Sua Excelência enfadava-se com o que lhe acontecia e vivia duplamente: sobressaltado com o que tinha para fazer e aterrado com o que deixava de realizar. Era um dilema em forma circular. Tinha adquirido um tique só explicado por Lacan: dizia e repetia para consigo e para com os outros: isto não é como antigamente. Era uma espécie de oxigénio rarefeito.
O seu antecessor tinha-lhe deixado duas cartas: uma para o primeiro momento de aflição - quando tivesse de tomar uma decisão e a ignorância fosse total - e uma outra para o segundo momento de aflição - quando tivesse de tomar uma decisão e a ignorância fosse total -.
Sua Excelência, certo dia, abriu a primeira: "culpe o seu antecessor", continha o sobrescrito.
Sua Excelência, certo dia, abriu a segunda: "escreva duas cartas", continha o sobrescrito.
O seu antecessor tinha-lhe deixado duas cartas: uma para o primeiro momento de aflição - quando tivesse de tomar uma decisão e a ignorância fosse total - e uma outra para o segundo momento de aflição - quando tivesse de tomar uma decisão e a ignorância fosse total -.
Sua Excelência, certo dia, abriu a primeira: "culpe o seu antecessor", continha o sobrescrito.
Sua Excelência, certo dia, abriu a segunda: "escreva duas cartas", continha o sobrescrito.
eh eh eh! Brilhante!
ResponderEliminarDe facto é assim. Lavam-se as mãos... A culpa é colocada no pretérito e a responsabilidade lança-se para o futuro. Sai-se de mansinho e "a obra" nunca é feita...
Obrigado.
ResponderEliminarEu, pela parte q me toca, é q agradeço, pelo ar fresco q se respira neste blog...
ResponderEliminarObrigada.
Obrigado. Quem és, avis rara?
ResponderEliminarQuem sou?... Posso dizer-lhe o meu nome, mas será apenas mais um nome que não lhe dirá nada. Sou uma anónima. Não tenho blog, site, não ocupo nenhum cargo considerado relevante na sociedade em termos políticos, culturais, económicos ou religiosos. Posso dizer-lhe até que a minha profissão é, de certo modo, tida como desprestigiante (pelo menos na minha área de residência), na medida em que é vista como o escoadouro dos licenciados que não têm emprego. Pois eu tinha emprego dentro da minha área de licenciatura e desisti. Hoje sou caixa num hipermercado e gosto imenso do que faço. Nunca me senti tão livre e em paz... Mas o que eu queria mesmo era ser limpa-chaminés ou astronauta!.... É esta a que sou.
ResponderEliminarO comentário anterior que entrou como anónimo, é meu -avis rara. Assim é q não sabe mesmo quem eu sou! :)
ResponderEliminarE se lhe disser que identificava o desconhecido? Gostava de a conhecer. É muito bonito o que escreve. Já agora, a chaminé cá de casa está a precisar de uma limpeza e nessa coisa de astronauta também se dá uma ajuda... :) Fica o desafio: gostava de a conhecer. Um abraço e obrigado.
ResponderEliminarComo sempre tem razão caro amigo Prudêncio, infelizmente povinho " tem mania que a "culpa" mora sempre ao lado.
ResponderEliminarUm dia destes ouvi um nosso amigo comum dizer que a palavra culpa é desnecessariamente utilizada por ter um sentido demasiado pejorativo , disse-me ele que em vez de culpa dever-se-ia usar a palavra responsabilidade , pois tem um sentido mais digno e encorajador.
Infelismente, use-se responsabilizar ou culpar o português lava sempre dai as mãos. dai as mãos. opta sempre pelo mais facil.
Abraço
Obrigado Nuno. Abraço.
ResponderEliminarok.aceito o desafio.
ResponderEliminarPodes escrever para o meu email: pgtrilho@netvisao.pt. Abraço.
ResponderEliminarConfesso que tenho passado até há pouco tempo ao lado dos blogs. Este é o primeiro que me suscita um comentário:gostei do dilema do dilema!
ResponderEliminarObrigado.
ResponderEliminarObrigada. Já o fiz.
ResponderEliminarA sério? Não dei por isso. Abraço.
ResponderEliminarSim. Enviei-lhe um email na 6ª f e outro no sábado.
ResponderEliminarNão percebo nada. Eu já li isto há uns tempos. E também já vi!
ResponderEliminarAcho que já falámos sobre este post. Continua actual e há-de continuar.
Bjo
É isso, Isabel. Já deves ter lido. Alguns post merecem-me um nova publicação. Beijo.
ResponderEliminarÉ fantástico como, sempre que leio isto, sempre se encaixa.
ResponderEliminarBjo
Brilhante. Não conhecia.
ResponderEliminarÉ Paulo... é uma estafeta "interminável" em que os atletas (governos) vão dando voltas ao estádio transmitindo o testemunho (poder), e que só terminará quando os espectadores se cansarem de bater palmas... e decidirem pará-la!
ResponderEliminarNão sei quando será... mas sei que acontecerá
Agostinho
Desculpa... um Abração para todos vós.
ResponderEliminarEh pá... tudo isso aí põe-me num estado...
Agostinho
Viva meus caros.
ResponderEliminarE por aí? Olhos em bico mesmo?
Abração aos dois
Acho que com os olhos "em bico" está o pessoal aí... infelizmente...
ResponderEliminarAbração nosso,
Agostinho
Viva meu amigo.
ResponderEliminarTens razão
Vê lá que a notícia do dia, o tal de Portugal, é o desaparecimento dos portugueses.
Continuas em grande forma?
Abraço aos dois.
Fabuloso.
ResponderEliminarAlçada?
ResponderEliminarGenial!!!!
ResponderEliminarAssino por baixo.
ResponderEliminarIsabel?
ResponderEliminarDEMAIS
ResponderEliminarBem elucidativo. Subscrito.
ResponderEliminarObrigado.
ResponderEliminarConhecia a história mas está muito bem contada.
ResponderEliminarObrigado.
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