terça-feira, 25 de novembro de 2008

babel

 


 



 


(imagem de uma obra de Niki Saint Phalle)


 


 


 


Assisti, ontem, dia 24 de Novembro de 2008, a mais uma grande produção televisiva, o programa de grande informação "prós e contras", sobre um dos temas do momento mediático: o falido modelo de avaliação do desempenho dos professores, uma espécie de "subpráime" das políticas educativas apressadas e polémicas, no mínimo, claro, (porque algumas provocaram mesmo brutais injustiças) de que o actual governo é mentor.


 


É já uma coisa quase descomunal esta teimosia, ia escrever patologia, governamental em continuar a considerar  a possibilidade de seguir em a frente com esta doença. O problema arrasta-se e alguns dos detalhes do modelo já originaram, pasme-se, um conselho de ministro extraordinário. Rapidamente se concluiu que as três ou quatro ideias de tipo salvífico da coisa em nada resultaram e que se destinam, até, a aumentar o ruído ensurdecedor em que está mergulhada a escola pública portuguesa.


 


O tempo mediático é o que é, e estes programas acabam por frustrar os intervenientes e os seus apoiantes: os estruturais e os conjunturais. Procura-se aqui e ali a frase chave e enaltecesse-se a capacidade dos que conseguem desferir o golpe certeiro nos opositores, muitas vezes, apenas de circunstância. Veja-se, como exemplo, a satisfação dos professores com a prestação do presidente da confederação das associações de pais.


 


O senhor limitou-se a constatar o óbvio: "este modelo de avaliação está parado a todos os níveis". Como se sabe isso é muito pouco e, neste caso, parece-me apenas uma táctica de sobrevivência e um sinal daquela esperteza sobejamente conhecida: saltar do barco antes que ele se afunde e salvar as minhas medalhas mais emblemáticas: escola a tempo inteiro e gestão escolar.


 


A intervenção que me mereceu maior atenção foi a de Maria do Céu Roldão. A senhora professora teve o cuidado de pedir duas coisas: para que a ouvissem e que lhe dessem tempo.


 


Foi a única interveniente que se referiu ao modelo de um modo que revelou um conhecimento bem estruturado. E da sua intervenção ficaram claros dois aspectos: o muro de invenções técnico-pedagógicas em que se transformou o ministério da Educação carece de uma "implosão" e o modelo de avaliação do desempenho é, não só, inexequível como contém uma ideia de escola e do exercício do professor que está na génese de todo este conjunto de políticas educativas que pode ter efeitos devastadores para a escola pública.


 


Já escrevi muito sobre estes assuntos (quer sobre o muro de invenções técnico-pedagógicas que asfixiam o ensino em Portugal, quer sobre o estafado modelo de avaliação, o que pode ser encontrado noutras entradas deste blogue) mas quero polemizar, novamente, as duas questões que Maria do Céu Roldão fez tanta questão que se ouvisse com atenção:


 



  • Nem me atrevo sequer a discutir o seu vasto currículo como formadora. A minha experiência nessa área resume-se às insignificantes trocas cooperativas informais. Mas há uma aspecto que importa salientar:  as invenções técnico-pedagógicas que preenchem a formação de professores em Portugal e que contaminam o próprio ministério da Educação, não podem infectar as políticas de gestão e organização do sistema escolar: isso é desastroso, como se constata. Maria do Céu Roldão pode até ser uma excelente formadora, mas tem de conhecer a semântica que envolve a organização escolar, para perceber que isso não se consegue fazer do labirinto em que estão enredados os chamados "cientistas da educação";



  • Maria do Céu Roldão colocou com ênfase a questão da 4 dimensões que integram o "perfil funcional" do professor segundo o modelo de avaliação. Fez questão de salientar a primazia da dimensão ensino e a importância da observação das aulas. Estamos absolutamente de acordo. Mas em relação às outras 3 dimensões (a da ética, a da formação ao longo da vida e a da relação com a escola e com a comunidade) é que a discordância é abissal.


