domingo, 12 de janeiro de 2014

da extrema hipocrisia

 


 


 


 


Ouvi, numa curta viagem de automóvel e na TSF, o discurso final de Paulo Portas no congresso do CDS-PP e percebia-se a pressa para que tudo terminasse antes do início do jogo de futebol. É conhecido o seu desprezo pela administração pública e são recorrentes as suas alusões às culpas da máquina do Estado pelo nosso atraso económico. Quem chegasse agora ao país, pensaria que estávamos na presença de alguém que nunca ocupou cargos governativos e que jamais marcou presença num qualquer conselho de ministros onde estão os primeiros responsáveis pela administração pública a quem se exige, desde logo, um mínimo de sentido de Estado.


 


 


 

22 comentários:

  1. Num post mais abaixo, li:

    "Esta herança da última ditadura é abençoada e não consegue ser desmontada com significado eleitoral à esquerda. A esquerda mantém os seus radicais ostracizados, não transmite aos eleitores confiança num exercício maduro e responsável ...."

    Tem razão. A esquerda não consegue nada disto. E o maior partido da oposição - O PS - não o consegue mesmo tal é o silêncio e/ou as bonitas intervenções do seu líder, mais preocupado em convencer o aparelho do partido.

    Sendo que a outra esquerda, mais minoritária, também não consegue descolar, por razões várias, convém registar o seguinte:

    - a estruturação da dívida foi sempre riducularizada por governo, comentadores e comunicação social;

    - aquando da entrada no euro, várias vozes se ouviram sobre os perigos de tal adesão (PCP e BE). Mais uma vez, governos, comentadores e comunicação social ridicularizaram a ideia, pior, a ideia era de anti patriotismo.

    Hoje, mais vozes dizem o mesmo umas para procurarem causalidades; outras porque se renderam à ideia.

    O poder está armadilhado. Nunca se assistiu a tamanha propaganda na cominicação social. Parece que tudo está armadilhado. A chamada "incompetência" destes governantes revela-se exactamente o oposto. Há um processo de contra revolução em curso em todas as áreas e cada vez mais claro.

    Muitos afirmavam a necessidade de derrotar Sócrates votando em Passos Coelho. Aí as gentes "levantar-se-iam" e corriam rápido com PSD, CDS e suas políticas.

    Esqueceram-se do medo, da pobreza envergonhada, da chantagem, do encostar da classe média às redes.

    E esqueceram-se disto, que Pacheco Pereira magistralmente escreve:

    "
    2014 será um ano de completo, devastador, cruel, sem tréguas, combate pelas palavras. Dizendo palavras digo também ideias e fragmentos de ideias, mensagens virais e manipulações circulantes, explicações e mistificações, estatísticas, estatísticas torturadas, soundbites e frases assassinas.

    Propaganda e razão vão estar de lados opostos, manipulação e vontade de verdade (concessão aos que a palavra verdade de per si ofende) vão-se defrontar, como sempre, de forma imperfeita e desigual. Do lado do poder todos os recursos serão utilizados, “comunicação política”, agências de comunicação, assessores, briefings e ministros da propaganda, marketing e “eventos” (tenho a certeza que Portas já pensa num “evento” grandioso e patriótico para festejar a “saída” da troika, por singular coincidência a dias das eleições europeias…).

    Esse combate irá travar-se numa parte decisiva na comunicação social, em primeiro lugar na televisão, depois nas “redes sociais” e nos blogues e por fim na imprensa escrita. Alguns jornalistas ficam muito irritados quando afirmo (e vou repetir) que um dos problemas dos dias de hoje na vida pública em Portugal é a facilidade com que a comunicação social absorve a linguagem do poder e a reproduz como sendo sua, assim legitimando-a porque lhe dá um sujeito neutro, tornando-a uma verdade universal. Este processo não é simples, não se trata de estar “a favor” ou “contra” o Governo, nem sequer de actuar em função de preferências ou hostilidade partidárias, porque se fosse assim seria mais fácil identificar o que se passa.(...)"

