terça-feira, 13 de março de 2012

a gestão escolar no país das rotundas

 



 


 


Mudamos de forma compulsiva e não saímos do mesmo sítio, é uma ideia que nos ajuda a compreender o estado organizacional do sistema escolar. A organização é terraplenada com frequência e a gestão escolar é um bom exemplo. Salvam-se os alunos com mais sorte social e os professores que, apesar de tudo, conseguem que as salas de aula "ignorem" o que as rodeia.


 


Para satisfazer o desmiolado concurso de professores titulares associado a uma série de ideias tayloristas e de hierarquização férrea (os professores, e a sua avaliação, eram os principais culpados pela falência não anunciada do país), as escolas foram normalizadas com um número igual de departamentos (mega-estruturas que chegaram a acolher mais de 100 professores por reunião) coordenados por um não eleito.


 


Como se previa, a coisa não durou muito. O número de departamentos será liberalizado e os coordenadores de novo, obrigatoriamente, eleitos (alteração que nos devia ter envergonhado mesmo). É evidente que estas alterações são importantes para a recuperação do poder democrático. Mas são insuficientes. Um mesmo modelo não pode governar organizações com escalas tão diversas e a primeira questão que se deve colocar a este nível é simples: qual é a utilidade dos departamentos curriculares? Se a pergunta fosse pela negativa teria, decerto, respostas imediatas e fundamentadas.


 


E depois há este conjunto de questões fundamentais que exigem o tempo que parece não existir, o estudo que dá ideia que foi eliminado deste nível de decisão (os investigadores existem para ornamentarem as decisões já tomadas) e a convicção no valor da democracia que se receia que esteja em plano inclinado.

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