... ou por muitos caminhos argumentativos que se percorra, não existem fundamentos modernos, sensatos e profissionais que exijam que a avaliação dos professores não se circunscreva à dimensão ensino. É dentro da sala de aula que se tem de avaliar os professores.
Bem sabemos que o sistema escolar do básico e do secundário está inundado de professores que estão há décadas sem componente lectiva, que fogem a sete pés das salas de aula, que estão sempre prontos a inventar burocracia técnico-pedagógica, que vociferaram, ou conspiram, contra a componente não lectiva dos que leccionam e que elevam a despesa que não é investimento. Mas mais: são também esses que advogam a avaliação nas dimensões imensuráveis que pululam no espaço de má burocracia exterior à aula; são esses, os que não leccionam, que asfixiam a possibilidade de ensino; com honrosas excepções, como é evidente.
"Ó Aguiar Branco, tu e a tua comandita é que devia ser avaliados e bem avaliados, depois da borrada que andaram a fazer com a avaliação dos professores. Se não fossem vocês este assunto já podia estar resolvido, mas quiseram ser diferentes!!!! Essas diferenças vocês vão pagá-las caras quando houver eleições! Prejudicar assim uma classe que já foi tão prejudicada e achincalhada! Vocês hão-de ver como é!!!!"
ResponderEliminarOlá,
ResponderEliminarEstou inteiramente de acordo: é a aula, o que a precede e o que se segue a ela, incluindo os resultados lidos numa perspectiva problematizadora.
Desconfio dos modelos de fichas de avaliação e das discussões sobre critérios. Aceitaria alguém com autoridade, um inspector, com quem eu pudesse partilhar os problemas da aula. Sei que num esquema desse género, estaremos à mercê da subjectividade, mas creio que a objectividade, tirando um ou outro aspecto estatístico, não se atinge através de grelhas de pontuação. Julgo duvidosa a validade do número a que se chega. Para além do mais, pode ser redutora, como o foi a classificação do concurso de titulares.
Um professor pode ser muito bom e nunca usar novas tecnologias, embora reconheça a importância destas. Um professor pode ser excepcional num dos critérios e esse único critério que vale só 25% no cômputo geral, justificar completamente a sua classificação como muito bom.
Por isso, acredito numa avalição problematizadora, em que, para ser económica, deve partir duma avaliação externa dos alunos que pode ser feita sob a forma de exames ou provas globais na escola. Se os resultados se destacam pela positiva ou pela negativa, há que investigar o desempenho do professor para o premiar ou para o penalizar e ajudar.
Se a avaliação não estiver relacionada intimamente com a evidência do desempenho externo dos alunos, é inútil. Será apenas um ritual em que iremos tentar ficar o melhor possível no retrato, com o menor desgaste, isto é, com um mínimo de mudanças.
Excelente texto. Colocaste o dedo na ferida. É aí que o combate tem de ser travado.
ResponderEliminarLAPIDAR Paulo. Neste blogue recupera-se o fôlego.
ResponderEliminarDesconheço em pormenor o descrito. Sei de professores que estão há anos em tarefas administrativas e que não dão aulas. Não são tão poucos assim e a cidade em que vivo não é uma grande urbe nem concentra serviços da administração central ou regional. A máquina devora os recursos, sem dúvida.
ResponderEliminarViva a todos.
ResponderEliminarObrigado pelos comentários.
Só um detalhe em relação à proposta do Luís Redes: defendo que os avaliadores externos (inspectores, por exemplo) ou internos, devem exercer as funções por um período limitado, devendo alternar essas funções com anos lectivos em que leccionem. Não advogo a especialização nessas funções: um bom professor será sempre, com algum treino, um bom avaliador. Não haverá é bons avaliadores que desconheçam a "realidade" das salas de aula.
O Paulo pega no ponto nevrálgico e mais difícil de mudar. Coragem e conhecimento serão ingredientes imprescindíveis para pôr fim a isto.
ResponderEliminarBrilhante, para não variar. Ideias como nomes, como se costuma dizer.
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