educação é imperdoável.


Segunda edição deste texto.

sexta-feira, 23 de junho de 2023

Ontem, pelo Parlamento

Foi com muito gosto que aceitei o convite dos colegas Dália Aparício e João Aparício para ajudar, em conjunto com o Paulo Guinote e o Ricardo Silva, na defesa da petição sobre o programa Maia no Parlamento. Foi um contra-relógio de argumentação, mas saímos com a sensação de missão cumprida. Pode ver um vídeo de cerca de 40 minutos.


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023

Estive a 2 de Fevereiro de 2023, pela SicN, a comentar a Educação (vídeo de 8 minutos)

Estive a 2 de Fevereiro de 2023, pela SicN, a comentar a Educação (vídeo de 8 minutos). Em breve, publicarei um texto em que apresentarei em detalhe o que referi:  partir de quatro eixos - carreira, avaliação, gestão e burocraia - e discutir propostas sustentáveis com um ponto prévio: a carreira implicará investimento e as outras reduzirão despesa.


quinta-feira, 19 de janeiro de 2023

Amanhã, 20 de Janeiro, vou estar na CNN pelas 12h30

Amanhã, 20 de Janeiro, vou estar na CNN, pelas 12h30, a conversar sobre as justíssimas causas dos professores e da escola pública. Será por Skype. É mais confortável no estúdio, mas resido nas Caldas da Rainha.

domingo, 15 de janeiro de 2023

Da década e meia perdida na Educação

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A História não se repete exactamente, mas o que estamos a viver na Educação era previsível e parece plasmado de 2008. Confirma-se o que os professores disseram nessa altura: as políticas na carreira e avaliação dos professores, e na gestão das escolas, são desastrosas. Se em 2008 os professores resistiram, mas os poderes instalados anestesiaram a contestação, em 2023 a onda de saturação é ainda, e naturalmente, mais forte e informada.


É importante reforçar que a saturação dos professores é transversal e fundamenta-se em três condições: "fuga" para quem tem outra saída profissional, ou só olha para o que falta para a aposentação; revolta contida para quem ainda tem anos de serviço a percorrer; e sobrevivência visível para quem se sujeita à avaliação injusta e kafkiana. Os próximos tempos serão importantes e os professores não estão livres dos tais poderes anestesiadores até dentro da classe profissional. Como alguém dizia ontem, e a pensar, desde logo, no parlamento, no ME, nas ramificações e nos sindicatos, "há professores que deviam ter vergonha de estar nesta manifestação".


Em suma, o mundo mudou e década e meia perdida na Educação é imperdoável.

sábado, 14 de janeiro de 2023

Os Professores Deram Mais Uma Grande Lição de Cidadania

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Cerca de 100 mil professores desceram pacificamente a Avenida da Liberdade em defesa da escola pública e das justíssimas causas associadas. Foi uma prova inequívoca de que não são instrumentalizáveis nem manipulados por notícias falsas que circulam no WhatsApp. Os professores estão informados e, como muitas vezes escrevi, saturaram-se dos jogos tradicionais entre os partidos e os sindicatos. Estão há quase 20 anos a desconstruir o radicalismo das políticas na carreira, na avaliação e na gestão das escolas.


Nota: o mesmo experiente polícia que me disse que seriam cerca de 100 mil manifestantes, mostrava a sua indignação com os autocarros de professores que foram parados e fiscalizados a caminho de Lisboa (as mochilas dos professores foram revistas). Este último facto foi a única nota negativa numa manifestação que recordou 2008, mas que deu mais sinais de um mundo em mudança.

terça-feira, 10 de janeiro de 2023

Da força da razão dos professores

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A força da razão sobrepôs-se novamente aos jogos partidários e sindicais que saturam os professores. Já são quase duas décadas sem alterações nas políticas comprovadamente desastrosas; nem sequer um qualquer programa faseado de recuperação de todo o tempo de serviço se efectivou. Aliás, desapareceram os defensores do que se fez desde 2005. A manifestação marcada para 14 de Janeiro dará uma resposta inequívoca: sem a alteração das políticas na carreira, na avaliação e na gestão das escolas, a falta de professores continuará a crescer em paralelo com a degradação da escola pública.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

"E o mentiroso é o André Pestana?"



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Este texto de Santana Castilho está no Público, mas encontrei-o no seu Facebook e colo-o de seguida.

 


"E o mentiroso é André Pestana?





Em declarações ao Público, o ministro da Educação acabou a apelidar André Pestana de “mentiroso”. Em entrevista ao programa 360 da RTP3, a que o Público igualmente se referiu, João Costa apontou como uma das razões para a manifestação de sábado passado a “campanha de mentiras” que circulou pelas redes sociais, dando conta de que os professores iriam passar a ser contratados pelas câmaras municipais, e voltou a afirmar que “o dirigente sindical que convocou esta manifestação estava determinado a mentir”. Ainda ao Público, André Pestana disse que o ministro "vai ter de responder na justiça" pelo insulto.

Senhor ministro, junto-me gostosamente aos seus leais conselheiros para ser sua testemunha desabonatória. O senhor tem razão, porque:

- Não é verdade que a mobilidade interna tenha acabado. Como o senhor sabiamente esclareceu, com a clareza que lhe conhecemos, “sempre que há lugares de quadro a concurso, qualquer professor de carreira pode concorrer”. Coisa diferente é o sítio onde vai trabalhar. Esse, são os venerandos directores que vão decidir. Imbatível a sua verdade!

