(encontrei esta imagem aqui)
Mais de três mil docentes reformados desde Janeiro
"A corrida às reformas é notória entre professores e educadores ao serviço do Ministério da Educação. Um total de 3003 registos de Janeiro a Julho (já publicado em DR) significa um aumento homólogo de 36%.
A média mensal de docentes a pedir a reforma à Caixa Geral de Aposentações (CGA) eleva-se a 429, de acordo com as listagens publicadas em Diário da República (DR) relativas ao período que vai de Janeiro a Julho próximo. Olhando para os primeiros sete meses de 2008, conclui-se que a média andava pelos 315 pedidos mensais de aposentação, uma vez que o número global do período se elevava a 2206.(...)"
O êxodo continua: os professores que podem, e com maior ou menor penalização, abandonam o ensino. Há aqui qualquer coisa de premeditado por parte de quem exerce as funções governativas? Se pensarmos no silêncio que os actuais governantes fazem sobre a matéria e na não alteração das condições em que se realiza o ensino nesta fase tão conturbada, é caso para nos questionarmos: é isto que este governo quer e estimula? Pela minha parte não tenho grandes dúvidas em afirmar que sim.
Pais, tremam: as férias estão aí!
"As férias estão mesmo a chegar e as dores de cabeça dos pais também. Quem lhes dera ter também dois meses e meio de descanso, como os filhos. Ou talvez não! A verdade é que para a maioria dos pais é impossível gozar as mesmas férias que os miúdos. Por isso, o melhor é procurar alternativas que não seja ficar em casa.
Depois de nove meses de aulas, é tempo de não fazer nada, aconselha a psicóloga educacional Maria Dulce Gonçalves, do centro de psicologia Lispsi, em Lisboa. "O tempo de férias é um tempo para saborear o não fazer nada, é tempo de recarregar baterias e retemperar ânimos para o próximo ano lectivo", aconselha.(...)"
Triste sociedade a nossa. Ausente e sem qualquer estratégia para garantir o necessário equilíbrio educativo; no que se refere ao tempo que as crianças passam com a família, sabe-se que corresponde a cerca de 60% da responsablidade no sucesso escolar.
Mas lemos o título da notícia e ficamos incrédulos com o estado a que chegámos na Educação das nossas crianças e dos nosso jovens: as famílias tremem com as férias dos petizes? Já não basta termos confederações de associações de pais e de encarregados de educação a só pugnarem por mais e mais escola a tempo inteiro e sem uma qualquer exigência à sociedade para que esta se organize no sentido de permitir aos encarregados de educação mais tempo disponível para as suas crianças, temos agora também um pavor declarado quando começam as férias. Lemos recomendações de técnicos especializados que alertam para a necessidade das crianças brincarem sem a tutela das instituições onde são em muitos casos armazenadas ao longo do ano lectivo. Como é que as crianças olharão para tudo isto? É que elas olham mesmo e seguem os exemplos que registam.
ResponderEliminarÉ verdade. Também li no Público e disse para comigo: Pronto, lá começa a tourada habitual.
Não seria melhor os papás pensarem melhor antes de terem os filhinhos? Pensarem se vão ter tempo para eles, que é tão preciso? Pensarem e fazerem contas à vida.
Há uns valentes anos haviam avós que tomavam conta dos meninos e faziam melhor trabalho do que faz hoje a escola a tempo inteiro. Eu fui privilegiada nesse aspecto, dado que a minha mãe trabalhava e usufruí da companhia e sabedoria da minha avó. Conhecia gente que, em vez de se passear em Mercedes ou coisas parecidas, andavam de "carrito do povo" e assim poupavam para ter uma empregada em casa, quando não haviam os avós, e que faziam melhor trabalho que a escola a tempo inteiro. Ia-se ao parque, brincava-se ao ar, trepava-se às árvores... vida saudável!
Há alguns anos, deixaram de haver avós em casa ou perto e as crianças iam para os ATL's que faziam melhor trabalho que a escola a tempo inteiro. Férias cá dentro, lavar louça à mão, carro menos potente, menos roupita nova... mas valia a pena ter para o ATL.
Hoje decretaram morte ao ATL e criaram esta aberração que não deixa que as crianças sejam crianças. Em casa existem todas os electrodomésticos possíveis, da Bimby à máquina Nespresso. O ecrã da televisão é panorâmico, com todos os canais ou todos os pacotes, o carro tem de ser Mercedes ou Audi. Todos, do pai ao filho mais novo, têm telelé. Se o puto passar de ano, vem a consola......
Gastar dinheiro para dar qualidade de vida aos filhos é que não. "A escola a tempo inteiro até é grátis! E dá tanto jeito os putos lá enfiados o dia todo! E o que eu poupo?" Engano, puro engano.
Também passei por dificuldades financeiras quando os meus filhos estavam em idade escolar e não me arrependo de ter vários anos andado de Renault 5, ter lavado a loiça à mão, não ter ido de férias para fora, não ter telemóvel, ter uma televisão que trabalhava ao muro, ter comprado menos um par de sapatos e raramente ter jantado fora. Porque os filhos estão primeiro. Porque o equilíbrio deles está primeiro. Porque a felicidade deles está primeiro. E não é a curto prazo que o vamos constatar. É mais tarde, quando eles saírem de debaixo das nossas asas.
PS: Isto saiu ao sabor da pena.....
ResponderEliminarPodemos dizer assim: ao correr da pena pões o dedo na ferida
Beijo grande.