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quinta-feira, 9 de outubro de 2025

Como é que tinha acabado, e há muito, a diabólica avaliação dos professores?

 


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Pelo blogue em 9 de Outubro de 2025.


Título: Como é que tinha acabado, e há muito, a diabólica avaliação dos professores?


Texto:


Antes do mais, não se compreende porque é que não se suspende o decreto regulamentar da avaliação de professores. Se o actual ministro da educação disse que tinha dificuldade em encontrar adjectivos para classificar o que existe, e voltou recentemente a advogar o fim das quotas, então suspenda-se de imediato e não se adoeça mais pessoas nem se estimule mais desistências.


Aliás, se em todos os escalões (com excepção do último, obviamente) tivessem existido vagas e, naturalmente, quotas, esta farsa trituradora de dignidades e promotora de assédio profissional já tinha implodido de vez.


Porquê? Porque houve milhares de professores que passaram ao lado deste flagelo. Quando começou efectivamente o pesadelo de todos contra todos, muitos professores estavam no 7º escalão ou mais acima (e não foram recolocados no 4º escalão como outros milhares), muitos beneficiaram do excelente e do muito bom e outros foram dispensados. E repare-se: se as listas das vagas, onde ficaram professores anos a fio numa espera kafkiana de acesso aos 5º e 7º escalões, e as quotas "libertadoras" tivessem sido aplicadas em todos os escalões, ter-se-ia concretizado o célebre aforismo de Ludwig Wittgenstein: "as relações humanas seriam muito diferentes se fosse transparente a relação entre dor e linguagem, se sentíssemos a dor do outro ao ouvi-lo enunciando a palavra dor".


Mas esta engrenagem tinha implodido ainda mais cedo se todos as pessoas com o estatuto profissional de professor (dirigentes escolares e partidários, sindicalistas, destacados no ministério ou no monstro da formação contínua e por aí fora) entrassem no mesmo universo de vagas e quotas dos professores que leccionam.


Nota em jeito de repetição: se as mentes diabólicas que inventaram este (vou citar entre aspas as palavras de um mentor arrependido) "fascismo por via administrativa", que tinha as piores referências teóricas e empíricas, tivessem sido minimamente coerentes, tinham aplicado as vagas, e as consequências das quotas, em todos os escalões e tinham-se incluído nesta trágédia ímpar na Europa.

quinta-feira, 19 de junho de 2025

Os professores e a enésima reforma do Estado

Se na enésima reforma do Estado a ideia fosse fazer uma justiça histórica na destruída carreira dos professores, só colocando cada professor no escalão correspondente ao tempo de serviço prestado. Ninguém seria prejudicado e dar-se-ia um passo histórico e efectivo numa encruzilhada administrativa calamitosa, em que cada professor é um caso com histórias de injustiças, ultrapassagens, esquecimentos e sonegações. De facto, a destruída carreira dos professores é um labirinto que desespera por uma simplificação. E uma carreira decente na linha das melhores práticas europeias, exclui farsas administrativas na avaliação do desempenho e inclui um respeito escrupuloso pela diminuição do número de horas lectivas e das restantes tarefas escolares à medida que a idade aumenta. E ao contrário do que se propagou no início do milénio em que se desvalorizou a experiência profissional, as melhores práticas salariais dos professores (que pode consultar no site, "Quanto ganha um médico, professor, bancário ou polícia no Luxemburgo?", que sugiro) "praticam 7.052 euros por mês no início de carreira (que aumenta a cada ano adicional de experiência profissional), 8.400 euros após cinco anos de experiência e 9.000 euros após nove anos de exercício."

Avaliação de professores - Texto de Mário Silva


Avaliação de professores - Texto de Mário Silva


"Este mês é a época da aplicação da ADD (Avaliação da Desmotivação) nas escolas, com as SAD a reunir informalmente para distribuir as quotas de mérito, com base em critérios ‘achistas’ e de informação de bastidores, com inquéritos informais a docentes sobre opiniões de desempenho dos colegas. A todos os docentes e direções envolvidos no processo, uma reflexão: 75% dos docentes avaliados não têm mérito; se estes docentes trabalhassem zelosamente de acordo com a falta de mérito, as escolas bloqueavam ou ficariam muitas atividades por concretizar. A prioridade é que as escolas continuem a proporcionar as condições que a sociedade não proporciona aos jovens ou é poupar nos salários e posteriormente nas pensões de reforma? Se querem motivar, há ações juridicas que podem ser concretizadas na escola para mitigar a estupidez legislativa.“Para bom entendedor, meia palavra basta”."


quinta-feira, 10 de outubro de 2024

Como é que tinha acabado, e há muito, a diabólica avaliação dos professores?

Antes do mais, não se compreende porque é que não se suspende o decreto regulamentar da avaliação de professores. Se é o próprio ministro da educação que tem dificuldade em encontrar adjectivos para classificar o que existe e advoga o seu fim, então suspenda-se de imediato e não se adoeça mais pessoas nem se estimule mais desistências.


