terça-feira, 27 de outubro de 2009

dimensão ética e cívica

 


 


 


Foi daqui.


 


 


 


Entre tantos absurdos que campeiam nos modelos de avaliação do desempenho há alguns que são recorrentes, que se generalizam e que transmitem a certeza que os candidatos a legislador nunca operacionalizaram uma proposta neste domínio.


 


Sabe-se da importância da ética e do dever cívico, mas o que não estaria no raciocínio da alma mais penada que se conheça era que a totalidade das propostas - dos partidos políticos e dos sindicatos dos professores - incluíssem a necessidade de se pontuar a prestação ética de um qualquer profissional. Já se percebeu que quando a coisa passa para a fase dos indicadores e dos descritores dos diversos patamares da pontuação, o ridículo instala-se com lugar cativo e, ainda mais grave, com sinais de totalitarismo que entram pelos olhos dentro.


 


Quando há um problema ético grave com alguém, existe o respectivo mecanismo disciplinar e ponto final.


 


O mesmo se passa com a avaliação na dimensão de participação na escola e na comunidade e com a assiduidade. Escreverei sobre esse assunto noutra entrada. 

4 comentários:


  1. Isso é que é lucidez. Certeiro.

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  2. Cá no meu entendimento é somente mais uma lufada de ar fresco.

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  3. Mário Nogueira dixit:

    “A prioridade é a revisão do Estatuto da Carreira Docente. E é no quadro dessa urgente revisão que se exige, naturalmente, a suspensão do actual modelo de avaliação, a eliminação da divisão da carreira e da prova de ingresso, a par de um conjunto de alterações em matérias como os horários de trabalho dos professores, o regime de faltas e a aposentação, entre outras”.

    Eu acho que consigo perceber todas estas exigências e concordo com quase todas elas. Mas existe uma que para mim é um mistério e que é a abolição da prova de ingresso. Esta prova é ainda um buraco negro, apesar da recente publicação do Decreto Regulamentar n.º 27/2009 de 6 de Outubro. É discutível que uma prova desta natureza consiga servir os propósitos que se propõe atingir. E ao ler o referido diploma veio-me de imediato ao espírito a célebre PGA, de tão triste memória.
    Mas os factos puros e duros são os seguintes: em Portugal, contrariamente a muitos países, o ensino superior público é substancialmente melhor do que o ensino superior privado, com algumas excepções. Na maioria dos casos quem opta pelo ensino superior privado fá-lo porque não conseguiu obter as classificações que lhe permitiriam ingressar no ensino superior público. Mas depois opera-se um daqueles pequenos milagres que só a alquimia poderá explicar: as médias finais dos cursos são muito superiores no ensino superior privado. E como o Estado não leva em linha de conta a qualidade das instituições formadoras, só lhe interessando a média final dos cursos de habilitação para a docência (antigamente a licenciatura, hoje o mestrado), quem entra maioritariamente no sistema de educação pública são os professores formados pelo ensino superior privado.
    Ora, isto confugura uma terrível injustiça. Mas essencialmente é injusto para os alunos do sistema público de educação, que é pago pelos impostos de todos nós. Com todos os defeitos que se lhes possam imputar, mesmo antes de entrarem em funcionamento, a prova de ingresso na profissão e, posteriormente, o período probatório, funcionariam como dois filtros que, pela menos na minha expectativa, beneficiariam os professores formados pelo sistema de ensino superior público. Poderei estar errado, mas era isso que eu esperaria.
    No entanto os sindicatos, em especial a FENPROF, insurgem-se contra esta prova. E minha questão é porquê? O que faz mover os sindicatos neste caso específico? O interesse público? Não me parece! A crença de que uma vez que o Estado deixou as instituições do ensino superior abrirem as suas portas ele tem que tomar como fiáveis as classificações finais de formação, independentemente de outros indicadores atestarem o contrário? Não entendo, honestamente que não entendo.
    A não ser, e aqui entro claramente numa leitura conspirativa que não faz muito o meu género, os sindicatos se encontrem dominados por interesses que não apenas os da qualidade da escola pública. Expliquem-me por favor que eu sinceramente não percebo.

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