domingo, 28 de setembro de 2008

estupefacção

 


 


Fico estupefacto com o que vou lendo à volta da distribuição de casas camarárias na capital do país.


 


 


Estava muito longe de imaginar que a atribuição de casas camarárias em Lisboa obedecia a um verdadeiro regabofe. A sério que estava. Para além de não existir um registo rigoroso que identifique o número de habitações existentes, os critérios de atribuição têm sido aterradores: vereadores, antigos e actuais, artistas, jornalistas, eu sei lá, gente que habita casas de 4 e 5 assoalhadas a preços de aluguer irrisórios. Nem queria acreditar. Li, pela voz de um artista muito conhecido, que a situação assemelha-se, naturalmente e segundo ele, ao que acontece na maioria das capitais europeias. E ouço dizer que a capital apenas confirma a regra do país.


 

É chocante. Será que têm os seus educandos em escolas privadas e que dispõem de créditos bancários para casas de férias? 

 


 


Há tempos, escrevi, e publiquei, um texto sobre a indignação da vereadora da educação da câmara de Lisboa com o estado degradante das instalações das escolas públicas da capital: advoguei uma ideia que responsabiliza muitos dos decisores políticos, nomeadamente com o facto da grande maioria dos políticos que residem na capital terem os seus educandos em escolas privadas e de não confiarem nada na generosidade do serviço que os escolarizou: o público. E que, por isso, a inexistência de pressão por parte deste grupo de pessoas para que as obras se fizessem, levou ao estado lastimoso que se conhece. Não deveria ser assim, mas é.


 


 


O que é isto? Que país é este? Definitivamente, não conheço lá muito bem as gentes que o habitam. 

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