São as siglas de novos diplomas que passam a reger um sistema escolar desfeito em pedaços: Estatuto da Carreira Docente ECD (tem piada ser um 75/2010), aqui, e Avaliação do Desempenho Docente ADD (tem piada ser um 2/2010), aqui.
A responsabilidade por estes textos é do governo. Existiu um acordo de princípios com os sindicatos. Segundo os que se sentaram na mesa de negociação, o acordo foi respeitado integralmente, como pode ler aqui. "Não foi o que queríamos, mas foi aquilo que se conseguiu", dizem. Percebo e não percebo esta parte. Se por um lado numa negociação não se ganha tudo, por outro, é bom que se não esqueça que quem estava fragilizado (e por mais de uma vez, tanto em 2008 como em 2010) era o governo.
A luta em defesa do poder democrático da escola pública continua. A agenda neoliberal (de new management da função pública) levou uma série de pesadas derrotas. Isso deveu-se à coragem e à abnegação de muito professores. O estatuto que foi hoje publicado não tem titulares (é uma grande vitória dos professores e só numa tentativa de revisionismo se pode dizer que é um resultado do acordo de princípios) nem nada que se pareça. O modelo de avaliação é uma manta de retalhos (sempre foi, claro), está sem norte e só será aplicado num registo de farsa e fingimento. Ainda voltaremos a ouvir falar de situações inenarráveis à volta desta avaliatite incontinente.
Os professores só podem levantar a cabeça e sentir orgulho no papel que desempenharam em defesa da democracia e na lição de cidadania que deram ao país. O resto virá com determinação e com o tempo.
Visão clara, sensata e informada. Obrigado por tudo. Continue sff.
ResponderEliminarÉ insuficiente!!! Faltam muitas batalhas. Talvez se continue a falar em derrota dos sindicatos. Têm medo do PEC? Quem é que arranjou esta crise? Não entendo.
ResponderEliminarA FENPROF SÓ PODE ESTAR A GOZAR COM OS PROFESSOES!
ResponderEliminarDecreto-Lei n.º 75/2010, de 23 de Junho
Acabou a divisão da carreira docente!
Com a publicação do Decreto-Lei n.º 75/2010, de 23 de Junho, é eliminada a divisão da carreira docente, contra a qual os professores e educadores tanto lutaram. É esse o aspecto mais importante de quantos integram o novo Estatuto da Carreira Docente (ECD), a par, naturalmente, da possibilidade de milhares de docentes, que têm estado impedidos de progredir na carreira, poderem, de novo, fazê-lo. Outros aspectos igualmente importantes deste novo ECD são: a consagração do direito à negociação;a obrigatoriedade de o concurso ser o processo normal de recrutamento de docentes;a manutenção dos quadros de escola e agrupamento, determinando o ingresso na carreira por parte dos docentes que neles venham a ser providos; a dispensa de submissão a prova de ingresso por parte de todos os docentes contratados que já alguma vez tenham sido avaliados com Bom. Há, contudo, aspectos dos quais a FENPROF discorda, razão por que continuará a pugnar pela sua alteração
Viva Donatien.
ResponderEliminarConcordo.
O fim da divisão da carreira é uma vitória dos professores e ponto final. É abusivo um qualquer sindicato reivindicar para este acordo esse derrube.
Falta muito, mas já é qualquer coisa. Em frente é que é o caminho.
ResponderEliminarEnquanto sindicatos aplaudem este novo estatuto, é publicado lista de ordenação para o concurso 10/11. Avaliação injusta, parcial e incorrecta do ano passado conta e prejudica muito boa gente. É uma palhaçada. Dá com uma mão e tira com a outra. Sindicatos ingénuos.Não me venham pedir para ir para manifestações em sindicatos procuram defender professores internos e dos quadros. Contratado é igual a nada e eu não conto para nada.
ResponderEliminarConcordo com o texto e principalmente com o seguinte: ". O modelo de avaliação é uma manta de retalhos (sempre foi, claro), está sem norte e só será aplicado num registo de farsa e fingimento. Ainda voltaremos a ouvir falar de situações inenarráveis à volta desta avaliatite incontinente."
ResponderEliminarViva Paulo,
ResponderEliminarO que não podemos mesmo esquecer é o problema da ADD nos concursos. Aquilo que o Nuno Castanheira escreve é a realidade de muitos e muitos milhares de contratados e eu conheço vários exemplos. Professores que lutaram na primeira linha de resistência ao modelo de ADD e agora ficaram para trás na lista graduada. É um escândalo e para mim uma das páginas mais negras desta luta. Como já referi, e sempre defendemos nos movimentos independentes, a primeira questão a resolver como pré-requisito para iniciar negociações com vista a um Acordo seria a eliminação de todos os efeitos das avaliações decorrentes da farsa que foi o modelo de ADD que acaba de sofrer uma nova e miserável maquilhagem, sufragada pelo Acordo, que não pelos professores. Mal consigo descrever a revolta que tal situação me provoca. Desculpa o desabafo que já vai longo... a minha solidariedade vai toda para o Nuno Castanheira e tantos outros como ele.
Abraço
Viva Nuno.
ResponderEliminarContinuarei a denunciar essa arbitrariedade.
Força aí.
Viva Ricardo.
ResponderEliminarTens razão. Já tenho dezenas de posts sobre o assunto. Nos últimos dias foi mais mega-doidice e ECD e ADD. Mas não podemos deixar que isso caia no esquecimento.
Abraço tb para ti.
Força aí.