sexta-feira, 17 de julho de 2009

da avaliatite incontinente

 


 



(encontrei esta imagem aqui)


 


 


Os últimos dias têm sido pródigos na mediatização à volta da avaliação do desempenho dos professores. É um fenómeno que perdura há um bom par de anos e que tem consumido de um modo inaudito a vida das escolas portuguesas. Isso é inquestionável. Pode mesmo afirmar-se, sem provocar um qualquer espanto a quem conhece os problemas por dentro, que a actualidade é muito menos rigorosa do que o que existia antes deste governo.


 


Governo e sindicatos digladiam-se em torno da caricatura de um monstro que está complemente vencido. Sobram uns relatório internacionais construídos por técnicos que estão a milhas das salas de aula e que provocam inúmeras sessões de comédia mediática.


 


Quando penso no que existe, só me chegam ao cérebro expressões do tipo: farsa, fingimento, manipulação mediática, contenção financeira, invenções técnico-pedagógicas, certificação burocrática, engenharia social, incompetência técnica, política e jurídica e por aí adiante.


 


Tenho ideia que o governo já só pretende condicionar a agenda do próximo e manter os supostos votos do lumpen.


 


Li muitos textos e notícias sobre o assunto.


 


O Paulo Guinote, aqui, e aqui e o Ramiro Marques aqui, têm excelentes entradas nos seus blogues nomeadamente através do estudo aturado do último relatório da OCDE.


Os jornais online também abordam o assunto com frequência. O Público tem notícias que li com atenção: aqui, aqui e aqui. No caso deste jornal pode mesmo ficar com um excelente elenco se clicar aqui.


 


E num dos meus blogues de referência, "As minhas leituras" de José Luiz Sarmento, há uma entrada lapidar: aqui.  


Ora leia. 




Relatório da OCDE


As boas práticas médicas são determinadas por médicos, as jurídicas por juristas, as musicais por músicos e assim sucessivamente; mas as dos professores são determinadas por economistas, sociólogos, psicólogos, gestores e até (ou sobretudo) por motoristas de táxi: por toda a gente excepto por professores. Fará isto algum sentido?



O exemplo mais recente desta tendência é o último relatório da OCDE sobre a política educativa portuguesa. Digamos OCDE por extenso: Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico. Sublinho: económico.



O governo, ao encomendar este relatório, e a OCDE, ao aceitar fazê-lo, laboram no mesmo erro: o de que a política educativa é uma subsecção da política económica.



Donde se vê que o delírios educativo deste governo começa logo na abordagem; e se vê também que o governo português não está sozinho neste delírio."

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