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Os meus textos e os meus vídeos
domingo, 11 de janeiro de 2026
sábado, 10 de janeiro de 2026
sábado, 25 de outubro de 2025
REALMENTE, Ó PÁ, QUEM NUNCA SE SENTIU UM ASTÉRIX NA LUSITÂNIA, Ó PÁ
REALMENTE, Ó PÁ, QUEM NUNCA SE SENTIU UM ASTÉRIX NA LUSITÂNIA, Ó PÁ
(página 24)
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quinta-feira, 23 de outubro de 2025
domingo, 5 de outubro de 2025
"Nascer nas colónias é nascer desenraizado", em "A ultima lição de José Gil" por Marta Pais Oliveira (2025)
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Pelo blogue em 5 de Outubro de 2025, dia da Implantação da República e dia do professor.
Título: "Nascer nas colónias é nascer desenraizado", em "A ultima lição de José Gil" por Marta Pais Oliveira (2025)
Texto:
É muito interessante "A ultima lição de José Gil", de Marta Pais Oliveira (2025). Além de tudo, foi um reencontro com as minhas matrizes. O filósofo também nasceu em Moçambique, em Quelimane, frequentou, apesar de vinte anos antes, o mesmo Liceu Salazar (na então Lourenço Marques, onde nasci e cresci) e tem circunstâncias curiosas. Resumo algumas passagens num dia de feriado nacional da implantação da República e de dia do professor:
Lê-se na página 16: "o meu pai emigrou(...)nós resultámos dessa espécie de duplicação de um desenraizamento. Nascer nas colónias é nascer desenraizado, primeira coisa. E isto é um duplo desenraizamento." E na página 22: "não pude suportar aqueles gritos, abri a porta e os meus pais gritaram para não sair. Corro e vejo um negro deitado no chão, amarrado pelos punhos, de braços e pernas abertas, a ser batido com uma palmatória nas mãos e nos pés por um administrador sádico. Isso pôs definitivamente uma parte de mim do lado da justiça. Quer dizer, não suportar a violência da injustiça. É um primeiro momento de tomada de consciência do regime colonial". E na página 33: "como aceitar isso sem pôr questões(...)as fraturas - mandar em criados velhos negros, ter o direito de mandar -, é uma coisa que a criança não pode admitir, a menos que seja levada a fazê-lo por uma espécie de interiorização da norma(...)e não se fala disso". E na página 36: "se eu pensar nessa matriz do que vivi em Moçambique: o sentimento da injustiça(...)uma inclinação imediata para estar do lado dos oprimidos. Para ter horror à arrogância e à estupidez dos que têm poder. Insuportável, para mim. Hoje, sempre. Nunca deixei de ser assim. E a importância da literatura, da escrita. Foi isso que retirei de Quelimane. Um sentimento da terrível impossibilidade de existir como colono a viver estas forças contraditórias."
No meu caso, só percebi verdadeiramente o desenraizamento ao viver na Europa depois da descolonização e da independência de Moçambique. A partir daí, senti-me ainda mais um cidadão do mundo, com uma rejeição absoluta da injustiça, que pauta a cidadania e a profissionalidade por esses valores. Acima de tudo, gosto de pessoas e nunca abdico das políticas de inclusão. Apesar de naturalmente gostar de territórios e das suas especificidades, o que gosto, e no sentido que mais importa, é de humanos; e não me surpreendem as críticas veementes às declamações políticas de paixão pelo "nosso" espaço, pelas "nossas" pessoas ou pelos do "nosso" partido (a história comprova a sua génese demagógica). De facto, não há humanos proprietários do bem comum. O espaço é universal, os humanos são finitos e rejeita-se absolutamente o ódio aos mais fracos e a prevalência do mal.
E a propósito de tudo isto, do feriado e do dia do professor, lembrei-me deste pequeno texto que escrevi para o blogue em 26.10.2012
"Tinha uns 12 anos e viajava com o meu pai numa estrada moçambicana fora dos centros urbanos. Estava um dia muito quente. Parámos numa "cantina" - áreas de serviço que eram, em regra, propriedade de comerciantes portugueses imbuídos do espírito colonial (os metrópoles) - e deparámos com uma dezena de homens negros, bem suados e em tronco nu, à volta de uma mesa com uma bazuca - cerveja de litro e meio - no centro. O filho do comerciante, com uma idade igual à minha, atirava-lhes pão e repetia: "hoje é dia de festa".