Da intervenção de Maria do Céu Roldão reparei num detalhe primoroso: quando abordou a hierarquização do modelo, falou das 4 dimensões, passou de seguida para o segundo patamar, o dos domínios (que, como se sabe, outros autores falam de elementos), dizendo que podiam ser vinte, e... de seguida... meio atrapalhada... disse: "bem, a operacionalização ficou para..." não percebi bem, a professora não foi clara. 


 


E porquê? Por que teria de referir o patamar seguinte, o da possibilidade dos 100 indicadores ou ainda o dos 900 descritores. Mas é sempre assim: quando os teóricos da técnico-pedagogia do ensino com este tipo de perfil se metem nos meandros da gestão e organização escolar, formulam, formulam e voltam a formular, mas depois deixam o "terreno" para os "operários" da educação. Um desastre.


 


Tenho salientado muito esta questão do perfil funcional e das 4 dimensões porque entendo que essa discussão é nuclear e pode ajudar a questionar o seguinte: no nosso país as desigualdades económicas e sociais são gritantes e provocam taxas de abandono escolar que nos envergonham.


 


Sabe-se que a escola, actuando de modo isolado, nunca resolverá esse problema. É uma questão mais vasta, da responsabilidade da comunidade educativa, portanto, de toda a sociedade. O que agora se tem feito, é propalar a necessidade de desenvolver e avaliar o espírito de "missão" na profissionalidade dos professores. Como se os professores não estivessem "cansados" de o identificar: não podem é ficar isolados nas causas e no desígnio de o conseguir.


 


O conjunto de políticas que este governo tenta impor na Educação, de modo a apressado e rotulado de "reformas" (o que garante desde logo o apoio mediático, mesmo por quem desconhece o conteúdo do que se propõe) está impregnado do seguinte: o abandono escolar resolve-se na escola e por isso temos de avaliar quem tem de actuar nesse sentido: os professores todos e nos anos todos. E esta decisão ajuda a explicar muitas outras (tipo de ocupação da componente não lectiva dos professores, ideia de que os professores trabalham pouco e só dão aulas, e enfim...) que mais não fazem do  que desresponsabilizar a restante comunidade no combate ao referido abandono: até as famílias, quando se decide por um modelo de concepção centralizada de escola a tempo inteiro. O abandono escolar é algo tão grave, principalmente quando acontece nos primeiros anos de escolaridade, que é espantoso como ninguém presta contas: por exemplo, as autarquias e os seus serviços sociais e o poder central.


 


Se juntarmos a tudo isto a ideia de reduzir a todo o custo, e muito rapidamente, as despesas com os salários do professores encontramos uma explicação para o caos onde se chegou. Basta pensar no ECD e nas cotas e vagas da progressão na carreira.


 


É necessário repensar a escola pública. Se continuarmos por este caminho, de trazer tudo para dentro da escola e de lhe atribuir esta impossibilidade de funções, acontecerá o seguinte: as famílias endinheiradas colocarão os seu filhos no ensino privado e as escolas do estado serão um "armazém" desqualificado e desqualificante e a tempo inteiro. É o fim do ensino na escola pública.


 


 

29 comentários:

  1. Perfeito Paulo,
    mais uma vez tocaste no essencial.
    Mª do Céu Roldão continua a fazer bem aquilo para que é paga pelos seus companheiros ideológicos. Esperemos é que os futuros inquilinos da 5 de Outubro não esqueçam o mal que ela e outros que a acompanham andam a fazer à Escola Pública, Republicana e Laica.
    O caminho que temos a percorrer até à derrota destas monstruosidades ainda é longo, mas começa a ver-se alguma luz ao fundo do túnel, quando se percebe o desespero que se começa a instalar nas hostes inimigas.
    Um abraço
    Francisco

