Nuno Crato é professor de Matemática no Instituto Superior de Economia e Gestão, em Lisboa. O seu livro “o eduquês em discurso directo” tem-me acompanhado durante dias: leio, reflicto, formo opinião, concordo e discordo. Inscrevem-se alguns dos aspectos fundamentais que têm feito parte do vasto património da docimologia.
A investigação em Educação é uma parte da pesquisa sobre o conhecimento humano. Trata-se de perceber a melhor maneira de ensinar e de tentar compreender como é que cada um processa a aprendizagem. Árdua tarefa e aliciante desafio, tão labiríntico como as descobertas a propósito do genoma humano. A quase ignorância sobre o modo como se aprende, não nos pode levar a uma maré de incertezas: há que detalhar primeiro e escolher depois, uma vez que milhões de aulas são leccionadas todos os dias.
Há ainda outro princípio: não se deve considerar que uma corrente pedagógica foi, em qualquer tempo, generalizada. Por aquilo que a experiência me diz, as discussões à volta das correntes passam ao lado das escolas e dos seus actores. O modo de se tentar perceber a totalidade, é considerar que cada indivíduo é uma singularidade: para o bem e para o mal.
Mas voltando ao livro, e àquilo que de mais interessante retiro, saliento uma ideia que está escrita mais ou menos assim: a educação escolar está cheia de lugares-comuns, alguns de uma gritante inadequação, com as naturais relevâncias: interdisciplinaridade como locomotiva curricular para crianças e jovens que pouco sabem ainda sobre cada uma das matérias ou que se pode aprender sem esforço e sem trabalho.
(1ª edição em 18 de Novembro de 2006)
Há um núcleo duro do objecto criticado pelo Nuno Crato é o construtivismo. Se o lermos com atenção, veremos que, não são só as leituras românticas dos psicólogos construtivistas, como Piaget e Bruner, mas são as próprias teorias destes que estão erradas nos seus fundamentos.
ResponderEliminarHá uma modernidade pedagógica feita dos retalhos mais díspares que se podem imaginar, como se fossem todos coerentes e coincidentes e não são.
Por exemplo, a gramática generativa é totalmente não construtivista, mas foi uma moda construtivista, na medida em que, se pensava que através da rescrita de árvores de frases, as crianças descobriam a gramática.
Também não podemos pôr de lado, liminarmente, todas as contribuições dos psicólogos construtivistas. Mas, a verdade, é que a psicologia do Piaget tem sofrido críticas muito duras, por todos os lados.
E falta saber se Piaget pensava nesta organização escolar.
ResponderEliminarPiaget nunca pensou em nenhuma organização escolar. O trabalho dele é todo feito com base em entrevistas clínicas, em dueto, investigador e criança.
ResponderEliminarClaro. Isso mesmo. O mesmo passou-se com o psicoterapeuta Carl Rogers. Fazer do que ele escreveu uma corrente pedagógica a generalizar num sistema escolar...
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