domingo, 13 de janeiro de 2013

tríptico de obsessões

 


 


 


1ª edição em 16 de Janeiro de 2012.


 



 


 


Racionalizar a despesa, detectar os "incompetentes" e acabar com as escolas como uma coutada esquerdista, foram três das obsessões que fizeram escola no MEC neste milénio e que mereceram o aplauso do mainstream. Ilusório, esconderijo de sobredotados incompreendidos e estado-de-sítio-pegagógico-organizacional-e-relacional foram os respectivos resultados e que nos empurraram para o estado em que estamos no sistema escolar. Não adianta escamotearem ou sequer atenuarem: quem está no terreno reconhece o desânimo que se apoderou e que vai para além da troika e da bancarrota.


 


Reduzir a despesa com cortes na massa salarial é um metabolismo básico. Quando falamos de desperdício no sistema escolar, falamos ainda de quê? Desde que haja abandono ou insucesso e desemprego após as certificações, o argumento de mau financiamento alimenta-se. E podíamos ficar a noite toda neste tipo de argumentação. "Sísifo" ensinou-nos, mas não aprendemos.


 


A massa crítica do MEC continua convencida que racionalizar com um mega-agrupamento por concelho é imperativo. Isso exigia toda uma lógica diferente de gestão: a começar pelos sistemas de informação das organizações e por outros instrumentos na relação com as pessoas (abandono do taylorismo, por exemplo). O que se vê é um amontoado que não comove o apuramento dos números e que abomina um conhecimento essencial à gestão: o das humanidades.


 


A lógica inerente à avaliação de professores, à gestão escolar e ao estatuto da carreira de professores, obedeceu à necessidade de redução da despesa e à detecção dos "incompetentes". Se é certo que a nossa sociedade tem dificuldade na relação olhos-nos-olhos, também não é errado afirmar que não se conhece qualquer auto-incompetente. E como passamos a vida a excluir e a nivelar por baixo, não nos devemos admirar com as falências cíclicas.


 


O terceiro painel deste tríptico, remete, obedecendo à contenção em caracteres, para 2008.


 


Cada vez me convenço mais que o corte na coluna vertebral dos professores, foi cozinhado numa qualquer loja lisboeta e que os figurantes mediatizados eram instrumentais. Só Freud explicará o que levou o arco-governativo a construir a percepção errada e devastadora de que o partido comunista mandava nas nossas escolas. Para além disso, convenceram-se que os professores do não superior eram uma massa-não-pensante e fácil de partir como o esparguete. Foi o que se viu. E o subconsciente nunca nos engana, como comprovam os efusivos e recentes abraços aos chineses do partido comunista (sem qualquer intenção pejorativa).

9 comentários:

  1. Impecável e bem ilustrado...
    Abraço S.M.
    Comme il fault...

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  2. Muito bem analisado! Parabéns! Subscrevo na yotalidade! Essa de achar que as escolas eram dominadas pelo PCP só mesmo Freud poderá explicar! :)))
    Abraço. Paulo!

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  3. na "totalidade", claro! No que dá a pressa! :))

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  4. Brilhante prosa! Parabéns.

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  5. A antiga ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, e o advogado e ex-professor universitário João Pedroso vão ser julgados por prevaricação nas Varas Criminais de Lisboa.
    Em causa está o facto de a ex-governante, actual presidente da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD), ter, no exercício das suas funções, estado envolvida na contratação do irmão de Paulo Pedroso para o “beneficiar patrimonialmente”, provocando desta forma um “prejuízo para o erário público”, alega o Ministério Público. O crime é punido com pena de prisão entre dois e oito anos.

    A pronúncia, decidida hoje por um juiz do Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa, abrange também a antiga chefe de gabinete, Maria José Matos Morgado, e o então secretário-geral do ministério, João Silva Baptista, ambos acusados de serem co-autores da prevaricação.

    O PÚBLICO tentou hoje contactar, sem sucesso, Maria de Lurdes Rodrigues, através da FLAD, e João Pedroso, através do seu escritório de advocacia. Ambos estavam fora do país, a primeira apenas por alguns dias, o segundo até, pelo menos, ao final do mês.

    Ao fim do dia, Maria de Lurdes Rodrigues emitiu um comunicado onde reafirma que a acusação que lhe foi feita há meses, validada agora por um juiz, “é injusta e infundada”. “Enquanto ministra da Educação, o meu comportamento pautou-se sempre por critérios de legalidade, rigor, isenção e respeito pelo interesse público, o que seguramente ficará demonstrado”, afirma a professora universitária, na nota. E completa: “Aguardarei, com total serenidade, o rápido desfecho deste caso”.

    O PÚBLICO tentou ainda contactar João Pedroso através do seu telemóvel não tendo o advogado atendido qualquer das chamadas.

    Segundo um comunicado emitido há meses pelo Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa, os quatro funcionários foram acusados por despacho datado de 15 de Junho do ano passado. “Os factos suficientemente indiciados são relativos à adjudicação directa de vários contratos nos anos de 2005, 2006 e 2007 ao arguido professor universitário, com violação das regras do regime da contratação pública para aquisição de bens e serviços”, lia-se na nota. “ Tais adjudicações”, acrescenta-se, “não tinham fundamento, traduzindo-se num meio ilícito de beneficiar patrimonialmente o arguido professor com prejuízo para o erário público, do que os arguidos estavam cientes”.

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