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  2. Mesmo correndo o risco de ser considerado herege, decidi deixar a minha opinião...
    Parece-me que o problema não está, como sugere, de um lado da barricada (se assim fosse, a questão seria bem mais fácil de resolver) está também, e muito, do lado dos professores.
    É fácil perceber que, como acontece com todas as classes, os professores não estão dispostos a perder privilégios sem dar luta. E ate aí entende-se. O pior é o "a partir daí"...
    A questão de fundo e, no meu entender, única razão para a irredutibilidade dos professores (ou dos sindicatos?) é: "Os professores não querem/aceitam ser avaliados". Ponto final!
    Não é quem avalia, nem como avalia, nem os tão famosos papéis que não podem preencher,... é a avaliação em si.
    A avaliação é uma chatice para todos, mas será sempre uma chatice maior para os mais incompetentes...
    Acredito que o modelo proposto não seja o melhor mas, se servir para começar a separar "o trigo do joio, será muito útil.
    Para terminar, gostava que me explicassem como é que, na manifestação de professores, familiares e amigos que juntou em Lisboa 120.000 pessoas (são esses os números, não são?), couberam todos nos 32.000 metros quadrados (contando com o o lugar onde está a estátua e o espaço do palco dos discursos...) do Terreiro do Paço?

    É que o país começa a ficar cansado de ver todos os dias esta guerrinha de classe, a abrir os telejornais...

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  3. Viva Francisco.

    Obrigado.

    O desespero está instalado há muito. Mas não é só o desespero, é também a teimosia e a obstinação.

    Tudo isto, mais parece um ensaio sobre a descomunalidade.

    Não desistiremos. Estamos nisto há muito tempo e não e apenas quando as cadeiras são inebriantes.

    Força aí.

    Abraço.

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  4. Começo por me identificar, o que é sempre bonito. Vivo em democracia e ninguém me vai prender quando me apetecer opinar sobre, sei lá... a Selecção de Futebol, assunto que não domino, ou sobre engenharia aeronáutica. Mas se fizesse, identificava-me.
    Portanto, sou Isabel, professora há 30 anos e vou opinar sobre o post “babel” . Responder ao Sr Anónimo, nem me vou dar ao trabalho. Ia-me esgotar e isso é privilégio dos meus alunos- conseguirem esgotar-me.
    Também vi o Prós e Contras!
    Maria do Céu Roldão foi presença de última hora, penso que por Pedrosa já se ter manifestado contra este modelo de avaliação. Tal como tu, Paulo, também achei que a Srª , quando eu pensava que iria falar nos descritores, embatucou.
    Que falta lá fizeste (ainda te chamaram!) com o teu “um ponto e milhares de situações”!
    Quanto aos problemas socio-económicos , acho que enquanto pensarem que a escola os pode resolver, de facto não chegamos a lado nenhum. Ou melhor, andamos para trás. Prova disso são as Actividades de Enriquecimento Curricular, que tornaram a escola um depósito de crianças, onde logo aos 5/6 anos permanecem 9h diárias. Alguém se preocupa se isso é benéfico nesta idade? E disso falo com conhecimento de causa. Poderia agora enumerar uma série de malefícios.
    O Pai da Nação, como diz o Paulo Guinote, até pensei que tivesse bebido, ou tomado qualquer coisinha. Será que lhe anda a faltar o subsídio? Seja como for, foi o único que assumiu que “a coisa” está parada. Até vi o Pedreira a deitar uma fagulha pelos olhos!
    De resto, o costume. Fraco, na minha opinião.
    Bjo

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  5. Olá caro desconhecido.

    Gosto mais de debater com quem se identifica, embora aprecie os nicks sugestivos. Como faço depender, por deformação profissional, veja lá, as minhas decisões de sistemas de avaliação que normalmente crio, sou, até e confesso, um pouco fundamentalista desse tipo de teoria, tenho um divertido counter do blogue que me indica quem por aqui passa.

    Registo que há quem por aqui passe, comente e não deixe rasto. Coisas modernaças e muito sofisticadas. Tb confesso que não tenho essa veia: estou na web 2.0 e identifico-me por todo o lado onde deixo opiniões.

