terça-feira, 14 de outubro de 2008

o eduquês é a letra dos entendimentos

 


 


Sou sindicalizado desde sempre e não tenciono cortar essa ligação, pelo menos para já. Mas não há mais paciência para certas coisas. Inenarrável. Imaginem a balbúrdia que seria se alguém pusesse esta coisa - qual? o texto que vai ler daqui a um bocado - em prática e a frequência de reuniões de agenda repetida que esta coisa exigia. Esta gente ensandeceu e nem deve ter percebido que a sociedade é a da informação, do conhecimento e da democracia. Ou então, sabe-se lá: fogem a sete pés da escola e do exercício nobre de se ser professor. Não vou estar com meias palavras: incompetência, ignorância e um grande atrevimento - será que estas pessoas imaginam sequer os sistemas de informação que muitas escolas utilizam para a sua organização? e será que estas pessoas têm alguma ideia sobre autonomia e responsabilidade? -.


 


É caso para dizer: em eduquês nos entendemos, ou seja, um contributo para se perceber os entendimentos que se assinam.


 


 



Proposta alternativa de avaliação de desempenho elaborada pelo Grupo de Trabalho do SPGL:

"O docente deve actualizar o seu portefólio todas as semanas, incluir nele tudo o que considerar significativo no seu percurso o que não significa incluir todos os materiais e documentos produzidos. Deve acompanhar os elementos inclusos das respectivas reflexões que deverão ser pertinentes mas breves. A construção deste instrumento quer-se reflexiva e progressiva. 

O processo de elaboração do PRADD deve ser acompanhado e partilhado por todos os elementos de um departamento ou conselho de docentes que reunirão expressamente para o efeito (de acompanhamento/regulação) sempre que necessário e pelo menos uma vez por trimestre.

Proposta de menção:

Em final de escalão, o docente avaliado elabora proposta de menção fundamentada que inclui no PRADD e faz debate com o respectivo departamento/conselho de docentes no sentido deste elaborar o seu parecer.

O parecer do departamento/conselho de docentes acompanhará, sempre, a proposta do docente seja favorável ou não.

O parecer do departamento/conselho de docentes deve ser considerado pelo docente e pode levá-lo a alterar a sua proposta mas não é vinculativo podendo o professor assumir a sua proposta individualmente e fazê-la chegar à C.C.A.D.D. Em todo o caso, a proposta do docente é sempre acompanhada do parecer do departamento/conselho de docentes.

Cabe à C.C.A.D.D. o veredicto final, aceitando ou alterando por excesso ou defeito, de forma fundamentada, a proposta do docente."

8 comentários:

  1. Isto anda tudo doido, mas mais doido andei eu que ericei as orelhas ao saber que o sindicato preparava uma contra-proposta. Quando a li no outro dia nem queria acreditar que era essa a tão propalada proposta e desmanchei-me a rir sozinho. Imaginas pois o gáudio de ler este teu post. Por que raio não se me apaga da cara esta vontade incontrolável de me rir das coisas sérias, se a minha mãe se esforçou tanto para evitar isso? (desculpa, mãe... mas é que... desculpa...).

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  2. É mesmo isso. Acabei agora de passar pelo postal e li o real. Tenho um post escrito que será publicado dentro de dias - senão fico sem matéria e isto cansa - que tem como título: "e no princípio de tudo..." Partilho da maioria das questões que ali colocas, e ainda hoje, na escola, referi um dos principais embustes deste monstro: a credibilidade dos avaliadores e essa coisa dos titulares. E quando digo a maioria das questões, digo, apenas, o mesmo mas de outro modo: a formação contínua de professores em Portugal nunca existiu: não existe a mais ténue ligação das universidades ao que se faz todos os dias nas escolas. Por outro lado, desvalorizámos, desde sempre, o exercício de funções nas escolas: lembro-me de, ainda jovem, ser colocado numa escola e ser o delegado de grupo: tinham deixado o cargo para o último horário. Tudo isto misturado com as formações acrescidas sem rumo e sem critério, descredibilizou as 2 coisas: há gente com muito cargos exercidos que ninguém considera e há gente cheia de formações acrescidas, que se entreteve a receber o salário e dar péssimos exemplos de profissionalismo, que também é desconsiderado. Resultado: há milhões de vozes que contestam os critérios que levou alguns a serem titulares e não ouves uma única voz em defesa dos critérios do concurso. Como ultrapassar isto? Tenho algumas ideias mas o percurso tem tanto de longo como de metas inantigíveis. Pessimismo? Sei lá. Abraço.

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  3. Absolutamente. Um ponto que não refiro no texto do postal e que merece outro tempo é o de não fazer qualquer sentido que uma avaliação não tenha quaisquer repercussões ao nível da gestão de recurso humanos e que não exista uma única palavra que perspective apoio pedagógico aos professores que fraquejem nos resultados dessa avaliação. O que lhes acontece é nada: simplesmente não avançam na carreira, ficam a ganhar o mesmo, e pior do que tudo podem alegre ou resmungadamente continuar a fazer exactamente o mesmo de sempre. Mal. Para o melhor e para o pior: uma escola não é uma empresa. alunos? quais alunos?

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  4. Essa então! Quem está no 7º escalão, e são milhares, se estiver numa escola com titulares ainda relativamente jovens, nunca mais sai dali. Já escrevi muito sobre isso. Sabes Rui: ou me engano muito ou o balão começou a encher de novo; só que agora, ou me engano muito, pode mesmo rebentar.

    Tenho a mais profunda tristeza. Sei que acreditas nisso.

    Abraço.

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  5. Claro que acredito nisso. Sei que dedicas desde sempre a tua energia ao que de melhor se pode fazer tanto numa escola como numa comunidade. O exemplo que dás é de pura excelência. A tua "tristeza" ocorre apenas pela elevação do teu indestrutível sentido ético. É isso que faz de ti um profissional distinto, livre e referencial.

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  6. Paulo,
    Tens a certeza de que o texto supracitado será a base de trabalho da proposta a apresentar aos professores pela FENPROF?
    Se me permite um conselho avisado: atenção à contra informação :)

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  7. Olá Miguel.

    O texto foi-me enviado por mail. Pelo que percebi, encontraram-no num espaço dedicado ao referido grupo de trabalho.

    Uns dias depois saiu a proposta do SPGL para a avaliação. Li-a e fiz, a pedido o seguinte comentário: ser justo: Olá.

    Acabei de ler a última versão da proposta do sindicato. Requer uma análise mais detalhada.

    Mas, e assim de repente, é muito mais sensata. Nada tem a ver com a proposta que andou por aí. Também, e para ser justo, me tinham dito que ia ser assim.

    Abraço do Paulo Prudêncio.

    Claro que sei alguma coisa sobre isso da contra-informação :) Mas é sempre bom estarmos avisados.

    E escrevi mais, em contra-resposta, umas coisas que te podem interessar mas vão para o mail.

    Abraço e força aí.

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