"Não esqueceremos Maria de Lurdes Rodrigues nem a guerra que promoveu contra os professores. "Perdi os professores, mas ganhei a população!", lembram-se? Os professores reagiram e Maria de Lurdes Rodrigues foi embora.
Nuno Crato, pelo contrário, não está em guerra com os professores. Nuno Crato está em guerra com os pais. E com os cidadãos, em geral.
Professores escorraçados, horários zero, professores contratados sem trabalho, escolas com falta de professores, etc., são apenas efeitos colaterais de um processo que visa chegar mais longe: Nuno Crato quer acabar com a educação para todos, a educação gratuita e universal garantida na Constituição.
O que está na cabeça de Nuno Crato é um sistema de ensino que promova um processo de darwinismo social sustentado pelas próprias vítimas: o ensino de um grupo privilegiado financiado por todos, inclusive por aqueles a quem nenhum cheque ensino permitirá entrar em nenhum colégio. Porque é da liberdade de escolha das escolas particulares e cooperativas que se trata, não da liberdade de escolha dos pais. Melhor dizendo, nem se trata de liberdade, mas de escolha, selecção e consequente marginalização.
Para um governo sem escrúpulos (cujo repertório conceptual, em termos éticos, é demasiado reduzido) o facto de ficarem de fora os filhos da maioria dos contribuintes – sobretudo daqueles que já empurrou para os limiares da sobrevivência – não é factor de peso: “liberdade de escolha” é apenas o cliché necessário ao processo de lavagem dos recursos roubados ao erário público para financiar o negócio da Educação com os privados.
Como nos tempos de Maria de Lurdes Rodrigues, ouvem-se as vozes dos professores. Mas não se ouvem as daqueles a quem, verdadeiramente, as medidas de Nuno Crato vão atingir: as das crianças e jovens privados do direito a um ensino que lhes garanta um futuro digno. ESTÃO-LHES A FALTAR OS PAIS.
Está-lhes a faltar a sociedade civil."
Manuela Silveira.
Professora de Filosofia.
Comissão de representantes do movimento
"Em defesa da escola pública no oeste".
Excelente análise, rigorosa e contundente como é urgente!
ResponderEliminarSome-se ainda outro despautério, que prova a amnésia destes senhores e a sua arrogância ex-cathedra: a razia, como entulho a despejar, de todo o saber constituído no âmbito das orientações curriculares e a sua "substituição" por um "enlatado" de qualidade duvidosa a que chamam "metas curriculares". Mais uma receita sebastiânica para os males da nossa pedagogia, porque os professores, coitados, precisam das luzes que cintilam do alto, generosamente oferecidas por uns luminares, de pacotilha.
Os professores, camaleões de pele endurecida, vão ter de formar-se na nova cartilha, o Ministério pensou em tudo ...
Estaline, esse, revira-se na tumba, mostra os dentes apodrecidos pelo tabaco, e ri desbragadamente até a baba correr pela gola do casaco.
Cá em baixo, a maioria faz-lhe um gesto de abominação.
Obrigado, Manuela, não percas nunca a tua lucidez combativa!
Quem ouviu hoje na SIC-Notícias (no Opinião Pública) o novo líder da Confap defender a Escola Pública ficou bem ciente da diferença de postura e de discurso entre o actual líder da Confap e os seu antecessor.
ResponderEliminarO novo presidente da Confap está de parabéns na forma como criticou o cheque-ensino...
Subscrevo.
ResponderEliminarNão ouvi e espero pelo vídeo. Ainda bem que o novo presidente da CONFAP pensa assim (o anterior era inenarrável). Falou sobre o Oeste Pedro?
ResponderEliminarSim falou sobre o Oeste. Afirmou que não se compreende o que se passa na zona Oeste. Fiquei mesmo com boa impressão do novo líder na Confap. Muito diferente do Albino...
ResponderEliminarAlguma mosca também picou o Pedro?
ResponderEliminarA minha boca não fecha...
ResponderEliminarÉ: o Pedro mudou qualquer coisa.
ResponderEliminarObrigado pela informação Pedro. Espero por algum vídeo.
Caro Paulo, se ler com atenção aquilo que tenho escrito ao longo dos tempos vai ver que não mudei. Apenas tento analisar a realidade de acordo como ela é.
ResponderEliminarContinuo a pensar que era inevitável que o número de professores diminuísse, tal como continuo a pensar que no contexto actual nada justifica que se continue a insistir nos contratos de associação ou que se aposte agora no cheque-ensino.
Quando encontrar alguma contradição no meu discurso peço-lhe o favor de me chamar a atenção...
De resto, não sou daqueles que dizem mal por dizer mal ou elogiam por elogiar.
Abraço
Parabéns Pedro, a Utopia ganhou "... falou sobre o Oeste..."
ResponderEliminarO meu agradecimento ao colega de Filosofia que redigiu este post.
ResponderEliminarCom a sua leitura ficamos todos mais ricos (atentos).
Bom dia Pedro. O número de professores atingiu um pico em 2005 e era natural que diminuísse; mas não assim, de forma abrupta e completamente desrespeitadora.
ResponderEliminarAbraço também.
É PF: as coisas no Oeste vão fazendo o seu caminho. Vamos ver o que que se vai passar. Bom ano.
É Rui. É uma colega. Bom ano.
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