Aliás, se em todos os escalões (com excepção do último, obviamente) tivessem existido vagas e, naturalmente, quotas, esta farsa trituradora de dignidades e promotora de assédio profissional já tinha implodido de vez.


Porquê? Porque houve milhares de professores que passaram ao lado deste flagelo. Quando se aplicou, muitos estavam no 7º escalão ou mais acima (e não foram recolocados no 4º escalão como milhares), muitos beneficiaram do excelente e do muito bom e outros foram dispensados. E repare-se: se as listas das vagas, onde ficaram professores anos a fio numa espera kafkiana de acesso aos 5º e 7º escalões, e as quotas "libertadoras" tivessem sido aplicadas em "todos" os escalões, ter-se-ia concretizado o célebre aforismo de Ludwig Wittgenstein: "as relações humanas seriam muito diferentes se fosse transparente a relação entre dor e linguagem, se sentíssemos a dor do outro ao ouvi-lo enunciando a palavra dor".


Mas tinha implodido ainda mais cedo se todos as pessoas com o estatuto profissional de professor (dirigentes escolares e partidários, sindicalistas, destacados no ministério ou no monstro da formação contínua e das respectivas horas de formação e por aí fora) entrassem no mesmo universo de vagas e quotas dos professores que leccionam. E para a coisa ser mais requintada, durante a carreira cada professor só poderia escapar das listas de vagas duas vezes.


Nota em jeito de repetição: se as mentes diabólicas que inventaram este (vou citar entre aspas as palavras de um mentor arrependido) "fascismo por via administrativa", que tinha as piores referências teóricas e empíricas, tivessem sido minimamente coerentes, tinham aplicado as vagas, e as consequências das quotas, em todos os escalões e tinham-se incluído neste modelo trágico ímpar na Europa.

quinta-feira, 13 de junho de 2024

Não! Por favor! (1ª edição em 06 de Março de 2017)


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Dizia o Público (em 06 de Março de 2017) que "a reestruturação da função pública vai ter limites às progressões e que para subir na hierarquia do Estado vão ser precisos prémios e promoções". A ideia arrepiava e compreendia-se a apreensão. Por favor: isso não! O "dividir para reinar", com um suposto mérito-para-as-massas era aterrador.


Dava ideia que a patologia kafkiana (para ser brando) passava dos bastidores para a primeira linha. Se havia pessoas com memória curta, obrigassem-nas a ver o "I, Daniel Blake".

terça-feira, 5 de março de 2024

Não! Por favor!

Dizia o Público (em 06 de Março de 2017) que "a reestruturação da função pública vai ter limites às progressões e que para subir na hierarquia do Estado vão ser precisos prémios e promoções". A ideia arrepiava e compreendia-se a apreensão. Por favor: isso não! O "dividir para reinar", com um suposto mérito-para-as-massas era aterrador.


Dava ideia que a patologia kafkiana (para ser brando) passava dos bastidores para a primeira linha. Se havia pessoas com memória curta, obrigassem-nas a ver o "I, Daniel Blake".


 


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terça-feira, 30 de janeiro de 2024

Pessoas não são alfinetes

 


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A propósito da seguinte passagem no meu último texto no Público, - "eliminação da valoração de escolas e professores baseada no absurdo dos resultados dos grupos de alunos deverem melhorar todos os anos" -, um comentador interessado discordou e pediu-me uma explicação.


Disse-lhe mais ou menos isto: imagine um professor que tem uma turma de 9º ano. Por que razão é que essa turma tem que ter uma média de resultados superior a outra do mesmo ano que leccionou no ano anterior e assim sucessivamente? Pense um bocado. E isso aplica-se à valoração de escolas e por aí fora. Imagino que deve ser difícil perceber, com um raciocínio simples, os equívocos dos fundamentos de toda uma tragédia.


Acrescentei: as turmas são todas diferentes, até do mesmo ano de escolaridade; e há tantas variáveis a influenciar climas, aprendizagens e resultados, que é por isso que é tão difícil e complexo avaliar o desempenho dos professores. O que existe em Portugal é uma aberração só possível na caricatura de uma social-democracia. A média das classificações que um professor atribui a uma turma, ou a várias do mesmo ano de escolaridade, não tem que subir todos os anos. Até pode descer. A lógica da avaliação na economia e na gestão empresarial (subidas do crescimento económico e dos lucros) foi aplicada tragicamente à educação. Até o pai do liberalismo, Adam Smith (2010:80), em Riqueza das Nações, F. C. Gulbenkian, alertou "que pessoas não são alfinetes".


E lembrei-me de Jorge de Sena e da frase que colei na imagem. 

terça-feira, 23 de janeiro de 2024

E regressam os prémios financeiros por desempenho?!

E regressam os prémios financeiros por desempenho?! E os critérios para a atribuição? Estas ideias resultam sempre numa aplicação trágica (basta clicar em france telecom nas tags do post).


