Se a responsabilidade é a pedra-de-toque de uma boa administração pública, é fundamental que se respeite a asserção: a autonomia não se decreta; exerce-se. É, contudo, oportuno inscrever a questão de Luhmann (1989) que nos interroga sobre os motivos que levariam um indivíduo a ser honesto no escuro.
Luhmann, N. (1989).
La moral social y su reflexión etica.
Barcelona: Antropos
Já lhe chamaram muita coisa, mas "escuro" é, de facto, o que melhor se aplica a uma boa parte da administração pública em Portugal.
ResponderEliminarViva Ana.
ResponderEliminarO parágrafo continua mais ou menos assim: Seria porque o deseja ou porque há procedimentos e regras de controlo dos comportamentos? É natural que não se consiga responder univocamente a este problema. Contudo, pode servir-nos para reflectirmos sobre a responsabilidade nestes assuntos.
Penso que o indivíduo devia desejar "ser honesto no escuro", de modo a que os procedimentos e regras de controlo dos comportamentos constituíssem apenas uma moldura de valorização dos seus princípios intrínsecos.
ResponderEliminarEstes valores deviam ser incutidos pela família, desde as primeiras aprendizagens civilizacionais e desde os primeiros momentos de socialização, como definição de personalidade e formação pessoal, para, mais tarde, se repercutirem naturalmente em todos os contextos de interacção do indivíduo, inclusive em contexto profissional, no exercício da inerente responsabilidade.
Contudo, de tão subjectivos que a educação/os valores são, isto não passa de uma utopia, bem sei.
Aliás, se assim fosse, nem sequer seriam necessárias regras e procedimentos de controlo dos comportamentos!
Lembrando-me de Thomas More, de há muitas leituras atrás, suspeito que o indivíduo que não possua estes valores intrínsecos também não tenha escrúpulos em violar qualquer protocolo, mesmo às claras, se tiver oportunidade para tal.
Daí que as asserções de Luhmann possam ter um carácter eminentemente utópico, não?
Concordo. Talvez por isso tenha escrito: É natural que não se consiga responder univocamente a este problema. Contudo, pode servir-nos para reflectirmos sobre a responsabilidade nestes assuntos.
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