O meu pai esteve em silêncio e à saída não se conteve: "serão os primeiros". Lá me explicou o que é que queria dizer com o desabafo. Anos depois, a revolta "legitimou" a tragédia. As áreas de serviço arderam, e, em muitos casos, com os comerciantes lá dentro. Foi também assim noutros capítulos dessa revolução. A cor da pele era o primeiro critério implosivo para humilhações acumuladas durante séculos.
As sociedades actuais não se devem considerar livres da ontogénese da humilhação. O bodo aos pobres deixa marcas. Os pobres não têm vergonha (a condição não o permite, sequer) de se socorrem do que existe para afagarem a fome. É certo que o fazem, como também é de saber filogenético que um dia manifestarão em implosão social as sucessivas humilhações."
quinta-feira, 3 de abril de 2025
terça-feira, 7 de janeiro de 2025
sexta-feira, 20 de setembro de 2024
sábado, 14 de setembro de 2024
quarta-feira, 4 de setembro de 2024
domingo, 25 de agosto de 2024
Soltas (1)
"Por que foi que cegámos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem."
José Saramago
Ensaio sobre a Cegueira
página 31
a última página do romance.
segunda-feira, 19 de agosto de 2024
quinta-feira, 15 de agosto de 2024
quinta-feira, 25 de julho de 2024
quinta-feira, 30 de maio de 2024
quarta-feira, 6 de março de 2024
É a história de um velho e pobre pescador
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É a história de um velho e pobre pescador que tinha uma forte amizade com um rapaz. Há muito que não conseguia pescar. Certo dia, pescou o maior peixe da sua vida. Mas como não conseguiu impedir o furioso ataque de esfomeados tubarões, voltou a terra apenas com o esqueleto do enorme espadarte.
"- Que tens para comer? perguntou o rapaz.
- Um tacho de arroz de peixe. Queres? perguntou o velho.
- Não. Como em casa. Queres que eu acenda o lume?
- Não. Acendo-o eu depois. Ou como o arroz frio.
- Posso levar a rede?
- Claro que podes.Não havia rede, o rapaz lembrava-se de quando a tinham vendido, mas todos os dias representavam esta cena. Também não havia tacho de arroz, o que o rapaz também sabia."
Nota: do romance "O Velho e o Mar" (The old man and the sea), de Ernest Hemingway (1952). Li-o pela primeira vez na adolescência, na época do "Moby Dick", de Herman Melville - o autor do também fascinante Bartleby -.
sexta-feira, 1 de março de 2024
Viaje
"Viaje segundo um seu projecto, dê mínimos ouvidos à facilidade dos itinerários cómodos e de rasto pisado, aceite enganar-se na estrada e voltar atrás, ou pelo contrário, persevere até inventar saídas desacostumadas para o mundo"
José Saramago,
Viagem a Portugal (Apresentação)
Imagem: Cervo.
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terça-feira, 20 de fevereiro de 2024
Como esvaziar os Ku Klux Klan´s desta vida (2)
Steven Levitt é muito considerado no âmbito das ciências económicas norte-americanas. O seu livro Freakonomics (2006) faz perguntas poucoacadémicas e obtém resultados surpreendentes. Achei muito interessante a história que motivou o descrédito da organização Ku Klux Klan.
Stetson Kennedy, um lutador pelos direitos cívicos, infiltrou-se, a meio da década de 1940, no Ku Klux Klan para o estudar. Nessa época, "todas" as crianças viam na televisão, antes do jantar, o Super-homem a combater Hitler e Mussolini. Stetson Kennedy convenceu os responsáveis pelo programa a centrar o combate no Ku Klux Klan. E como tinha atingido a assembleia suprema da organização, passou aos programadores a terminologia da sociedade secreta incluindo as senhas e as contra-senhas. Foi a desmobilização acelerada. Imagina-se o efeito sobre os membros da organização que chegavam a casa e viam as crianças a brincar aos polícias e ladrões com a utilização da verdadeira nomenclatura dos Klan. E para além do óbvio, recorde-se que eram organizações masculinas em que os membros aproveitavam as reuniões para passarem umas noites fora de casa.