Foi exactamente com este discurso que os governos das terceiras vias socialistas e sociais-democratas, e, de resto, de toda a direita, começaram a perder as pessoas. Impõe-se uma interrogação: mas não se aprendeu qualquer coisa com o passado recente?

domingo, 1 de outubro de 2023

Alguém que informe o PSD

Alguém que informe o PSD que os professores reformados não podem recuperar tempo de serviço. A proposta de recuperação em 5 anos (20% em cada um) é tão surpreendente como querer recuperar a brutalmente injusta avaliação do desempenho como factor para concursos. Se chegarem ao poder em 2026, a recuperação do tempo terminará em 2031. Além de tudo, a não recuperação já originou perdas irreparáveis no valor das reformas (muitos professores nem terão pensão capaz de pagar um lar de idosos). Por outro lado, não estavam cá em Novembro de 2022 quando os professores explodiram de indignação por se querer passar o concurso para a autocracia escolar e com a avaliação Kafkiana como factor de seriação?

sexta-feira, 15 de setembro de 2023

São as políticas, e não o absentismo ou as aposentações, que causam a falta de professores

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São as políticas, e não o absentismo ou as aposentações, que causam a falta de professores


Pelo Público em 13 Setembro de 2022. Como acordado, o texto está publicado no blogue.


Título: São as políticas, e não o absentismo ou as aposentações, que causam a falta de professores


Milhares de alunos meses a fio sem professor a pelo menos uma disciplina, ou com constantes substituições dos precários que os ensinam, são sinais preocupantes para as democracias; por cá, tornaram-se indisfarçáveis desde 2017. Como se regista nos EUA, no RU e em vários países europeus (os nórdicos resistiram porque têm classes médias maioritárias e consistentes), é nos territórios com mais problemas sociais ou isolados, ou atingidos pela especulação imobiliária, que cresce a falta de professores.


Aliás, ser professor já só motiva uma minoria interessada na formação em educação básica. É o resultado das reformas neoliberais, sintonizadas com a OCDE, que visaram a sustentabilidade económica dos estados. A forte redução dos orçamentos da educação exigiu políticas de engenharia social que incluíram a descredibilização da escola pública e dos seus professores. Em regra, os governos seleccionaram uma forma de manipulação para popularizar as decisões: destaques mediáticos especulativos das estatísticas do absentismo dos professores e da sua massa salarial.


A bem dizer, Portugal chegou tarde a este processo. Mas acelerou-o a meio da década de 2000. Aplicou a eito, com pouca consistência teórica e sem estudos empíricos, um conjunto de políticas extremistas na carreira dos professores, e na sua avaliação, sustentadas por um modelo autocrático de gestão das escolas. As históricas contestações dos professores (2008 e 2013) - reconhecidas pelas oposições nas campanhas eleitorais, mas "esquecidas" logo que tomaram o poder -, anteciparam a crise vigente.


Acima de tudo, a inacção dos sucessivos governos desconvocou a esperança, instalou o desalento e eliminou a capacidade de contestação dos professores. Mas criou uma casta que se acomodou e que usa um argumentário que suaviza a consciência dos governos.


Para além disso, o marketing partidário manipulou os dados dos resultados dos alunos para certificar o caminho certo. A melhoria no PISA (OCDE), ou a "natural redução do abandono escolar" numa sociedade que se desenvolveu e escolarizou, serviu para discursos oportunistas nivelados pelas contendas sobre os rankings nacionais.


No essencial, as finanças passaram a supervisionar a educação. Como confessou Alexandra Leitão (teve pastas na AP e na Educação) ao Expresso de 19 de Agosto de 2022, "o sistema de avaliação da AP é injusto. Tentei modificá-lo e não consegui. Não houve abertura do Ministério das Finanças. Não vale a pena dizer outra coisa."


De resto, estabeleceu-se um silêncio estrutural sobre uma organização que "adoecia os professores" e os mergulhava num tríptico bem documentado: exaustão, amargura e indignação. Até quem experimentou o exercício, identificou de imediato os procedimentos parciais e arbitrários.


Tudo isto foi fatal. Não só promoveu a fuga dos professores, como transformou as escolas em laboratórios de controlo social e favoráveis ao caciquismo local. Aliás, é já só neste universo que encontramos "dinossauros" a dirigir a mesma escola durante cerca de duas décadas, ou até três ou mais, e que ainda são aplaudidos pela corte do sistema que faz assim tábua rasa da mais elementar ética republicana. 


Por isso, a comparação da actualidade com 2010, como fez o actual ministro da Educação, regista a subida do absentismo e da mobilidade por doença sem a necessidade de inundar os leitores com números. Há causas transversais à AP (exaustão, envelhecimento e milhares de aposentações na década de 2020 que os governos ignoraram) e é igualmente consensual o efeito devastador das políticas.


Em suma, as democracias estão numa encruzilhada e aumenta a apreensão com o crescimento das desigualdades educativas e das escolas para ricos.


