terça-feira, 9 de março de 2010

marcas

 



Foi daqui


 


Não encontra nenhuma escola portuguesa no ranking global das marcas, aqui, mas nem por isso o conceito deve ser desprezado por quem se interessa pelo bem-estar dos stakeholders destas instituições. Indiquei uma seriação empresarial para reforçar um argumento primordial: da sua consulta, pode concluir-se que uma boa marca leva tempo a construir, os seus sinais identificativos têm de ter estabilidade e a sua alteração requer um estudo muito cuidado e uma grande exigência profissional. E já se sabe: o que levou tempo a edificar pode ser derrubado num piscar de olhos.


 


Desde há muito que se conhece um factor essencial para a criação de uma boa marca escolar: sem sofismas, e dando nomes às coisas, é fundamental que a escola seja preferida pelos encarregados de educação que têm ambição escolar para os seus educandos. A presença desse grupo de alunos numa escola melhora a sua marca: ajuda a reforçar o ambiente de ensino e serve de exemplo e de estímulo aos que não tiveram a sorte de beneficiar da mesma aspiração familiar.


 


Em Portugal sabe-se muito bem disso (demasiado até) e desde os finais do século passado, em que o tímido regime de autonomia escolar deu uns passos associado aos primeiros rankings públicos sobre algumas matérias, a questão começou a obedecer a uma lógica de mercado quase puro e duro.


 


Que ninguém se iluda: a gestão "clandestina" das matriculas de alunos na nossa rede escolar considera a marca como factor primordial e sem autonomia é muito mais difícil a uma instituição escolar caminhar por aí. Mas há quem beneficie com um estado de dispersão e de não afirmação das marcas das escolas públicas.


 


Por exemplo: a quem é que interessa verdadeiramente o agrupamento de escolas? Como pode ler aqui, o objectivo de poupança financeira pode ser alcançado de outros modos: mais racionais e mais estimuladores para a criação de boas marcas. E o erro - definido a régua e esquadro pelo poder central - que se cometeu em agrupar escolas, com identidades e marcas diferenciadas, num amontoado sem corpo nem espírito, protege as instituições que na mesma rede local ou regional mantenham um estatuto não agrupado, principalmente as escolas particulares e cooperativas ou privadas.


 


Até no nome, questão nada despicienda (não gosto nada desta palavra, mas fica), o fenómeno é tratado com uma assustadora falta de profissionalismo. Deixemos, de novo, os sofismas de lado e questionemos a partir da sociedade que existe:



  • é ou não difícil um agrupamento de escolas competir com um colégio?; e um liceu com uma técnica?

  • se uma escola pública tem que ter no nome um 1, 2, 3, ou um C +S, porque é que uma particular e cooperativa não se baptiza como Escola P + C do Sítio x?

5 comentários:

  1. Absolutamente de acordo. Excelente análise. Entre escolas públicas acontece o mesmo. Quem se esqueceu dos liceus e das escolas técnicas? Marcas que perduram.

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  2. Um professor resistente9 de março de 2010 às 21:47

    Escola P+C cativaria alguém? Com um nome assim assinava a condenação de escola para pobres.

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  3. Como alguém costuma dizer, concordo e subscrevo. Cpts.

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  4. Eu também. As ligações indicadas são muito boas, principalmente a dos agrupamentos e cartas educativas.

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