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  2. Em Portugal os ultra-liberais como Fernando Ulrich também criticam o Estado e falam das "gorduras do Estado" mas é este mesmo Estado que os alimenta:


    1- O Pai, banqueiro, tendo ido buscar dinheiro a 1% ao BCE, recebe 7 % e vive dos juros da dívida contraída pelo Estado;

    2- A esposa, foi funcionária do PSD e agora é assessora do Presidente da República;

    3- Agora, o filho, licenciado há pouco tempo, vai para assessor de um ministro, ganhando à entrada mais do que um Juiz com vários anos de carreira ou que um Coronel das Forças Armadas.

    Mas nem na m***a do BPI há lugar para ele colocar lá o filho? Até para isso precisa do Estado?

    Uma vergonha!

    Uma autêntica família de parasitas sociais. Ainda falam daqueles que recebem o Rendimento Social de Inserção ou de que o povo tem que aguentar! Só o que por mês o Estado gasta com estes dois últimos elementos da família dava para pagar o RSI a 52 pessoas. Já nem falemos do que injecta no BPI..

    Depois cortam nos abonos de família, nas pensões de invalidez, nas pensões de sobrevivência, nas pensões de reforma, nos salários dos funcionários públicos acima dos 675 Euros (que entraram por concurso público e não por cunha), etc. etc.

    Só num país destes é que há liberais desta monta!

    Em tempo de Austeridade e sob a ditadura da Troika, o Estado não pode alimentar a família de banqueiros ricos!

    O que fazer para terminar esta verdadeira vergonha económica e social?

    UMA VERGONHA!

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  3. Ele sabe bem que os funcionários públicos não votam, na sua larga maioria, no seu partido de faz-de-conta.

    Na generalidade, os funcionários públicos têm plena consciência da sua importância na sociedade e não se deixam enganar com discursos populistas de quem leva uma vida toda de falsidade, sem nunca assumir a sua verdadeira convicção.

    Por isso, esta cruzada intensa de destruição dos serviços públicos, com a cumplicidade de vários actores, nas diversas áreas, destacando-se o secretário de estado Casanova, na Educação.

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  4. É um assunto que permite uma longa e interessante discussão. O meu parágrafo diz mais: "Esta herança da última ditadura é abençoada e não consegue ser desmontada com significado eleitoral à esquerda. A esquerda mantém os seus radicais ostracizados, não transmite aos eleitores confiança num exercício maduro e responsável e tem contornos surreais, como se viu depois das últimas autárquicas, onde proliferaram as coligações do PCP com o PSD (até da tal ala mais radical).(...)" o que me diz a Fernanda das tais coligações?

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  5. Refere-se a Loures, certo?

    Assim de repente, não gosto do Bernardino Soares. Para além de ter lido que tinha defendido a inenarrável Coreia do Norte, parece-me precocemente velho e nonocórdico.

    Na AR teve, porém, boas intervenções (o que não é difícil, atendendo ao discurso e políticas dos actuais governantes)

    Sobre a coligação de Loures? Não gosto. Mas eu não vivo lá e desconheço a realidade.

    No entanto, não tenho anti-corpos, à partida, sobres a tal coligação, desde que o programa com que a CDU se apresentou às eleições seja cumprido.

    E o Paulo, o que me diz deste meu modo de ver a coisa?

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  6. Esse é o caso mais conhecido, mas há mais. Nem pensei nesse quando escrevi o post.

    Não há nada de especial a dizer sobre o seu modo de ver. Também conheço pouco do tal de B. Soares e também nada sei sobre Loures.

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  7. Quais são os outros casos, pois não os tenho em mente?

    E o que sabe sobre essas realidades que possa justificar a sua pergunta aqui deixada, em jeito de desafio: "E a Fernanda o que me diz de tais coligações?" e a sua resposta, en passant,:"Não há nada de especial a dizer sobre o seu modo de ver"

    Então, desculpe a franqueza, porquê a referência no seu texto a esta/s coligação/ções?