    Meu caro ou minha cara:

    Leu mesmo o que escrevi? É que mesmo que eu quisesse debater consigo, não refuta uma, sequer uma, das ideias que apresento,

    Todavia, tem razão no que diz:

    alguns professores não querem ser avaliados. Claro, são humanos. Nem todos os humanos gostam de viver em modelos competitivos, estima-se que só uns 30%. Mas, e nisso poderemos estar de acordo, não chegaram a a esta profissão sem ser avaliados e têm todos os dias a avaliação dos seus alunos e dos respectivos encarregados de educação. Mas de avaliação e de prestação de contas, li há pouco uma coisa engraçada: o senhor de nome Rendeiro, um gestor de "topo" que se instituía de uma sabedoria capaz, e afirmava isso com toda a prosápia, de dar lições aos presidentes dos CE das escolas, acaba de pedir 750 mil mlhões de euros para garantir o futuro do seu BPP (deve ser mais um banco em dificuldades...). Já imaginou: renovávamos toda a rede escolar com instalações do tipo da Finlândia (onde a sociedade confia nos professores, a exemplo do comum dos portugueses e onde não se avalia professores na carreira mas se avalia escolas serviços das comunidades educativas) ou pagava a progressão dos professores durante todo o século XXI

    alguns professores são incompetentes. Claro que sim. Importa é que apoio que merecem, a exemplo dos seus alunos com mais dificuldade em aprender, seja efectivo e nada propalado. Não precisam, decerto, é de esta visibilidade toda. Sempre percebi uma coisa: quem aponta muito a incompetência dos outros está, normalmente, desesperado com a sua própria.

    Não, não é nenhum herege. Há muitas pessoas que devem pensar assim. Senão o caos não era este. Para além de hereges, manifestam uma teimosia descomunal. Mas, já se sabe, estão a reformar.

    Tb estou de acordo consigo noutra matéria. Estamos fartos de telejornais sobre isto. Até de conselhos de ministro extraordinários ou mesmo de conferências de imprensa de horas. Cada um faz o que pode.

    Há mais uma coisa em que não estamos de acordo com toda a certeza: a minha barricada é a escola pública de qualidade e para todos.

    E a sua?

    Abraço e obrigado.


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  6. Obrigado Isabel.

    Isto está realmente em cacos. As escolas públicas estão a sofrer muito com esta coisa toda. Nem sei onde isto vai parar.

    É uma pena.

    Beijo.

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  7. Isabel.

    Chamaram-me no prós e contras? A sério? Algum acto falhado? A minha filha tb me disse o mesmo: não estava a ver o programa e recebeu um sms a dizer: papá na tv. E ligou-me claro.

    Mas não, fiquei por casa e vi o programa mas nem dei por isso.

    Beijo.

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  8. Já na 2ª parte, a Fátima chamou: Paulo Prudêncio, onde é que ele está?
    Hoje, na escola, muitos disseram ter ficado à espera de te ouvir, pois pensavam que estavas lá, quando ouviram o teu nome.
    Tinhas razão! Iam dar-te 2 minutos para falares sobre o caos que se vive nas escolas. E se estivesses a dizer verdades, lá vinha o " tem de ser rápido, estamos a acabar".
    Ai aquele colega de Filosofia! o que falou 1º e que questionou como se usavam as novas tecnologias na aula de Filosofia! Coitadinho!
    E mais algumas tristezas!
    bjo

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  9. Ai sim?

    Teve piada.

    Compreendi o colega Aires, sabes. O on bullshit é de um filósofo americano e a tradução em português ficou "conversa da treta". Pareceu-me que ele tinha isso presente quando se dirigia às invenções burocráticas de Maria do Céu Roldão.

    Abraço.

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  10. Sou Professor e chamo-me Júlio.
    Sr.(a). desconhecido(a), Anónimo(a). Já me identifiquei, quem não deve não teme. O único comentário que faço é que na minha Escola habituamo-nos a nivelar por cima não damos importância aos que não fazem, não cumprem. Os maus profissionais são aqueles que tentam passar pelo anonimato e criticar tudo e todos de forma a serem os Bons. No entanto não devemos dar importância aos que não fazem, mas antes aos que são bons e profissionais competentes. Esses sim, devemos ter como exemplo. Que tal invertermos a forma de abordar o Ensino. Começar a comentar (quem conhece o meio e percebe do que fala, pois infelizmente não posso ir para Cabo Verde leccionar, não deve haver anónimos pára-quedistas) o Ensino pelo que tem de bom e tentar seguir esse modelo.
    Deixem pensar o Ensino por quem sabe, pois quando tenho um problema de saúde vou ao médico, não me dirijo ao Economista. Treinadores de bancada, em Portugal, está a estender-se a outros ramos de actividade, mas mais grave, não mostram a cara. Os de bancada, por mais incompetentes que sejam, expõem-se e identificam-se, mesmo que seja ao ridículo

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  11. Estás em forma, meu caro. Fizeste-me rir Júlio :) Há muitas cortinas de fumo e, ao que ouço dizer, até uns comentadores de serviço.