E antes do mais, sublinhe-se que a aceleração do digital na pandemia demonstrou a imponderabilidade da substituição de professores por máquinas (ou por qualquer modelo de tele-escola) tão desejada pelos ministérios das finanças, pela OCDE e pelas gigantes tecnológicas.


Mas um sinal sonoro da aflição europeia foi dado por Macron: "nenhum professor receberá menos do que 2000 euros líquidos mensais". Por cá, é matéria indiscutível. O debate não abre, nem com as ameaças frequentes de Bruxelas de levar Portugal a "tribunal se não acabar a “discriminação” dos professores contratados" que "auferem sempre o salário mínimo da carreira independentemente do número de anos de serviço" (que pode chegar às duas dezenas). E recorde-se: a carreira em Portugal é a que tem mais travões na AP e os professores são os únicos que não recuperaram a totalidade do tempo de serviço. Aliás, tornou-se agora mais evidente como eram parciais as contas das finanças.


"Uma mudança de políticas" permitiria, no mínimo, sonhar. Desde logo, tentar que o problema não se agrave e eternize. Recuperaria professores profissionalizados desistentes, revigoraria os que existem e oxigenaria a atractividade do exercício. Mas não há sinais nesse sentido; pelo contrário.


Nesta fase, a acção do Governo centra-se num recuo da lei das habilitações para algo semelhante ao que acontecia no início do milénio. Essa decisão provocou o tradicional debate sobre a melhor formação. Concorda-se com quem defende que a habilitação própria seja equivalente à que permite aceder ao mestrado profissionalizante essencial para a entrada nos quadros das escolas.


Resumidamente, não se ensina violino, basquetebol, gramática ou álgebra, sem se saber violino, basquetebol, gramática ou álgebra. Ajuda muito se se estudar Piaget, Freud, Hannoun, Erikson, Bruner, Ausubel, Sandel, Markovits e por aí fora. É também fundamental que a profissionalização seja em exercício nas escolas (plurianual de preferência) e não num apressado ensino à distância. Estes domínios são mais determinantes do que os debates que diminuem as pessoas porque se formaram depois de Bolonha, ao mesmo tempo que se omite a descida ocorrida com o absolutismo das Ciências da Educação.


E nunca é excessivo repetir que ensinar é difícil. Necessita de um clima de confiança e de boas condições de leccionação. Requer preparação e energia, e exige a desafiante adaptação da personalidade aos estilos de ensino. Inscreve estudo para a vida e convoca a esperança e o optimismo. 


Acima de tudo, urge o regresso de aquilo que as políticas vigentes anularam: professores satisfeitos com uma escolha profissional digna que não os esgota em burocracia e em procedimentos digitais repetidos e inúteis, livres para ensinar e aprender e com tempo para a cidadania.

segunda-feira, 21 de agosto de 2023

Do tacticismo que leva à explosão dos professores

Este SIADAP é uma aberração. Nenhuma profissão pode ser avaliada no modelo aplicado os professores portugueses. O RU, por exemplo, aplicou algo parecido no início do milénio e abandonou pouco depois. Por cá, é a preguiça, o desleixo e a irresponsabilidade. Atenuam-se os prejuízos de uns quantos e deixa-se no mesmo inferno quem se segue. Divide-se para reinar. "Presidente promulga diploma da progressão da carreira dos professores. No mesmo dia, Marcelo vetou quase todo o pacote da habitação e deixou passar o da carreira dos professores."

sexta-feira, 28 de julho de 2023

A propósito da Avaliação dos Professores

Recebi o seguinte texto de Mário Silva:



"Finalizado o processo da ADD em mais um ano letivo, convém falar sobre o 'elefante na sala': ADD dos(as) subdiretores(as). A legislação permite que estes membros da direção possam requer serem avaliados sob o regime geral, o que significa serem colocados(as) no universo dos professores de carreira. Essa passagem permite o acesso à menção de mérito de Muito Bom e Excelente, que não teriam se ficassem no universo dos membros da direção. O problema é que, para todos os efeitos, há 4 elementos da SAD que são subordinados dos(as) subdiretores(as), o que confere um evidente conflito de interesses ao abrigo do CPA. O mesmo se aplica aos outros membros da direção, que implicitamente poderão ter a intervenção do(a) diretor(a) como elemento da SAD. Mas esta questão jamais foi levantada pelos sindicatos ou pelos docentes, e anualmente vai acontecendo esta coação subtil na ADD, que vai permitindo a atribuição da menção de mérito a superiores hierárquicos em detrimento dos subordinados...