- Não é verdade que desaparece a lista ordenada nacional, porque o senhor já jurou pela sua virgindade que “a ocupação de um lugar de quadro teve e terá sempre como primeiro critério a graduação profissional do professor”. Coisa diferente é o segundo critério, o dos directores, que decidirão onde cada professor vai trabalhar. Cristalina a sua maneira de colocar os pontos nos ii!

- Doeu o puxão de orelhas que nos deu quando nos disse que a “DGEstE não tem competências na área de gestão do pessoal, pelo que as não pode transferir para as CCDR”. Tem razão! Quem o disse foi a Resolução 123/2022 do Conselho de Ministros. Bem visto! Uma coisa é um lobito, outra coisa é uma alcateia!

- Tal como disse, não é verdade que a gestão dos professores passe para as câmaras municipais. Ela já passou para as comunidades municipais … que agregam as câmaras municipais. Este seu fino talento bocagiano reconduziu-me ao episódio da flatulência da cortesã, que Bocage tão sagazmente disfarçou. Até o cheiro senti!

- Já que estamos no capítulo dos “descuidos”, deixe-me dizer que apenas sujou a folha das suas verdades com a entrevista que deu à RTP3, na noite da manifestação. Aquilo não foi um “descuido”. Foi uma diarreia. Então foi proclamar, urbi et orbi, que 30 mil licenciados, mestres ou doutores, são tão desprovidos de inteligência que ficam à mercê da manipulação de um reles sindicalista? Que não passam de um bando de totós, que gastam dinheiro para vir a Lisboa dizer que o mentiroso é o senhor, incapazes de discernir entre a sua luz e as trevas dele? Já viu o tiro que deu nos seus pezinhos, quando colou um selo de mentecapto na testa de cada um dos 30 mil que protestaram no sábado? Logo o senhor, que há sete anos os louva, protege e acarinha e por cuja felicidade reza todos os dias!

- Tudo visto, o senhor é um avançado mental. Teve razão antes de tempo, quando estabeleceu uma parceria com a vetusta Gulbenkian, para ensinar emoções aos professores. Com tamanhas excitações entre a verdade e a mentira, a realidade e o imaginário, quem iria resistir, não fora a sua prognose?

Desçamos à terra.

Nas vésperas do que viria a ser uma grande manifestação de professores, já bem num final de dia, foi enviado um e-mail aos directores dos agrupamentos, para cujo conteúdo se pedia o urgente conhecimento dos professores. Tratava-se de esclarecimentos, sob forma de pergunta/resposta, já antes prestados, note-se, relativos às anunciadas mudanças no regime de concursos de recrutamento de docentes. Com o ministerial espírito em Paris, embrenhado na preparação de mais uma homilia da OCDE, o que denotava a pressa da estranha missiva, feita a “pedido do senhor ministro”? Obviamente, o nervosismo que nascia na mente capta do senhor ministro, ante o que aí vinha. E veio! Cerca de 30 mil, na rua, a acenarem-lhe com lenços brancos de despedida.

No mínimo, faça agora como o outro Costa, que não apareceu nas cheias e fez-se de morto na discussão sobre a eutanásia. Feche-se numa bolha, fazendo figas para que não rebente.

No máximo, ainda tem uma réstia de dignidade ao alcance: demita-se!

In "Público" de 21.12.22"




sábado, 23 de novembro de 2019

Isabel Maria Sousa e Silva (1957-2019)

 


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É muito injusto que a Isabel nos deixe. Travou a batalha principal dos últimos cinco anos sempre com uma força incomum. Foi nessa fase que li os quatro volumes da obra superior de Elena Ferrante: "A Amiga Genial". E não havia dia que não associasse o título à Isabel. A obra de Elena Ferrante é fundamental para se perceber a história da Europa na segunda metade do século XX e nas duas primeiras décadas deste. E "A Amiga Genial" era corajosa, generosa e amava incondicionalmente os seus. Que grande lição de vida, minha amiga. Até lá.


Nota: escolhi uma imagem que antecedeu o período mais difícil da vida da Isabel e em que celebrávamos mais um momento de uma causa comum: a defesa e elevação da escola pública.

quinta-feira, 3 de maio de 2018

dos "privados" escolares, dos associados e das alterações climáticas

 


 


 


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Faz tempo que se associaram duas frentes polares (alguns "privados" escolares com as políticas educativas do Governo de Sócrates) contra os defensores da escola pública, que ainda suportaram as intempéries da frente glaciar do Governo de Passos. Agora que se conhecem as acusações tempestuosas do Ministério Público às duas primeiras (novamente o tempo e a sua relação com a verdade), será elucidativo do clima a que isto chegou conhecer os alegados alertas do Governo de Passos ao antecessor sobre as intenções da justiça (uma máquina demasiadas vezes lenta ou com dificuldades optométricas).


 


Imagem daqui

domingo, 25 de março de 2018

"privados" escolares acusados de corrupção

 


 


 


Cerca de quatro anos depois das buscas da polícia judiciária, e em consequência de reportagens televisivas e da acção de uns quantos cidadãos, o MP fez as acusações que pode ler a seguir. Encontra vários posts sobre o assunto aquiaqui, aqui e aqui. É já uma longa história, em que os actores locais - como é o caso num epicentro, as Caldas da Rainha - testemunharam e memorizaram (factos e consequências) o calibre dos comportamentos em questão. Repitamos assim: que a justiça faça o seu caminho.



"O ex-secretário de Estado Adjunto e da Administração Educativa José Manuel Canavarro e um antigo diretor regional de educação estão acusados de corrupção no caso dos colégios do grupo GPS, segundo a acusação a que a Lusa teve acesso..(...)O Ministério Público (MP) acusou também cinco administradores do grupo GPS.(...)"