    Enfim...

    Abraço.

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  12. Olá Paulo!
    Parabéns por mais essa lúcida dissertação da temática educativa. Já tudo foi dito e redito, de forma clarividente, em prosa e em verso, sobre política educativa e as inquietações da classe docente. Contudo, ainda há resistentes.
    Curiosa a opinião do nosso amigo e colega Júlio. De facto a área educativa está a assemelhar-se a uma bancada de futebol - todos são treinadores (ou treinadeiros), mesmo que desconheçam o diâmetro da bola ou as dimensões de uma baliza. Sinais de uma modernidade que, felizmente ou infelizmente (por vezes), não cerceia a nossa mente. E para quando arguidos e doentes terão assento, em plenários de discussão ou noutro suporte comunicacional, sobre a carreira profissional de juízes e médicos? Imagine-se ...
    Pascal, dizia que " não se pode conhecer as partes sem conhecer o todo, bem como conhecer o todo sem entender particularmente as partes".
    Uma leitura atenta nos escritos do sociólogo e filósofo francês Edgar Morin é uma boa receita para a desconstrução e construção do conhecimento, sobre coisas educacionais. É o que se aconselha a muitos comensais deste lusitano país.

    Francisco José Cordeiro Valentim

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  13. Chamo-me Maria Cristina Meneses S. M. Freitas e o meu BI tem o nº 7515174, sou Professora por opção e convicção. Sou cidadã deste país, pago os meus impostos e sou eleitora.

    Aos anónimos digo nada.

    Nas últimas eleições legislativas votei no PS, tal como muitas outras vezes, embora não lamente a minha escolha, pois foi consciente de que aqueles em quem depositava a minha soberania a poderiam desmerecer. Os partidos políticos são, até ver, estruturas concorrentes às eleições, mas não são há muito representantes de todas as pessoas, falam aquilo que convém. Este governo PS esconde aquilo que de verdade se passa na sociedade e que justifica muito do abandono escolar e muito do insucesso que o Sr. Sec. de Estado apregoa.
    Sugiro a quem não pisa o chão de uma escola a passar um dia ou dois numa escola, acompanhem alunos de diferentes perfis, desde que acordam até que regressam a casa e comam à mesa com eles. Isto não é lirismo, é a realidade do nosso país. Numa turma que conheço, há 5 alunos que têm um dos pais desempregado. Isto representa o quê numa família? Metade dos alunos dessa turma não tem ninguém que os acompanhe nas tarefas escolares em casa. Isto diz alguma coisa? Poderíamos enumerar muitas situações... mas estas são a nossa realidade quotidiana nas escolas e reservamos para nós de acordo com princípios éticos que todos os dias praticamos e que esqueceram a muitas personalidades que fugazmente passam por órgãos decisores e de responsabilidade.
    O que nos preocupa verdadeiramente são os alunos e estas políticas carecem desta finalidade: melhorar a qualidade do ensino e da escola.

    A Razão como motivação.
    Assinado:
    Cristina Meneses

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  14. Sim claro, Daniel.

    O exercício dos professores passa por aí, isso é seguro. Outra coisa é querer avaliar com rigor esse perfil funcional. Dá nisto e tem um efeito ainda mais perverso: pode dar cabo do ensino na escola pública, como se vê.

    Obrigado e um abraço.

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  15. Isso Cristina.

    Concordo em absoluto e deve ser repetido até à exaustão o seguinte: "O que nos preocupa verdadeiramente são os alunos e estas políticas carecem desta finalidade: melhorar a qualidade do ensino e da escola." E acrescentava mais um detalhe: escola pública de qualidade para todos.

    Beijo e obrigado.

