Ao contrário do actual presidente da Câmara de Lisboa, e segundo o que acabo de ouvir no programa "a quadratura do círculo" onde António Costa é residente, não considero a blogosfera um sub-mundo nem "essa coisa". Enfim, opiniões e estados de alma.
Estamos à espera do debate entre os candidatos a vice-presidente nos Estados Unidos. Vai daí, fiz uma passagem por blogues de referência. Paulo Guinote assina um deles.
Tinha acabado de fazer uma entrada onde me justificava para o facto de não ter como ideia inicial colar com frequência, por aqui, textos não escritos por mim. Mas não resisto a fazê-lo de novo.
Paulo Guinote tem, e para quem se interessa e conhece bem as questões da avaliação do desempenho de professores, um texto cheio de pertinência e de humor.
Ora leia.
"É verdade.
É triste, mas é verdade.
Adesivei.
Agora quem me tira uma vírgula ao DR 2/2008 tira-me um pedaço da alma. Quero objectivos individuais definidos a preceito, em reuniões individuais com o(a)s avaliadore(a)s feitas em moldes formalmente irrepreensíveis.
Quero planificar tudo e ser grelhado por tudo e nada.
Quero as minhas 5 aulas assistidas - e não as 3 que já andam a querer fazer passar por aí como suficientes para este ano - a que tenho direito. Do primeiro ao último minuto.
Quero discutir a minha avaliação. Quero todo o mais pequeno papelinho preenchido para encher um ubérrimo porta-folhas e uma pen de razoável capacidade.
Quero ajudar a demonstrar que o DR 2/2008 instituiu um modelo de avaliação do desempenho docente perfeitamente exequível, nada burocrático ou paralisante do regular funcionamento das escolas, transparente e equitativo.
Não quero simplificações. Sentir-me-ia pessoal e profissionalmente atingido se desvirtuassem o mais pequeno pormenor do pimeiro sistema de avaliação dos docentes que existiu em Portugal desde os alvores dos tempos da portugalidade.
Não quero recomendações que alertem para erros, bloqueios ou equívocos do DR 2/2008, a minha nova Bíblia, de leitura quotidiana e repetida antes de adormecer, cujo articulado já quase consigo recitar com o mesmo fervor com que um fundamentalista islâmico consegue recitar as suras do Corão.
Se pelo caminho se derem baixas, esgotamentos, depressões, irritações, malfunções, discussões e outras abrasões, isso apenas significa que o modelo está a cumprir o seu dever mais nobre e alto de fazer a selecção entre os verdadeiros excelentes ou muito bons professores e os meramente bons ou vergonhosamente regulares, não esquecendo os outros que nem é bom nomear.
Quero, pois, a minha avaliação, tal como os Dire Straits queriam a sua MTV.
Sem as facilidades que o nosso preclaro Primeiro-Ministro acusou ser prática corrente do quotidiano dos professores até ele ter tomado conta das rédeas da Nação.
Só assim poderemos provar que tudo esteve bem desde o início deste processo e que os pessimistas de serviço e aqueles que têm medo de ser avaliados é que estavam errados."
É humor negro, mas é.
ResponderEliminarPor isso o meu apesar. Mas é uma pérola. Só espero que os meus colegas de departamento, que passam por aqui, não comecem a ter ideias... :) Emigro. Não, não emigro. Isto cai. E porquê? É inexequível, com já repetimos tantas vezes que já enjoa:
ResponderEliminarI n e x e q u í v e l .
Abraço.
Lindo, mesmo.
ResponderEliminarSó não vejo a hora desta tourada acabar!
Quero ter tempo para trabalhar com os meus alunos, pois a melhor avaliação é a que eles me fazem.
Bjo
Esperança, minha amiga.
ResponderEliminarBJ