quarta-feira, 22 de abril de 2009

luta divide professores e sindicatos

 


 


Luta divide professores e sindicatos


 


 


(...)Considerando que os sindicatos estão a "condicionar e a inibir a livre discussão" do tema ao confrontarem os professores com uma moção previamente elaborada, os três principais movimentos (MUP, APEDE e PROMOVA) divulgaram um texto conjunto onde, além disso, repudiam e denunciam o facto de a moção posta à subscrição pela Plataforma Sindical (que agrega os 11 sindicatos do sector) se limitar a convidar os docentes a mandatar os sindicatos para encontrarem uma data, no 3.º período deste ano lectivo, para "publicamente e de forma maciça demonstrarem uma vez mais que, ao invés de se sentirem derrotados, se afirmam mais unidos do que nunca"(...)


 


A conclusão é da jornalista que escreve a notícia. Tive a oportunidade de participar na reunião sindical que no dia 20 de Abril de 2009 se realizou nas instalações do amontoado de escolas de Santo Onofre.


 


Fiz uma intervenção que foi no seguinte sentido: bem sei, e já o escrevi, que a proposta do governo do desaparecimento das vagas para a categoria de professor titular é uma desgraçada capitulação por parte de quem as quis propor e que se pode considerar como o grau zero da política. Mesmo lutando contra tantas e conhecidas adversidades, os professores portugueses deram uma enorme lição de democracia e deveriam receber o natural reconhecimento da sociedade portuguesa.


 


Mas temos memória e devemos olhar para o passado recente: tenho más recordações do entendimento assinado entre a plataforma de sindicatos e o governo. Foi, e parafraseando o professor José Gil, o corte da coluna vertebral da justa luta dos professores. Mas sou sindicalizado (SPGL) desde a primeira hora e sempre concebi a minha profissão associada à ideia de ser sócio de um sindicato; sou também sócio do único movimento independente de professores, a APEDE, que nasceu por aqui e que permite o pagamento de quotas; sou, portanto, um contribuinte sem mácula.


 


Todavia, há dois aspectos que me irritam solenemente: alguns sindicatos (e os movimentos de professores, também e por vezes) sofrem do efeito fotofinish; têm de ser sempre os primeiros: se alguém tiver uma ideia inovadora, poderá ficar seguro que não será nada que os sindicatos não tivessem pensado antes. 


 


Basta recordar os tristes episódios que antecederam as manifestações de Março e de Novembro de 2008 e o pedido dos pareceres jurídicos numa iniciativa liderada por Paulo Guinote; outro aspecto, e que está mesmo em cima da mesa no que à luta da avaliação diz respeito e também no que se refere à frente jurídica sobre a gestão escolar, é a resposta burocrática, feita de minutas e de comunicados, que mais não é do que a antiga solução que os chamados mangas de alpaca usavam convencidos que assim criavam turbulência na máquina e que irritavam e cansavam os decisores a que se opunham. Em suma: burocratas respondem a burocratas numa forma de entendimento que asfixia as escolas e os professores e que torna impossível o ensino.


 


Mas mais: quando olho para a referida proposta de se entregar uma ficha de auto-avaliação do ME com uma minuta sindical em conjunto no final do ano, não posso deixar de me indignar com esta solução própria do país da batota e do faz de conta e com soluções exímias na arte da fotocópia.


 


Devemos seguir todos em frente, porque o que nos move é a força da razão e a defesa da escola pública de qualidade para todos. Temos já muitas vitórias no acervo da nossa justa luta, mas só nos podemos continuar a guiar pelas firmes convicções e sem medo de perder, aqui ou acolá, em qualquer dos nefastos diplomas em discussão. Esta luta é muito antiga e não terminará tão depressa. Importa pensar para além dos calendários eleitorais.


 

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