Mário Silva"


quarta-feira, 12 de julho de 2023

Simplesmente brutal; post de 2010

Uma entrevista a Christophe Dejours, no antigo P2 do Público, foi ao osso do Taylorismo e deixou a comunidade que se interessava pela gestão das organizações em estado de choque (bem sei que talvez Frederick Taylor tenha as costas largas, que deveria ser avaliado com o pensamento do seu tempo e por aquilo que defendeu e não pelo que fizeram com as suas teorias; embora a lógica empresarial em que "uns quantos, poucos, apenas pensam, e uns tantos, muitos, apenas fazem" tenha provocado inúmeras dilacerações relacionais).


A blogosfera também reagiu e, como pode ler aqui, o acento tónico foi óbvio: a entrevista apenas constatou o que há muito se sabia. E o mais grave, é que esse "modus operandi" empresarial foi incutido à força nos outros espíritos planetários.


É uma entrevista imperdível. Apresento-a reduzida de acordo com os meus critérios.



Psiquiatra, psicanalista e professor no Conservatoire National des Arts et Métiers, em Paris, Christophe Dejours dirige ali o Laboratório de Psicologia do Trabalho e da Acção – uma das raras equipas no mundo que estuda a relação entre trabalho e doença mental. Esteve há dias em Lisboa... (...) ...falou do sofrimento no trabalho. Não apenas do sofrimento enquanto gerador de patologias mentais ou de esgotamentos, mas sobretudo enquanto base para a realização pessoal.(...)

O suicídio ligado ao trabalho é um fenómeno novo? 
O que é muito novo é a emergência de suicídios e de tentativas de suicídio no próprio local de trabalho. Apareceu em França há apenas 12, 13 anos. E não só em França – as primeiras investigações foram feitas na Bélgica, nas linhas de montagem de automóveis alemães. É um fenómeno que atinge todos os países ocidentais. O facto de as pessoas irem suicidar-se no local de trabalho tem obviamente um significado. É uma mensagem extremamente brutal, a pior do que se possa imaginar – mas não é uma chantagem, porque essas pessoas não ganham nada com o seu suicídio. É dirigida à comunidade de trabalho, aos colegas, ao chefe, aos subalternos, à empresa. Toda a questão reside em descodificar essa mensagem. 

Afecta certas categorias de trabalhadores mais do que outras? 
Na minha experiência, há suicídios em todas as categorias – nas linhas de montagem, entre os quadros superiores das telecomunicações, entre os bancários, nos trabalhadores dos serviços, nas actividades industriais, na agricultura.(...) 

O que é que mudou nas empresas? 
A organização do trabalho. Para nós, clínicos, o que mudou foram principalmente três coisas: a introdução de novos métodos de avaliação do trabalho, em particular a avaliação individual do desempenho; a introdução de técnicas ligadas à chamada “qualidade total”; e o outsourcing, que tornou o trabalho mais precário. 

A avaliação individual é uma técnica extremamente poderosa que modificou totalmente o mundo do trabalho, porque pôs em concorrência os serviços, as empresas, as sucursais – e também os indivíduos. E se estiver associada quer a prémios ou promoções, quer a ameaças em relação à manutenção do emprego, isso gera o medo. E como as pessoas estão agora a competir entre elas, o êxito dos colegas constitui uma ameaça, altera profundamente as relações no trabalho: “O que quero é que os outros não consigam fazer bem o seu trabalho.” 

Muito rapidamente, as pessoas aprendem a sonegar informação, a fazer circular boatos e, aos poucos, todos os elos que existiam até aí – a atenção aos outros, a consideração, a ajuda mútua – acabam por ser destruídos. As pessoas já não se falam, já não olham umas para as outras. E quando uma delas é vítima de uma injustiça, quando é escolhida como alvo de um assédio, ninguém se mexe…

Mas o assédio no trabalho é novo? 
Não, mas a diferença é que, antes, as pessoas não adoeciam. O que mudou não foi o assédio, o que mudou é que as solidariedades desapareceram. Quando alguém era assediado, beneficiava do olhar dos outros, da ajuda dos outros, ou simplesmente do testemunho dos outros. Agora estão sós perante o assediador – é isso que é particularmente difícil de suportar. O mais difícil em tudo isto não é o facto de ser assediado, mas o facto de viver uma traição – a traição dos outros. Descobrimos de repente que as pessoas com quem trabalhamos há anos são cobardes, que se recusam a testemunhar, que nos evitam, que não querem falar connosco.(...) 

Uma formação para o assédio? 
Exactamente. Há estágios para aprenderem essas técnicas. Posso contar, por exemplo, o caso de um estágio de formação em França em que, no início, cada um dos 15 participantes, todos eles quadros superiores, recebeu um gatinho. O estágio durou uma semana e, durante essa semana, cada participante tinha de tomar conta do seu gatinho. Como é óbvio, as pessoas afeiçoaram-se ao seu gato, cada um falava do seu gato durante as reuniões, etc.. E, no fim do estágio, o director do estágio deu a todos a ordem de… matar o seu gato. 

