domingo, 12 de outubro de 2008

accountability a 15 de novembro de 2008

 


 


 


 


 


Tudo indica que o dia 15 de Novembro de 2008 vai ficar marcado, para os professores portugueses, por mais um momento de catarse e de grito. E, claro, lutarão sem tibiezas, e porque é justo, até que haja uma mudança significativa de políticas.


 


Grito contra a inexequiblidade de um modelo de avaliação de desempenho que, por ser demasiado incompetente (e também despesista, veja-se lá), cria brutais injustiças. Entre tantas linhas que já escrevi sobre o assunto, quero reforçar a ideia que levou à reforma antecipada de milhares de professores com penalizações até aqui impensáveis; não poderão voltar atrás e ficam, de modo irreversível, julgo eu, com a sua conta do famigerado "accountability".


 


Pois é: este palavrão - responsabilização ou prestação de contas -, que os mais "modernos" não se cansavam de repetir, gastou-se num ápice.


 



  • Quem não se lembra dos inúmeros momentos mediáticos em que os especialistas mais variados repisavam a palavra-chave?

  • Quem não se lembra da ideia esmagadora que conferia aos professores portugueses o privilégio de vida em roda livre e sem "accountability"?

  • Quem não se lembra dos arautos do modelo de avaliação do desempenho que, e no meio de tanta prosápia, e para convenceram os ignores, já tinham baptizado o monstro com um valor até aí desconhecido: "accountability"?

  • Quem não se lembra?


 


Assistimos nos últimos anos a uma transferência brutal de recursos financeiros da classe média para os altos negócios. Associada a essa panaceia de controle das despesas, introduziram-se mecanismos de má, asfixiante e férrea burocracia sobre grandes grupos profissionais (em Portugal, os professores portugueses foram o grupo eleito). Ou seja, sem o "accountability" desses profissionais não haveria paz na terra e felicidade para todos.



  • E agora?


Agora, até podemos inverter o sentido do "accountability", devolvendo-o aos que nos deram tantas lições na matéria. Perguntemo-lhes então:



  • Onde está o "accountability" de quem promoveu e apoiou o monstruoso modelo de avaliação de desempenho dos professores portugueses?

  • Onde está o "accountability" dos lucros privados?


Há uma resposta que não aceitamos: são os grandes grupos profissionais da classe média que terão o "accountability" de contribuir para a nacionalização dos prejuízos.


 


A 15 de Novembro de 2008, e tudo me indica que sim, repito, os professores portugueses vão reiniciar a sua verdadeira prestação de contas, sem nunca esquecerem o seguinte:


 


em rede com a sua avaliação está um sem número de ideias congéneres que se iniciaram noutro desígnio: por mais que os governantes portugueses teimem, consciente ou inconscientemente - qualquer dos estados de alma é descomunal - em afirmar o contrário, instituiu-se, passo a passo, degrau a degrau, a ideia do derrube da escola pública de qualidade, fundando um ensino privado para os ricos - privatização dos lucros - e uma escola estatal massificada para os pobres - nacionalização dos prejuízos -.


 


 


Vamos a isso companheiros.


 


(Claro, está bem, pronto. Companheiras e companheiros).



 


 


 

11 comentários:

  1. Eh pá, obrigado.

    Nem tinha reparado.

    Vamos a isso companheiros.

    (Ok, está bem, claro. Companheiras e companheiros).

    Aquele abraço.

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  2. Tema de grande actualidade. Excelente comparação com o que se passa na PROFISSÃO. Vamos prestar contas e pedir contas, também. Vamos a isso sim, companheiro!

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  3. Huummm. Ser querer ser repetitivo, se o pessoal do norte começa a andar por aqui e a comentar...

    Abraço ou beijo.

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  4. Vamos mesmo companheiro.

    A. Caetano

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  5. Força aí companheiro. Sabes bem o que são injustiças brutais. Já tens a tua conta de accountability.

    Abraço.

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  6. Quanto a mim acho que a ideia é boa, peca por tardia e por como sempre em todas as grandes reformas, tocar apenas a quem convem aos senhores grandes, pode estar mal formulada isso não sei não tenho profundo conhecimento na materia, mas é presiso que todas as classes sociais e profissionais sejam avaliadas convenientemente pelos serviços que prestam há sociedade

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  7. ... e as vezes que forem necessárias :) Bj.

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  8. Olá Nuno.

    Mas que bom ver por aqui um antigo aluno da nossa escola. Isso vai?

    Vi que percebeste o assunto quando dizes: "pode estar mal formulada isso não sei não tenho profundo conhecimento na materia".

    É só isso Nuno. Ultrapassando a questão de se ser ou não avaliado, os professores estão muito habituados a sê-lo, o modelo está mal formulado.

    Para perceberes melhor vou dar-te um exemplo: nos primeiros dias de aulas os alunos acabam por preencher mais de uma dezena de impressos, normalmente um por disciplina, com os dados biográficos: se pensarmos um bocado, isso deveria e podia ser evitado e os alunos não devem gostar muito de o fazer, certo?

    Agora imagina que todos os dias e em todas as disciplinas tinhas de preencher uma ficha sempre igual onde qualificavas um série interminável de comportamentos (do tipo: estive atento; trouxe o material; fiz o tpc; e não deve ser em sim ou não: deve ter uma redacção diferente para cada patamar da escala), que podia variar entre os 320 e os 400. Que me dizes? Ao fim de uns anos serias exímio a colocar cruzes em papéis mas não sabias fazer mais nada. Certo? Pois é, os professores querem ensinar, querem ter tempo para preparar as aulas e querem ser avaliados por isso.

    Assim de repente, acho que deu não só para perceberes mas também para passares a informação que considerares justa. Se continuares a não entender, eu continuo aqui.

    Ainda tens blogue? :) Esse filemaker vai?

    Aquele abraço e aparece sempre. E continua a colocar questões muito interessantes. Muito obrigado Nuno.

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  9. Ok! Estou disposto a fazer a minha acountability. Decerto, isso enolverá outros a quem poderei sempre pedir contas. As grelhas são gralhas que não me servem, não servem para dizer o que tenho to account, desde logo porque não sei o que é cada parâmetro: par uns "muito bem" será o "satisfatório" de outros e aqui temos pano para mangas em joguinhos e manipulações. A minha accountability só se faz nos locais próprios com os envolvidos: membros dos Conselhos de Turma, colegas da disciplina, professores do Departamento, com quem quer que questione a minha prática ou seja afectado por ela.

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  10. "as grelhas são as gralhas que não me servem" - subscrevo em absoluto. Que coisa mais intragável, Também por isso a completa inexequibilidade do monstro. Abraço.

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