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  16. Olá Paulo,

    Embora não me tenha assinado o comentário, isso não faz de mim mais anónimo que qualquer um dos outros "comentadores". Eles são anónimos que se deram ao trabalho de inventar uma identificação, eu fui, parece-me, mais honesto e identifiquei-me como sendo aquilo que realmente sou: um anónimo com opinião...
    Mas deixei rasto! Se reparar, deixei um link para o url do meu blog (muito menos atraente e movimentado que o seu)...
    Embora me pareça que está equivocado em algumas questões específicas (já lhe falo, por exemplo da situação da Finlândia), o senhor é sem duvida o único, de todos os que aqui li, o único com alguma razoabilidade nas opiniões e, sobretudo, o único capaz de ler e comentar opiniões contrárias à sua.
    A propósito da Finlândia, queria responder-lhe com uma pergunta: O senhor acha que podemos criar paralelos (seja do que for!) entre Portugal e a Finlândia? Ou será que acha que os professores em Portugal são um oásis, neste mar de... incompetência ? Por muito que tente defender a classe a que pertence, não creio que acredite nisso. Não seria sensato.
    Por fim, e sem querer ser intrometido, queria deixar uma sugestão: não deixe que o seu blog se torne o "espaço dos amigos", onde todos estão de acordo e lambem as feridas comuns...
    Tudo o que é consensual é chato...

    Cumprimentos... d'O Piadas

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  17. Isabel,

    É realmente "sempre bonito" a identificação de quem deixa um comentário. Sobretudo quando se deixa cair apenas um nome próprio, ainda por cima dos mais comuns por esse país fora...
    Mas, se acha bonito, quem sou eu para achar o contrário?

    Gostei muito de a conhecer, Isabel...

    Anónimo (para si, e para que me possa conhecer... sou o Manuel!)

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  18. Sr. professor Júlio Reis,

    Parece-me que o facto de o comentário ser anónimo é pretexto para destilar esse azedume...
    Então o senhor acha que "nivelar por cima" é "não dar importância aos que não cumprem??? Isso é "nivelar por cima"????? Não sabe que basta uma maçã podre para contaminar todas as outras?
    A forma "atabalhoada" como escreve, diz muito mais de si do que o nome no início do comentário...
    Só faltava ser professor de português

    Ass: Anónimo "pára-quedista" (portuguesinho da silva...)

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  19. Olá.

    Como deve saber, existe quem entra nos blogues, comenta e sai sem deixar rasto. No meu blogue, isso acontece com alguma frequência em posts mais antigos e fica "fora do alcance" dos visitantes. E até já cedi num aspecto: coloquei a minha fotografia no blogue para dar a cara que, e segundo alguns dos comentários desse teor, não o fazia por medo. Enfim... tempos. As pessoas da Web 2.0 sabem bem a que me refiro nesta altura da situação política.

    Nem me vou dar ao trabalho de ver se deixou rasto desta vez. Pode crer que estou um bocado cansado dessas coisas. Apareça as vezes que quiser, identifique-se se quiser, diga o que quiser que eu jamais apagarei um comentário. Procuro responder a todos os comentários.

    Não encontro por aqui o URL do seu blogue, mas está bem assim.

    Duas ou três questões: continua a não refutar os temas que levanto no post: o muro de invenções burocráticas em que se transformou o ministério da Educação e a defesa da escola pública de qualidade para todos que é o que mais me move nesta questão da avaliatite incontinente. Se ler bem e com atenção, verá que defendo uma tese que relaciona esse conjunto desastroso, na minha opinião, claro, para o futuro da escola pública de qualidade para todos.

    Espero que o faça e debaterei consigo com todo o gosto. Se me conhecesse melhor, veria que aceito a discordãncia por método e por civilidade, e não apenas por alguma razoabilidade. Nisso discordo de si: não me inspira alguma razoabilidade, mas uma total razoabilidade. Senão, como é que lhe poderia responder?

    Claro que concordo consigo com a questão da Finlândia ou de outro país qualquer. A propósito, lambra-se de quem iniciou esse processo de comparacão despropositada com a Finlândia?