Está a descrever um cenário totalmente nazi... 
Só que aqui ninguém estava a apontar uma espingarda à cabeça de ninguém para o obrigar a matar o gato. Seja como for, um dos participantes, uma mulher, adoeceu. Teve uma descompensação aguda e eu tive de tratá-la – foi assim que soube do caso. Mas os outros 14 mataram os seus gatos. O estágio era para aprender a ser impiedoso, uma aprendizagem do assédio.(...) 

E os sindicatos? 
Penso que os sindicatos foram em parte destruídos pela evolução da organização do trabalho. Não se opuseram à introdução dos novos métodos de avaliação. Mesmo os trabalhadores sindicalizados viram-se presos numa dinâmica em que aceitaram compromissos com a direcção. Em França, a sindicalização diminuiu imenso – as pessoas já não acreditam nos sindicatos porque conhecem as suas práticas desleais.(...)

Falou de “qualidade total”. O que é exactamente?
É uma segunda medida que foi introduzida na sequência da avaliação individual. Acontece que, quando se faz a avaliação individual do desempenho, está-se a querer avaliar algo, o trabalho, que não é possível avaliar de forma quantitativa, objectiva, através de medições. Portanto, o que está a ser medido na avaliação não é o trabalho. No melhor dos casos, está-se a medir o resultado do trabalho. Mas isso não é a mesma coisa. Não existe uma relação de proporcionalidade entre o trabalho e o resultado do trabalho. 

É como se em vez de olhar para o conteúdo dos artigos de um jornalista, apenas se contasse o número de artigos que esse jornalista escreveu.(...).

Os médicos sempre foram considerados uma classe muito solidária… 
Foram. Já não são. Eu trabalhei anos nos hospitais, e adorava trabalhar lá, porque existia um espírito de equipa fantástico. Éramos felizes no nosso trabalho. Hoje, as pessoas não querem trabalhar nos hospitais, não querem fazer bancos, tentam safar-se. São todos contra todos. Bastaram uns anos para destruir a solidariedade no hospital. O que aconteceu é aterrador.

O que é importante perceber é que a destruição dos elos sociais no trabalho pelos gestores nos fragiliza a todos perante a doença mental. E é por isso que as pessoas se suicidam. Não quer dizer que o sofrimento seja maior do que no passado; são as nossas defesas que deixaram de funcionar.

Portanto, as ferramentas de gestão são na realidade ferramentas de repressão, de dominação pelo medo. 
Sim, o termo exacto é dominação; são técnicas de dominação.

Então, é preciso acabar com essas práticas? 
Eu não diria que é preciso acabar com tudo. Acho que não devemos renunciar à avaliação, incluindo a individual. Mas é preciso renunciar a certas técnicas. Em particular, tudo o que é quantitativo e objectivo é falso e é preciso acabar com isso. Mas há avaliações que não são quantitativas e objectivas – a avaliação dos pares, da colectividade, a avaliação da beleza, da elegância de um trabalho, do facto de ser conforme às regras profissionais. Trata-se de avaliações assentes na qualidade e no desempenho do ofício. Mesmo a entrevista de avaliação pode ser interessante e as pessoas não são contra. 

Mas sobretudo, a avaliação não deve ser apenas individual. É extremamente importante começar a concentrar os esforços na avaliação do trabalho colectivo e nomeadamente da cooperação, do contributo de cada um. Mas como não sabemos analisar a cooperação, analisa-se somente o desempenho individual.(...)

Não haverá por detrás desta nova organização do trabalho objectivos de controlo das pessoas, de redução da liberdade individual, que extravasam o âmbito empresarial? 
É uma questão difícil. Acho que qualquer método de organização do trabalho é ao mesmo tempo um método de dominação. Não é possível dissociar as duas coisas. Há 40 anos que os sociólogos trabalham nisto. Todos os métodos de organização do trabalho visam uma divisão das tarefas, por razões técnicas, de racionalidade, de gestão. Mas não há nenhuma divisão técnica do trabalho que não venha acompanhada de um sistema de controlo, em virtude do qual as pessoas vão cumprir as ordens.

Há tecnologias da dominação. O sistema de Taylor, ou taylorismo, é essencialmente um método de dominação e não um método de trabalho. O método de Ford é um método de trabalho.

Contudo, não penso que a intenção do patronato (francês, em particular), nem dos homens de Estado seja instaurar o totalitarismo. Mas é indubitável que introduzem métodos de dominação, através da organização do trabalho que, de facto, destroem o mundo social.

Qual é a diferença entre taylorismo e fordismo? 
Taylor inventou a divisão das tarefas entre as pessoas e a interposição, entre cada tarefa, de uma intervenção da direcção, através de um capataz. Há constantemente alguém a vigiar e a exigir obediência ao trabalhador. A palavra-chave é obediência. “Quando eu disser para parar de trabalhar e ir comer qualquer coisa, você vai obedecer. Se concordar, será pago mais 50 cêntimos pela sua obediência.” A única coisa que importa é a obediência. O objectivo é acabar com o ócio, os tempos mortos.