Steven Levitt agarra nesta história a propósito dos efeitos da sociedade da informação na economia. Tem outras histórias curiosas e bem fundamentadas. Até se imagina a necessidade de receitas semelhantes para a desintoxicação das sociedades actuais.
Publiquei este post pela primeira vez em 5 de Outubro de 2006.
segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024
Do homem médio (2)
Contactei a primeira vez com a formulação em título nos conselhos, sensatos para aquele contexto, diga-se, para sobreviver nos comandos: não te distingas, sê discreto e passa o mais possível despercebido. Vem isto a propósito dos especialistas que aconselham a enésima reforma de sentido único do estado social e para a conversão à absolutização da estatística.
A sugestão para o tempo militar não subscreveu os modelos do tipo BPN ou BES. Nem as instâncias internacionais de supervisão detectaram milhares de milhões em fuga porque só tiveram olhos para a média; para o homem médio.
Para Quételet "(...)o homem médio é para a nação o que o centro gravidade é para um corpo(...)". Há quem entenda que se deve levar muito a sério esta metáfora. O homem médio pode resumir todas as forças vivas de um país, coligando-as numa espécie de massa única.
Os modelos assentes na obstinação estatística, e que socorreram a troika, advogam uma excelência da média como tal, seja na ordem do bem ou do belo: "(...)O mais belo dos rostos é aquele que se obtém ao tomar a média dos traços da totalidade de uma população, do mesmo modo que a conduta mais sábia é aquela que melhor se aproxima do conjunto de comportamentos do homem médio(...)", disse ainda Quételet quando reflectia sobre a génese dos totalitarismos. Ou seja, é fundamental que as políticas olhem mesmo para além da média antes que esta se desloque para o extremo de mais baixos rendimentos.
terça-feira, 30 de janeiro de 2024
Pessoas não são alfinetes
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A propósito da seguinte passagem no meu último texto no Público, - "eliminação da valoração de escolas e professores baseada no absurdo dos resultados dos grupos de alunos deverem melhorar todos os anos" -, um comentador interessado discordou e pediu-me uma explicação.
Disse-lhe mais ou menos isto: imagine um professor que tem uma turma de 9º ano. Por que razão é que essa turma tem que ter uma média de resultados superior a outra do mesmo ano que leccionou no ano anterior e assim sucessivamente? Pense um bocado. E isso aplica-se à valoração de escolas e por aí fora. Imagino que deve ser difícil perceber, com um raciocínio simples, os equívocos dos fundamentos de toda uma tragédia.
Acrescentei: as turmas são todas diferentes, até do mesmo ano de escolaridade; e há tantas variáveis a influenciar climas, aprendizagens e resultados, que é por isso que é tão difícil e complexo avaliar o desempenho dos professores. O que existe em Portugal é uma aberração só possível na caricatura de uma social-democracia. A média das classificações que um professor atribui a uma turma, ou a várias do mesmo ano de escolaridade, não tem que subir todos os anos. Até pode descer. A lógica da avaliação na economia e na gestão empresarial (subidas do crescimento económico e dos lucros) foi aplicada tragicamente à educação. Até o pai do liberalismo, Adam Smith (2010:80), em Riqueza das Nações, F. C. Gulbenkian, alertou "que pessoas não são alfinetes".
E lembrei-me de Jorge de Sena e da frase que colei na imagem.
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O discurso, em Davos, de Mark Carney, PM do Canadá, é corajoso. O texto - a prosa é mesmo sua e publico a tradução como recebi por email de...
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O cartoon "One year of Trump" é de Gatis Sluka. Encontrei-o na internet sem restriçoes de publicação. Sabemos que o centro de gr...
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O Correntes mudou de casa. A nova morada é em https://correntesprudencio.blogspot.com/ A mudança da SAPO para o Blogspot deve-se ao encerr...