Sei que quando critico os sindicatos de professores crio algumas incompreensões. Sou humano e nada que o é me deve ser estranho. Aprendi há muito o que enunciei e não me esqueci.
Por outro lado, quem se senta na mesa de negociação, seja governante ou sindicalista, não é de outro planeta (sei que por vezes parece, mas pronto).
Dito isto, deve sublinhar-se: só se assinaram entendimentos, em 2008, e acordos, em 2010, porque quem empunhou as canetas tratou da vidinha, sabia que estava fora da descomunalidade desta avaliação e garantia o mesmo estatuto aos seus mais próximos.
No auge da implosão escolar, li uma proposta da Fenprof e não tive dúvidas do desastre. A equipa que a produziu, liderada por João Videira (pelo menos era quem dava a cara e agora passou-se para o ME), defendia um modelo recheado de mesma má burocracia e com uma nomenclatura diferente. Tinha uma particularidade elucidativa: um prémio pecuniário, anual e por escola, aos professores que se "destacassem". Para além da sensatez mínima reconhecer que ao fim de dois ou três anos de vigência o desmiolo arrasaria com qualquer clima relacional, a brutalidade sugerida é uma fiel depositária da lógica que nos desgraçou (pesei bem as palavras).
É para respirar fundo, carago. Quem fala assim não é....
ResponderEliminarA versão final do decreto-lei que extingue a Área de Projecto e consagra outras alterações curriculares no ensino básico contempla algumas das recomendações feitas pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), que se pronunciou contra aquele diploma, garantiu ao PÚBLICO o Ministério da Educação. Cavaco já o promulgou.
ResponderEliminarO diploma foi aprovado na reunião do Conselho de Ministros de 25 de Novembro. As recomendações do CNE foram aprovadas algumas semanas depois, a 14 de Dezembro. O decreto-lei já foi promulgado pelo Presidente da República, confirmou ao PÚBLICO o assessor de imprensa de Belém. Também o presidente da Confederação Nacional de Associações de Pais, Albino Almeida, indicou ao PÚBLICO que, numa reunião há duas semanas, o secretário de Estado da Educação lhes garantiu que foram incorporadas no diploma recomendações dos parceiros.
No comunicado do Conselho de Ministros de 25 de Novembro informa-se que este procedeu à aprovação final do diploma que "elimina a Área de Projecto e o Estudo Acompanhado do elenco das áreas curriculares não- disciplinares, procedendo à segunda alteração ao Decreto-Lei n.º 6/2001, de 18 de Janeiro". Estas medidas entram em vigor no próximo ano.
O ministério não esclareceu em que alturas foram introduzidas as recomendações do CNE. A assessora do CNE informou não ser possível indicar em que data chegou àquele organismo o último projecto, mas afirmou que "o parecer foi sobre a versão aprovada a 25 de Novembro" pelo Governo.
Já Albino Almeida, que na qualidade de presidente da Confap tem assento no Conselho Nacional de Educação, garante que já depois da aprovação do diploma em Conselho de Ministros chegou ao CNE uma nova versão, consubstanciando o que o primeiro-ministro, José Sócrates, anunciara na Assembleia da República depois de, no dia 7 de Dezembro, terem sido conhecidos os resultados dos testes do PISA.
O PISA é um estudo da OCDE que se destina a medir as competências dos alunos de 15 anos. Pela primeira vez, os alunos portugueses aproximaram-se da média da OCDE. Uma das razões apontadas para esta melhoria foi a de, nos últimos anos, os tempos lectivos de Estudo Acompanhado e Área de Projecto terem vindo a ser utilizados para reforçar as aprendizagens de Matemática e Língua Portuguesa.
Estudo Acompanhado
As alterações curriculares do ensino básico e secundário estavam já contempladas na proposta de Orçamento do Estado para 2011 com o objectivo de reduzir o número de professores e diminuir custos. Na altura, o ME esclareceu que, ao contrário de Área de Projecto, que será extinta a partir do próximo ano lectivo, o Estudo Acompanhado iria continuar mas apenas para alunos com "efectivas necessidades". Na matriz de organização curricular que acompanhava o diploma não estavam, contudo, reservados tempos para esta disciplina.
No dia 11 de Dezembro, José Sócrates anunciou no Parlamento que, do horário semanal atribuído àquela disciplina, "um tempo lectivo será obrigatoriamente alocado à Matemática". O ministério reafirmou no mesmo dia que esta disciplina será só para alunos com dificuldades.
No parecer de 14 de Dezembro, o CNE, que é um órgão consultivo do Governo e do Parlamento, opõe-se a esta restrição: "Reduzir o Estudo Acompanhado a alunos com dificuldades de aprendizagens é insistir numa concepção de escola de remediação". O CNE sublinha também que, "uma vez definido como componente nacional, o Estudo Acompanhado deveria ser para todos os alunos, pois, doutro modo, introduz-se um elemento de discriminação curricular".
Diploma do particular também foi alterado
Reconheço.
ResponderEliminarObrigado.
ResponderEliminarPois é Paulo,
ResponderEliminarcoincidência? não me parece.
É notável como o movimento sindical é criticado globalmente, quando está perfeitamente identificada a fonte de onde partem os colaboracionismos e as propostas disparatadas. Desde os videiras, aos proenças, com a conivência e o aplauso dos seus amigos laranjas (e de alguns que se reclamam da "esquerda grande") que os ajudam na ugetização do movimento sindical unitário.
E depois surge a acusação da dependência sindical em relação ao PCP.
Aguardo pela diferença que façam os "in"dependentes.
Abraço e que não chova logo à noite, é o que te desejo.
F.
Viva Francisco.
ResponderEliminarCoincidência? Então?
Por acaso, neste texto tinha uma frase em que dizia: e só adianta discutir a da Fenprof, porque os outros sindicatos são o que se sabe. Mas tirei-a.
Não me engavetes, não vale a pena, e não procures uma qualquer agenda escondida ou sei lá o quê.
Não chove. Não apareces?
Abraço.