Concordo que se centre o ensino nos conteúdos e que se subalternize o conjunto quase vazio denominado de livro de competências. Na docimologia tem sido sempre assim: regressamos a sítios anteriores e a oportunidade faz com que apresentemos ideias do passado, muitas vezes abandonadas de forma modista e precipitada, como os caminhos do mundo moderno; no caso actual os EUA e a Grã-Bretanha.
Foi isto que me surpreendeu, ontem, nas imagens de Nuno Crato a falar das metas curriculares. Também me impressionou a pressa e o momento escolhido. Não é bom sinal.
Metas ou objectivos fazem parte da organização do ensino há mais de 40 anos e em Portugal também. A divisão entre gerais, específicas e operacionais generalizou-se na década de oitenta do século passado e as primeiras, as gerais, davam ao processo um ar etéreo e inatingível. Nos programas escolares do início da década de noventa, foram estabelecidas, de forma exaustiva e bem estruturada, metas curriculares (standards) por ano de escolaridade e ficou por fazer a rede do essencial (core standards), embora muitas escolas e grupos disciplinares o tenham realizado.
Em 1998 apareceu o tal livro de competências e desprezaram-se os programas. Os professores, felizmente e em muito casos, não. E porquê? Porque tinham que ensinar todos os dias e porque começaram a perceber que o sistema escolar estava a ficar entregue a "reformistas compulsivos, iluminados e atrevidos". Comprovou-se que tinham razão.
Quanto o actual ministro apresenta o assunto como o fez, dá mais uma machadada na imagem da escola pública. Quem não conhecer a história da pedagogia em Portugal, pensará que temos tido um ensino não estruturado, e sem metas, até à chegada de Nuno Crato. É como sabemos: o eduquês não tem remédio, apenas se disfarça, e quando um sistema entra em plano inclinado há sempre espaço para mais devaneios.
Metas curriculares vão ser obrigatórias. Agora estão em discussão
Concordo em absoluto contigo.
ResponderEliminarIluminado ministro. Anda às escuras e julga que tráz novidades.É tudo "tretas".
ResponderEliminarObrigado Moriae :)
ResponderEliminar:) :)
ResponderEliminarPelo menos parece.
ResponderEliminarConfesso que estas Metas me deixaram perplexa.
ResponderEliminarFiz 120 horas de formação para o Novo Programa de Português do Ensino Básico (NPPEB) – Nível I, em 2009/2010, com uma deslocação quinzenal a 30 kms de distância de casa, sem qualquer redução horária (quer na componente lectiva, quer não lectiva) porque a DGIDC se desorientou e tardou em comunicar com a minha escola, fazendo-o já quando o horário me estava atribuído. Fiz este “voluntariado” para não prejudicar a escola, que ficaria sem esta formação, uma vez que não teve culpa nenhuma no processo. Passei esse ano a orientar a respectiva formação, também quinzenal, na minha escola, para catorze colegas de Português. Em 2010/2011 todos fizemos a formação de Nível II (50 horas).
Entretanto, este ano todos tivemos 90 minutos na componente não lectiva para aplicar o NPPEB no 5º e 7º ano e preparar os próximos. Os manuais em causa são novos, escolhidos em Junho de 2011 para seis anos. Os novos manuais para os 6º e 8º anos, com o NPPEB, também já foram escolhidos (até 18 de Junho), com a particularidade de nos ter sido imposta a selecção conjunta do manual de 8º ano com a escola a que vamos agregar a partir do próximo ano lectivo, o que foi obra, pois é difícil arranjar consensos a magotes de pessoas, obviamente! Foram manuais adoptados também para seis anos.
Qual não foi o meu espanto quando verifiquei que as Metas de Língua Portuguesa estão definidas à revelia de tudo isto! Por exemplo, o AUTO DA BARCA DO INFERNO sempre foi leccionado no 9º ano, surgindo agora no 8º ano, sem que nenhum manual o contemple. Vamos andar seis anos a fazer fotocópias da obra e de todos os demais textos agora previstos, para obedecer aos caprichos das Metas, que se inspiraram sabe-se lá onde e saíram tarde e más horas?
Isto é que é ENSINO ESTRUTURADO?
Que mais será congeminado este Verão, para aplicação obrigatória no futuro próximo, que deite por terra todo o trabalho feito até agora?
É verdadeiramente inacreditável e dá vontade de fugir.
É Ana. Muito obrigado pelo comentário.
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