sábado, 12 de abril de 2014

a luta difícil e o "estranho" desprezo pelo sistema escolar

 


 


 


 


O desprezo dos portugueses pelos sistema escolar evidenciou-se na última década. Dos ingratos ao lúmpen e passando por muitos professores que acharam que os outros careciam de profissionalidade (recordo particularmente o clubismo de socialistas e sociais-democratas) foram poucas as vozes que defenderam a escolaridade do não superior. Até os políticos da esquerda usaram o "apesar" quando defenderam a sobrevivência das escolas públicas.


 


O Governo prepara-se para anunciar mais cortes. Um dos jornais mainstream, o Expresso, não olha a meios para apontar a Educação como o alvo prioritário.


 



 


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Como é possível que um jornalista escreva uma coisa destas?


 


A Educação foi quem mais cortou, e de longe, na administração pública (e mesmo nas cinco administrações públicas: empresas públicas, institutos públicos e administrações central, regional e local) como se pode ler em todos os relatórios. Mais de 4 mil escolas (leu bem) fecharam e mais de 60 mil professores (leu bem) saíram do sistema com prejuízo dos alunos que têm turmas mais numerosas, menos carga curricular, professores sobrecarregados e escolas amontoadas. A não ser que o jornalista se esteja a referir aos privados da Educação que parecem beneficiar da influência de Crato e dos SE do MEC.


 


 


 

4 comentários:

  1. Disse bem, para Crato é normal financiar os amigos do ensino privado com o nosso dinheiro e destruir a qualidade da escola pública, diminuindo recursos, aumentando o número de alunos por turma e diminuir as horas das disciplinas para despedir professores.

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  2. "Durão Barroso veio ontem a público numa sessão em Lisboa afirmar que "No Portugal não democrático, no Portugal pré-União Europeia e pré-Comunidade Europeia havia ensino de excelência apesar do regime político em que se vivia e isso era possível porque numa escola era desejável reforçar a própria cultura de excelência da escola. Não estou seguro que aconteça hoje o mesmo em muitas escolas portuguesas e europeias" (artigo completo aqui).

    Vejamos como era o ensino de “excelência” que Durão Barroso defende. Em 1970 a escolaridade obrigatória era de seis anos, os professores primários tinham uma preparação que lhes permitia ensinar a ler, escrever e contar e pouco mais (Candeias Martins, 2008[1]). Os professores vivam sob vigilância e controlo constante por parte das autoridades (Candeias Martins, 2008) porque, no ensino de “excelência” defendido por Durão Barroso, as escolas eram a “sagrada oficina das almas” onde a exaltação do orgulho nacionalista era a principal matéria, horizontal a todas as disciplinas.

    No tempo em que havia o ensino de “excelência” defendido por Durão Barroso, ao contrário do que se passava no resto da Europa democrática, onde se defendia uma escola livre e para as massas, a maioria da população portuguesa aprendia a ler, não nas escolas públicas e de “excelência”, mas num contexto informal e familiar (Candeias e Simões, 1999[2]). Em 1940, apenas 33% das crianças entre os 7 e os 10 anos de idade frequentavam a escola pública de “excelência”. Estes valores só começaram a aumentar nos anos 60, quando o analfabetismo ainda atingia 30% da população. Em 1970, 25.7% da população era analfabeta: 31% das mulheres e 19.7% dos homens (dados Pordata). Este era o ensino de “excelência” que Durão Barroso defendeu hoje, um ensino para uma minoria privilegiada, num país atrasado, onde quem nascia pobre nunca estudaria mais do que seis anos e o conteúdo curricular que se aprendia e ensinava servia para formatar e não para educar.

    No tempo em que havia o ensino de “excelência” defendido por Durão Barroso, dos jovens com idade para frequentar o ensino secundário, apenas 3.8% o fazia. Durão Barroso foi ontem a uma escola secundária, numa altura em que 72.3% (dados Pordata) dos alunos com idade para frequentar o secundário o fazem e disse-lhes que bom, bom, era o tempo em que 68.5% deles não teriam estado presentes naquela sessão porque já não teriam podido estar na escola. Ah, bons velhos tempos em que havia verdadeira “excelência” no ensino!

    A escola pública no Portugal de 2014 está longe de ser perfeita (João Mineiro tem vindo a analisar as suas desigualdades em textos de análise muito mais detalhada do que a que aqui proponho, ler por exemplo aqui ou aqui), mas o caminho feito pela escola pública democrática nos últimos 40 anos é inegável. "

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