Só muito mais tarde é que Ford introduziu uma nova técnica, a linha de montagem, que é uma aplicação do taylorismo. Na realidade, não é o progresso tecnológico que determina a transformação das relações sociais, mas a transformação das relações de dominação que abre o caminho a novas tecnologias. 

O toyotismo [ou Sistema Toyota de Produção] utiliza um outro método de dominação, o ohnismo [inventado por Taiichi Ohno (1912-1990)], diferente do taylorismo. É um método particular que extrai a inteligência das pessoas de uma forma muito mais subtil que o taylorismo, que apenas estipula que há pessoas que têm de obedecer e outras que mandam.(...)

O que fizeram? 
Abandonaram a avaliação individual – aliás, esses patrões estavam totalmente fartos dela. Durante um encontro que tive com o presidente de uma das empresas, ele confessou-me, após um longo momento de reflexão, que o que mais odiava no seu trabalho era ter de fazer a avaliação dos seus subordinados e que essa era a altura mais infernal do ano. Surpreendente, não? E a razão que me deu foi que a avaliação individual não ajuda a resolver os problemas da empresa. Pelo contrário, agrava as coisas.(...).



(Utilizei este texto num post em 21 de Fevereiro de 2010)

sábado, 8 de julho de 2023

17 anos De Uma Tragédia Anunciada Que Só Os Professores Viam

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Avaliar um professor por um relatório de três páginas (que mencionará, ou não, mais duas farsas próprias do estado a que isto chegou: aulas observadas e horas de formação) pontuando-o até às décimas numa escala de 1 a 10 pontos, é uma farsa burocrática que só existe nas caricaturas de uma social-democracia. O SIADAP (avaliação na nossa administração pública) só funciona em clima de faz de conta. Quando se aplica com cotas em universos de grandes escalas, como na Educação, há uma fuga de profissionais que se arrasta à formação inicial. Se às cotas ainda se acrescenta vagas e cortes a eito nas carreiras, a explosão social, que mistura exaustão com indignação, é uma questão de tempo; agravou-se, porque se impôs um modelo de gestão de escolas com portas abertas à autocracia e a parcialidades (no mundo mediático já se fala de "clima pidesco, de pequenos tiranetes e de professores deseducados); e o impensado modelo de mega-agrupamentos ampliou tudo o que foi dito.


Em suma, nenhuma profissão pode ser avaliada no modelo aplicado aos professores.


De resto, estabeleceu-se um silêncio fatal sobre uma organização que "adoeceu os professores" e que os mergulhou num tríptico de "fuga", cansaço e revolta contida. Até quem experimentou o exercício, identificou de imediato o clima arbitrário e o monstro burocrático. E repita-se: desde que há escolas que os professores devem estar sempre preparados para a prestação de duas contas: como gerem o programa da disciplina que leccionam e como avaliam os alunos. Contudo, e por influência dos graduados em desconfiança, aplicou-se aos professores uma espécie de inversão do ónus da prova que explica a insanidade burocrática através do registo, infernal e inútil, de todos os passos em actas, relatórios, notas, pareceres ou plataformas digitais. Os resultados trágicos de tudo isto estão, finalmente e naturalmente, bem visíveis. Só surpreendem a tal casta governativa, ramificada pelo território, que criou uma bolha ilusória, alimentada nas escolas da situação, que assegurava que o bom seria governar sem os incompreensíveis professores.


1ª edição em 21.Janeiro.2023

quinta-feira, 6 de julho de 2023

Avaliar e Classificar


Não raramente, atribui-se ao verbo "avaliar" um conceito mais abrangente do que ao uso do verbo "classificar". O segundo é visto como mais métrico. Essa dicotomia não é verdadeira em termos etimológicos e docimológicos e tem, quando muito, um uso de senso comum ligado muitas vezes à ciência política. Ou seja, avaliar, que significa "determinar a valia ou o valor de" é sinónimo de classificar, que significa "distribuir em classes ou grupos com características semelhantes; determinar a classe de algo dentro de um conjunto; colocar numa dada ordem; ordenar; atribuir uma nota a; qualificar". 


Quem avalia ou classifica fá-lo com finalidades diferentes: diagnósticas, formativas ou sumativas. Por outro lado, há domínios subjectivos ou objectivos em universos escolares mais cognitivos, motores ou afectivos. Em todos os casos usam-se instrumentos qualitativos ou quantitativos diversos, desde tabelas de observação aos mais variados modelos de testes. Portanto, os sinónimos avaliar e classificar devem procurar o rigor científico nas mais variadas finalidades, domínios e modelos taxonómicos e com instrumentos que recolham dados de todos os avaliados de determinado grupo em igualdade de circunstâncias.


Nota: desde as décadas de 50 e 60 do século passado que investigadores como Michael Scriven, Daniel Stufflebeam, Gilbert e Viviane Landsheere e alguns outros realizaram estudos concludentes sobre o assunto.


1ª edição em 28.04.2020.



