quarta-feira, 6 de outubro de 2010

sistema, verdades e finanças

 


 


 



 


 


Talvez não convenha fazer grande alarido com receio da rebelião das massas; talvez. Até porque são muitos os que estão comprometidos.


 


O sistema monetário internacional não tem grandes duvidas: "(...) A crise económica mundial ainda não está resolvida. E o principal calcanhar de aquiles está na banca. (...)No seu relatório semestral sobre a estabilidade financeira do globo, o Fundo assinalou que, no sector bancário, os riscos agravaram-se durante os últimos seis meses e avisou os governos de que podem ver-se obrigados a recapitalizar ou reestruturar algumas instituições, se quiserem evitar uma crise capaz de relançar a economia mundial de novo em recessão(...)".


 


A notícia que linkei não faz a primeira página da edição impressa do Público. Só lá mais à frente, na página 25, é que aparece a evidência. A capa fica para os mentores da cooperação estratégica: compromisso e estabilidade (ou, cá para mim, a receita dos "desesperados"). Critérios respeitáveis, os jornalísticos, mas não acima da crítica. A anestesia é efémera, mesmo que tomada em dose dupla.


 


Ontem vi Mário Soares dizer, timidamente, que temos de saber o que se passou com o dinheiro injectado nos bancos. Começa a revelar-se o buraco sem fundo do subpraime. Os governos não podem encolher os ombros e limitarem-se a penalizar os que sempre pagaram os impostos. Foram cumplices conscientes no desastre. Os votos exigiram um bem-estar social artificial alimentado pelo desvario bancário. No caso português acrescentou-se o aprisionamento do estado pelos interesses que se passeiam na cooperação estratégica e a comprovada corrupção a que voltarei num próximo post.


 


Chegados a este ponto, é inaceitável que se queira manter a receita financeira. Bem sabemos que o imobiliário edificado (e com licença comprometida de edificação) em excesso não pode ser implodido e que não há quem o pague ou lhe pegue. Nem a descoberta de vida noutro planeta pode ser salvação para os tempos mais próximos. Exige-se verdade e coragem. Não bastam uns sedativos à espera que a coisa se resolva por si.

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