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  8. Também não tenho em mente, mas lembro-me que foram várias coligações dessas para o executivo ou para a oposição.

    Fiz a referência porque me pareceu oportuno. O arco do poder parece, por vezes, mais alargado - uma espécie de situacionismo, digamos assim. Há casos ainda mais evidentes na dança das cadeiras entre governantes e sindicalistas e nos nefastos acordos e entendimentos que têm sido muito prejudiciais para a democracia e que nos empurraram para onde estamos. É importante sublinhar isso.

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  9. Ok, Paulo.
    Não entendo bem o que quer dizer, mas fico-me por aqui para não o aborrecer nem aos comentadores.

    No entanto, parece-me que o que nos empurrou para onde estamos foi o voto/apelo ao voto útil neste PSD.

    Não entendo a quem se refere esta dança de cadeiras entre governantes e sindicalistas, uma vez que é um arco muito abrangente.

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  10. Pois eu entendo muito bem o Paulo Prudêncio que não precisa que o defendam e que nunca apelou no voto útil à direita.

    A dança de cadeiras na Educação foi entre a Fenprof e o governo PS e agora é entre a FNE e este desgoverno. A FNE tem uma vantagem - dança sempre.

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  11. O PCP faz parte do sistema. Têm os lugares que financiam o partido e alinham nas coreografias para que nada mude. São muito bem comportados.

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  12. Não disse que aqui foi feito tal apelo. Esse apelo foi feito, não aqui mas noutros sítios.

    Não estou a recordar-me da dança de cadeiras entre a Fenprof e o governo PS.

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  13. Sem querer estar a defender qualquer partido, saliento o seguinte:

    1- Ainda bem que faz parte do sistema, o que é bom sinal. Já lá vai o tempo em que era clandestino;

    2- Os lugares não são oferecidos. Os eleitores votaram, certo?;

    3- Quanto às coreografias para que nada mude, não entendo o que quer dizer, a não ser que se refira a uma revolução tipo bolchevique de 1917;

    4- Não entendo o "muito bem comportados", a não ser que se refira novamente à revolução bolchevique, a mais greves gerais, ao Buiça, etc.

    Não leve a mal estas questões, mas isto é fácil de dizer, mas difícil de implementar. Ainda por cima porque quem elege são os cidadãos. É a democracia.

    Creio que lhe chama "sistema".

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  14. Não se recorda? Donde veio o secretário de estado Pedreira ou os Diretores-Regionais da altura? Todos da Fenprof e muito ativistas. Quem cozinhou os entendimentos e afins? Por favor...

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  15. Parece-me que disseram quase tudo. A sério: pouco tenho a acrescentar. São matérias muito conhecidas e que são difíceis para os exercícios de revisionismo histórico.

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  16. Sim, lembro-me destes nomes.

    E fora da esfera da educação há muitos mais casos irrevogavelmente prosaicos.

    Nada de novo. Mas não gosto de generalizações, tenho de confessar.

    São simples, dão menos trabalho, e geram consensos mais ou menos imediatos.

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  17. Eu não sei se "as matérias são muito conhecidas"

    Porque o Paulo repete várias vezes que não se lembra, que não sabe, que conhece pouco, que não vive lá....

    Presumo que isto é que é o tal de "revisionismo histórico".

    Revê-se de passagem.

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  18. São injustas as generalizações mas nos casos citados são objectivos e têm nomes.

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  19. Concordo que são injustas as generalizações, embora nesta discussão isso não tenha acontecido.

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  20. Francamente Fernanda. Lembro-me de se ter falado muito desse tipo de coligações depois das autárquicas. Não estou para ir à procura, mas para além de Loures, e assim de repente, lembro-me de Viana do Castelo e do Funchal (aqui foi, ao que me recordo, mais na oposição e na assembleia municipal). Como se sabe, raramente uso esse tipo de argumento e neste assunto era mesmo desnecessário tal a veracidade dos factos.

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