Já, por aqui, dei nota do meu fascínio pelo cinema iraniano, nomeadamente pela obra de Abbas Kiarostami.
Sei que o cinema não retrata com rigor a atmosfera que se vive num país. Mas através do cinema de Kiarostami, aprendi a conhecer melhor alguns aspectos da vida no Irão.
Fui sempre surpreendido e constatei a universalidade da condição humana. Deparei com muitas semelhanças com a situação que se vive nas sociedades ocidentais.
Agora, o cinema ocidental espanta-se com Presépolis. Com direcção de Vincent Parannaud e de Marjorie Satrapi, que assina a realização, o Irão surpreende-nos com um filme de desenhos animados. É a história de uma miúda iraniana - a história autobiográfica de Marjane Satrapi - de nove anos, muito inteligente e que sonhava ser profetisa. A sua ousadia transforma-se num problema e a rapariga acaba por ter de deixar o Irão. Filha de pais cultos e sensíveis, cresce durante a Revolução Islâmica, mas vai viver para a Áustria para "sobreviver" ao regime ultraconservador de seu país.
Um lado do Irão que importa conhecer. Principalmente, quando se teme que o descontrole de uns poucos resulte em mais um massacre de milhões de inocentes. A imperativa força do conhecimento.
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