É frequente associar-se a um beco a ausência de saída: pode não ser assim; ou melhor, há sempre a possibilidade de se sair pelo lugar que possibilitou o acesso. E lembrei-me desta metáfora a propósito da situação actual na justa e longa luta dos professores.
Mesmo que em algumas situações históricas tenham estado 120 mil pessoas na rua, sabia-se que tudo isso bem espremido daria um número muitíssimo mais reduzido.
Acompanhei desde o início a luta dos professores, fi-lo muitas vezes por indução - a partir de Santo Onofre -, e os exercícios dedutivos ajustaram-se em conversas com as pessoas mais variadas e com todo o tipo de organizações. Reuniões com partidos políticos, órgãos de escolas, estruturas do ME, sindicatos e movimentos de professores e diálogos com bloggers, professores, deputados e políticos com outros cargos, sindicalistas, membros dos movimentos, jornalistas e com um elenco das mais diversas pessoas que se mostraram interessadas nas polémicas em causa. Em todos os casos encontrei gente independente e até quem colocasse o que considerava justo acima dos interesses individuais ou das organizações.
Todavia, e a exemplo do emagrecimento dos 120 mil, uma grande parte acabou por revelar agendas inconfessáveis e uma anuição cabisbaixa à vidinha e ao "não vale a pena".
Sabemos que é difícil manter o discernimento que eleva as causas e suportar as insinuações do cinismo da política que os portugueses adoram e praticam. Várias vezes advoguei a quebra da coluna vertebral do arco do poder e das ramificações sindicais, e para-sindicais, que o sustentam nestes assuntos. Apesar de ainda recentemente ter criticado as posições nocivas de excesso de garantismo que a esquerda "tontinha" teima em recolher como suas, olho para o quadro partidário - um com uma liderança renovada - e começo a sentir o reforço das amarras que vão aprisionar ainda mais o poder democrática da escola e a escola pública. Mas mais: quem perpetra esse asfixiamento não está apenas a defender a privatização do orçamento da Educação; está convicto, e errado, que assim reduz despesas.
E é precisamente nestes momentos de crise nas lutas, em que tudo parece meio perdido, que devemos olhar para dentro e questionar as nossas opções: em quem é que podemos confiar? (mas confiar mesmo).
Dá que pensar...
ResponderEliminarÉ um erro comum pensar que só se pode negociar com quem é de confiança. Quem está informado pode negociar com qualquer aldrabão sem sair lesado.
ResponderEliminarQuanto às lutas também não é uma questão de confiança mas de imaginação. O que faz falta não são uniões mas soluções. Uma pessoa munida da solução pode bastar.
Viva aos três.
ResponderEliminarFausto: ai dá, dá. E é bom que comecemos mesmo a pensar.
Francisco Santos: tento manter o registo e a linha editorial; quanto a estas matérias tenho ideia que a coerência tem feito parte das minha reflexões; talvez não tenhas percebido uma coisa: sou um diplomata, respeito os outros, mas a paciência tem limites; procuro a determinação quando sei do que falo e lido muito mal com os oportunismos e com os que defendem os seus lugares à custa do sacrifício dos interesses dos outros;
Gepeto: muito interessante; concordo plenamente; nestas matérias é difícil de implementar;
Excelente comentário. Onde é para assinar?
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