quarta-feira, 17 de setembro de 2008

nacionalizações? sim. quem diria...

 


 


 







E eis que começa a desmoronar-se um conjunto de colossos da indústria financeira. Parece que o célebre efeito dominó começa a revelar, na actualidade, contornos preocupantes.
Encontrei um pequeno texto que diz - peço desculpa, mas desconheço o autor -:
"Os efeitos da crise financeira em curso na actividade dos bancos europeus vão prolongar-se até 2010 e traduzir-se-ão num abrandamento da concessão de crédito e na queda do valor das hipotecas. Esta é a principal conclusão de um estudo cuja pré-publicação foi divulgada ontem e que contabiliza em 120 mil milhões as perdas totais na actividade de retalho durante os próximos três anos. Os mercados de Espanha, Irlanda e Reino Unido serão os mais atingidos.

As perdas que os bancos irão sofrer nos créditos e nas hipotecas atingirão os 34,7 mil milhões de euros até ao final deste ano e acelerarão para os 42,5 mil milhões em 2009, de acordo com os dados apurados pela consultora de gestão Oliver Wyman e pelo grupo de serviços de gestão de crédito Intrum Justitia."



 


E é assim. Nem os magos da gestão têm explicação para o fenómeno. Para ganhar toneladas de dinheiro confia-se no mercado, mas para perder dinheiro que se perca o dos outros - os que confiaram em nós - e a coisa pública que resolva o problema.



 

Pedro Castro escreve o seguinte comentário: 

 



A Europa e os Estados Unidos irão defrontar uma grave crise finaceira cujos contornos ainda se desconhecem.

Ns Estados Unidos o Secretário de Estado do Tesouro, Hank Paulson implementou um plano de emergência a fim de salvar a Fannie Mae e a Freddie Mark, duas das maiores instituições de crédito hipotecário americano, que não conseguem cobrar dívidas no valor de 5.2 biliões (notação portuguesa) de dólares. Sem esta intervenção do Governo Federal, o colapso da Fannie e do Freddie seria inevitável, resultando uma catástrofe na economia mundial com efeitos impresíveis.

Temos, assim, um dos Estados mais liberais do mundo a usar o intervencionismo para salvar as empresas.

Estamos perante uma contradição dos estados capitalistas liberais: não intervir enquanto a empresa dá lucros, dar uma “mãozinha” ou mesmo nacionalizar quando estas instituições entram em falência.

Nos Estados Unidos os média comentam o Secretário de Estado do Tesouro com esta frase irónica: ” Mark to market, or market to Marx”

2 comentários:

  1. "A coisa pública que resolva o problema". Precisamente. Para quem acenou a vitória sobre o marxismo, reveja o que aprendeu nos livros do alemão barbudo, nomeadamente em matéria de mais-valia e superstrutura. Já agora, o Estado que injecta biliões é o mesmo Estado que os vai ter de pagar. Acalmar os mercados - indomáveis até à irresponsabilidade - não se faz por medidas de salvação imediata. A hecatombe espreita. Novos paradigmas económicos demorarão a aparecer. Os novos protagonistas espreitam. É tão irónico - e consabido - que seja Marx a pagar as contas do Adam Smith.

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  2. Fizeste-me rir. É isso mesmo. O marx a pagar as contas do adam smith. E agora? Injecta-se mais dinheiro e esfrega-se as mãos: há mais dinheiro fresco para cobiçar e as bolsas lá disparam no dia seguinte. Até que... deus nos proteja. Tríade infalível. Abraço.

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