O que mais custa verificar é que todo o discurso à volta da autonomia na gestão dos horários esconde mais um corte acentuado nos empregos (sim, ninguém deve ter vergonha de defender um emprego público conseguido através de concursos nacionais e de muito esforço) dos professores que já são, a par dos médicos, os principais contibuidores para metade da redução orçamental verificada através de cortes nos salários, nos subsídios e de situações de desemprego.
Fica mais uma vez adiada a promessa de falar verdade. Esta repetição que considera que os professores não raciocínam pode voltar a dar maus resultados.
O Nuno Domingues, do blogue educar a educação, faz uma análise que deve ser lida.
Encontra as matrizes aqui.
Vem aí muito desemprego docente. Vem mesmo!
ResponderEliminarAgora as horas lectivas surgem todas ao pacote… em prol da famigerada autonomia, óbvio!
Estudei só um exemplo: Português (finalmente, designaram a disciplina como recomenda o Novo Programa de Português do Ensino Básico, em vigor desde 1 de Setembro de 2011).
Então é assim...
Português - 2º Ciclo:
Actualmente tem 270 minutos (90+90+90), mais um tempo do que no ano lectivo anterior.
Agora vai poder ter só 200 minutos, porque vem num pacote de 500 minutos a repartir também por Inglês e História e Geografia de Portugal. Dividindo por tempos de 50 minutos, poderão ser 4 tempos para Português (menos 2 do que no presente), 3 tempos para Inglês e 3 tempos para História e Geografia de Portugal. Ou 5 tempos para Português, mas com uma destas duas disciplinas apenas a 2 tempos.
Seja como for, com turmas de 30 alunos, veja-se quantos horários haverá a menos.
E como se organizarão os horários das escolas?
Com múltiplos de 50 minutos, mas em Educação Moral e Religiosa Católica só 45 minutos?
Sem toques?
Imagine-se a confusão que vai ser.
Repare-se também na carga atribuída ao Apoio ao Estudo: 200 horas. De oferta obrigatória para a escola e frequência facultativa para os alunos, com o acordo dos pais.
Em que componente virá regulamentada, no que ao horário docente diz respeito? Por esta matriz, será na componente lectiva, mas com o alcance destas medidas e a transparência deste Governo… não sei, não!
Português - 3º Ciclo:
Também não estiveram de modas: deram mais 45 minutos no presente ano lectivo e agora tiram 25 minutos.
Se os tempos letivos forem de 50 minutos, como não se vislumbra grande alternativa, passa-se de 5 tempos semanais para 4 tempos.
Mais uma vez com turmas de 30 alunos, quantos horários haverá a menos?
Já nem estudei as outras disciplinas, para as quais, provavelmente, será muito pior o cenário.
Chocante!
Assim se cortam milhões no orçamento do MEC!
Em nome da autonomia das escolas, do reforço das disciplinas essenciais, do rigor das aprendizagens, da exigência?
Lembrei-me de outra mais-valia desta inovação:
ResponderEliminarA partir do próximo ano lectivo, a maior parte das escolas estará agregada em mega-agrupamentos, muitos deles com os mesmos ciclos de ensino.
Como serão tomadas as decisões quanto à carga horária das disciplinas, necessariamente até ao final do presente ano lectivo?
Cada escola/agrupamento actual decide por si, correndo o risco das opções serem diferentes dentro da mesma agregação futura?
Terão as agregações futuras de se organizar ainda este ano lectivo para tomar estas decisões que se adivinham tão "simples"? Como? Reunirão dois, três ou mais conselhos pedagógicos, em assembleia, até ao final de Julho, para deliberações tão "pacíficas" como esta? Quem presidirá a essas mega-assembleias? Onde está legitimada a sua existência?
Caso cada escola de uma futura agregação decida por si, como se conciliarão os horários dos docentes que tenham de repartir-se por mais do que uma escola da sua agregação?
E como se elaborará um Projecto Educativo Comum, mais sólido, articulando diferentes realidades num mesmo ciclo de ensino e os diversos ciclos entre si?
E que Projecto Curricular terá essa futura agregação com cargas horárias diferentes?
Como e quando se prepará o novo ano lectivo, com delírios desta dimensão?
Para além de nos subtraírem os subsídios, preparar-se-ão para nos subtrair as férias, o mês de Agosto?
E só eu, uma "zeca" da parvónia, é que penso nestes problemas?
Onde é que o ministro Crato anda com a cabeça?
Quando é que vai acabar o caos no Ensino em Portugal?
Muito obrigado pelo contributo Ana.
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