    O meu blogue é mais movimentado e atraente que o seu? Obrigado. Nem sei se é um elogio :)

    O meu blogue nasceu na comemoração dos 30 anos do 25 de Abrll de 1974. Terminava um mergulho de quase 10 anos em gestão escolar. Fiz o blogue para me obrigar a escrever sobre outras coisas. Há vida para além disto tudo. Mas, reparei e desde logo, e desculpe-me a imodéstia, que a Educação ia por maus caminhos. Passe a escrever sobre o assunto e deu no que deu. Quem me dera, e pode crer que o digo com pena até porque votei no ps, que nada disto tivesse levado este caminho.

    Como tem um blogue e como preza tanto a democracia, sabe que os comentários não são escolhidos pelo autor. Ou o meu caro não procede assim? Tenho os meus amigos e amigas que muito prezo, e o que é que lhes posso dizer? Nunca apaguei qualquer comentário e tirando o que já referi, a elegância tem sido apanágio de todos os comentários. Como no seu caso, claro.

    Está bem assim?

    Apareça.

    Os meus cumprimentos.

    Abraço.

    PS: nunca espere de mim qualquer discussão sobre números de manifestantes ou áreas de rotundas e afins :) Isso não.

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  20. Calma, por favor. Tenho alunos que também passam por aqui. Calma. Obrigado.

    Abraço.

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  21. O exercício da razão como tu o fazes é um exemplo para qualquer profissional reflexivo como o deve ser um professor. Razão mais do que suficiente para passar aqui assiduamente.

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  22. Obrigado Henrique. Mas olha que nesta altura, até o facto de se reflectir dá trabalhos vários :).

    Abraço.

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  23. "Mas olha que nesta altura, até o facto de se reflectir dá trabalhos vários"

    Lá isso dá, Paulo. Por exemplo: separar as provocações sérias das reaccionárias ;-)

    Abraço.

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  24. Ufa!!!

    Já se vê que estás melhor.

    Ainda bem Miguel.

    Abraço.

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  25. Não entendi o que a Maria do Céu Roldão foi lá fazer.
    Como pessoa da área da didáctica da história, sempre a tive em boa consideração. A direcção de uma ESE deve tê-la também levado para o lado do pior que existe na teoria sociológica: a sociometria.
    Se não estou em erro, a Maria do Céu Roldão fez o doutoramento com o Professor Kieran Egan, um homem que está nos antípodas dos esquemas das ciências do controlo como são as teorias dos objectivos tanto em gestão como na educação. Pois Egan propõe uma abordagem narrativa ao ensino (ver "O uso da narrativa como técnica de ensino", D. Quixote, tradução da MCR) que nega totalmente os pressupostos da pedagogia por objectivos.
    Eu já por várias vezes exprimi a minha opinião sobre toda esta treta sem remédio. Uma grelha de critérios pode ser útil como forma de fugir à subjectividade. Só que os critérios teriam que ser bastante gerais para tratarem com justiça todas as situações. E é um milagre conseguir isso! Pois, se demasiado gerais, mais poder dão à subjectividade do avaliador; se, demasiado específicos, criarão injustiças. como a de um bela aula de diálogo socrático ser desconsiderada por não aplicar as novas tecnologias da informação, por um professor ter o azar de ter a aula estragada, pela irrupção dum aluno perturbador, que os há, apesar dos rousseaunianos santificarem os bons selvagens, com um má classificação no controlo da aula e um professor que tem na sua aula só bons alunos da classe média ser inversamente beneficiado no mesmo critério.
    Creio pois que uma boa avaliação tem que ser humana, compreensiva, baseada no reconhecimento das contingências e das especificidades do trabalho docente que varia com os alunos que tem entre mãos, com as tentativas que evidencia. Uma boa avaliação tem que incluir os resultados dos alunos não numericamente, mas duma forma problematizadora, tendo em conta o nível inicial das aprendizagens.
    Uma avaliação destas só pode ser feita pelo próprio professor e por quem trabalha com ele. Creio que se for honesta tem potencialidades para diagnosticar problemas e encontrar soluções.
    É diagnóstica é formativa, mas dificilmente selectiva. E esse é o problema - não serve para o que o governo quer realizar. Mas é disso que nós precisamos. Quanto ao que o governo deseja, temo que se torne irrelevante em termos pedagógicos, seja caro e apenas aproveite aos burocratas do controlo de recursos humanos.

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  26. Excelente, se me permites, Luís. Obrigado.

    Abraço,

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