(encontrei esta imagem aqui)
Encontrei no blogue de João Bonifácio Serra, aqui, um texto belíssimo. Pode lê-lo no link que sugeri ou passar os olhos pelo que vou colar de seguida.
Agora tinha os pés completamente mortos, os joelhos funcionavam como dobradiças velhas, os rins só actuavam quando lhes apetecia, mas o coração persistia teimosamente em continuar a bater. O passado e o futuro eram a mesma coisa para ele, uma esquecida e outra não recordada; não tinha mais noção da morte do que um gato. Todos os anos, no Confederate Memorial Day, agarravam nele e levavam-no para o Capitol City Museum, onde era mostrado da uma às quatro num quarto bafiento cheio de fotografias velhas, uniformes velhos, artilharias velhas e documentos históricos. Tudo isto estava cuidadosamente guardado dentro de caixas de vidro, para que as crianças não lhes pusessem as mãos em cima. Ele envergava o uniforme de general oferecido na memorável estreia do filme em Atlanta e sentava-se, com um olhar carrancudo completamente fixo, dentro de uma área pequena cercada por cordas. Não havia nada que indicasse que estava vivo a nãos er um movimento ocasional dos olhos cinzentos já enevoados, mas uma vez, quando uma criança mais atrevida lhe tocou na espada, o seu braço saltou para a frente num instante e tirou a mãozinha dali com uma sapatada. Na Primavera, quando as casas antigas abriam para peregrinações, era convidado a vestir o uniforme e a sentar-se nalgum lugar mais conspícuo, para dar atmosfera à cena. Algumas dessas vezes limitava-se a sorrir raivosamente aos visitantes, mas noutras falava do evento e das raparigas bonitas."Dentro de caixas de vidro
Pois é, Paulo, anda por aí muita gente em cadeira de rodas e muito papel em caixas de vidro.
ResponderEliminarA fazer de conta que estão vivos...
;-)
Exactamente; é tb essa uma das leituras que faço deste belo texto
ResponderEliminar