Sabemos do valor do dinheiro nas sociedades e a isso é difícil fugir. Leio críticas bem fundamentadas às propostas do ministério da Educação que visam a atribuição de prémios pecuniários ao reduzido grupo de professores que se "destaquem".
Todos sabemos da dificuldade em avaliar com rigor os professores: ninguém o pode negar. Também sabemos que a atribuição de prémios pecuniários aos professores não estava na agenda de constrangimentos da organização de cada uma das escolas. Talvez se considerasse a possibilidade de o fazer à organização no seu conjunto, ou mesmo a um pequeno grupo de professores, numa lógica de avaliação externa de longo prazo. E mesmo isso é muito discutível e difícil, principalmente o segundo pressuposto que referi.
Mas o que eu não esperava, e digo-o com toda a sinceridade, era que a Fenprof incluísse, na sua última proposta de avaliação do desempenho de professores, um prémio pecuniário aos professores que se "destaquem", embora essa suposta excelência não tenha implicações na progressão na carreira.
Sinais de desorientação? Parece-me que sim. Pelo menos indica alguma confusão nas convicções e nos princípios que tanta tecla nos tem exigido.
Abrimos a caixa de pandora e depois não nos podemos queixar. Não basta ter umas ideias, é preciso depois construir as estruturas sem cedências aos encantos da oportunidade.
Com esta estória das recompensas pelos bons desempenhos, venham elas sob a forma de pilim ou de bonificações no tempo de serviço, evoco um consagrado treinador de voleibol americano, um campeão olímpico cujo nome não me recordo, que dizia mais ou menos isto: que a melhor recompensa que podia dar aos seus atletas após um desempenho de excelência era proporcionar-lhes ainda mais TRABALHO. Desse modo, estariam cada vez mais próximos da transcendência!
ResponderEliminarFizeste-me rir MIguel. É que para além da questão do prémio pecuniário há que não desprezar o problema dos critérios para a selecção do reduzido grupo de eleitos.
ResponderEliminarParece-me grave que a Fenprof critique a ideia das cotas e depois avance com uma coisa destas.
Enfim.
Abraço.
ResponderEliminarAo estado a que isto já chegou. TAMBÉM TU BRUTUS!
A desorientação está instalada. Ai de nós " COITADINHOS".
É a proletarização dos professores. Não há meio desta gente compreender que o ideário empresarial é um casaco de mangas longas de mais que, simplesmente, não serve no contexto educativo. Por mais que nos saibamos orgulhosamente proletários.
ResponderEliminarVamos ver em como tudo isto acaba
ResponderEliminarBonito rui
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