 

 

quarta-feira, 1 de março de 2023

A febre da "meritocracia" infantiliza e destrói as organizações

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A febre da "meritocracia" infantiliza e destrói as organizações; e não adianta repetir-se que os professores não querem ser avaliados. Perguntem aos tão citados finlandeses o que pensam do que se passa em Portugal e terão uma resposta: aberração. 


E num tempo de "crescente chatGPT", os ambientes democráticos serão ainda mais cruciais e difíceis de concretizar. E é sempre bom repetir: a democracia dá muito trabalho e nunca ouvi um democrata com obra dizer o contrário. Estas políticas meritocráticas empurram os eleitores para os extremos e nem é bom imaginar a IA na mão de autocratas eleitos.


A avaliação está a destruir os serviços públicos. Nos professores agrava-se. Ao contrário do que diz o ministro da educação (JN), os professores têm quotas em todos os escalões e são os únicos com vagas (e em 2 escalões). Mas a questão de fundo é o que se avalia e como (e ainda se pontua de 1 a 10). Tolerou-se a farsa administrativa porque estava tudo congelado até 2017. Em 2018 começou a danação do tempo, a invenção de realidades e a revolta contida. A pandemia adiou a explosão. Será muito difícil perceber que pequenos tiranetes usam um poder arbitrário que dilacera eticamente, destrói as organizações e provoca a “fuga” dos profissionais em prejuízo do bem comum?


 

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2023

Das Escusas dos Avaliadores

Post publicado em 28 de Novembro de 2012 e repetido em Novembro de 2022.


Em 2022, escrevi assim:



"Dez anos depois, nada mudou. Agravou-se porque as progressões na carreira estão sujeitas a cotas e vagas."



Em 2012, escrevi assim:



"A avaliação de professores entrou no desmiolo conhecido. Já cansa. A única informação relevante é sobre o pedido de escusa por parte dos possíveis avaliadores. Concordo e ponto final.


Só faltava termos os sindicatos a pugnarem pela consideração das aulas observadas no desmiolo anterior e na enésima simplificação do inclassificável. É a tradicional resposta no universo-alpaca: contra minutas luta-se com minutas."


sábado, 21 de janeiro de 2023

17 anos De Uma Tragédia Anunciada Que Só Os Professores Viam

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Avaliar um professor por um relatório de três páginas (que mencionará, ou não, mais duas farsas próprias do estado a que isto chegou: aulas observadas e horas de formação) pontuando-o até às décimas numa escala de 1 a 10 pontos, é uma farsa burocrática que só existe nas caricaturas de uma social-democracia. O SIADAP (avaliação na nossa administração pública) só funciona em clima de faz de conta. Quando se aplica com cotas em universos de grandes escalas, como na Educação, há uma fuga de profissionais que se arrasta à formação inicial. Se às cotas ainda se acrescenta vagas e cortes a eito nas carreiras, a explosão social, que mistura exaustão com indignação, é uma questão de tempo; agravou-se, porque se impôs um modelo de gestão de escolas com portas abertas à autocracia e a parcialidades (no mundo mediático já se fala de "clima pidesco, de pequenos tiranetes e de professores deseducados); e o impensado modelo de mega-agrupamentos ampliou tudo o que foi dito.


Em suma, nenhuma profissão pode ser avaliada no modelo aplicado aos professores.


De resto, estabeleceu-se um silêncio fatal sobre uma organização que "adoeceu os professores" e que os mergulhou num tríptico de "fuga", cansaço e revolta contida. Até quem experimentou o exercício, identificou de imediato o clima arbitrário e o monstro burocrático. E repita-se: desde que há escolas que os professores devem estar sempre preparados para a prestação de duas contas: como gerem o programa da disciplina que leccionam e como avaliam os alunos. Contudo, e por influência dos graduados em desconfiança, aplicou-se aos professores uma espécie de inversão do ónus da prova que explica a insanidade burocrática através do registo, infernal e inútil, de todos os passos em actas, relatórios, notas, pareceres ou plataformas digitais. Os resultados trágicos de tudo isto estão, finalmente e naturalmente, bem visíveis. Só surpreendem a tal casta governativa, ramificada pelo território, que criou uma bolha ilusória, alimentada nas escolas da situação, que assegurava que o bom seria governar sem os incompreensíveis professores.


 

segunda-feira, 9 de janeiro de 2023

Das Escusas

Post publicado em 28 de Novembro de 2012.


Dez anos depois, nada mudou. Agravou-se porque as progressões na carreira estão sujeitas a cotas e vagas.


Escrevi assim:


A avaliação de professores entrou no desmiolo conhecido. Já cansa mesmo. A única informação relevante é sobre o pedido de escusa por parte dos possíveis avaliadores. Concordo e ponto final.


Só faltava termos os sindicatos a pugnarem pela consideração das aulas observadas no desmiolo anterior e na enésima simplificação do inclassificável. É a tradicional resposta no universo-alpaca: contra minutas luta-se com minutas.