sábado, 23 de maio de 2015

Receio de contacto e Massa

 


 


 


Na imprevisibilidade do comportamento da Massa, a "segurança" aconselha a não constituição e muito menos o aumento.


 



"(...)Nada o homem receia mais do que ser tocado pelo desconhecido. Uma pessoa quer ver aquilo que lhe toca, quer ser capaz de o reconhecer ou, pelo menos, de o situar. Em toda a parte, o homem evita ser tocado pelo desconhecido. Sobretudo de noite ou no escuro, um contacto inesperado pode levar o susto a transformar-se em pânico. Nem mesmo a roupa garante segurança suficiente, já que é tão fácil rasgá-la, já que é tão fácil penetrar até à carne nua, macia e indefesa do agredido!


Todas as distâncias que os homens criaram em seu redor foram ditadas por esse receio de contacto. As pessoas encerram-se em casas, nas quais ninguém pode penetrar, e só dentro delas se sentem mais seguras.(...)É só na massa que o homem se pode libertar desse receio de contacto. É a única situação em que esse temor se transforma no seu contrário.(...)"


 


Canetti, Elias, (2014:13,14). "Massa e Poder". Cavalo de Ferro. Lisboa.


2 comentários:


  1. Compare-se este extracto com o poema de Herberto Helder acima.

    Como afirmava M. Alegre: faltam poetas.

    Depois de tanta árvore assassinada em livros de economês, estatística e planos trimestrais e semestrais, depois de tanto decreto-lei assinalado e assinado, depois de tanto FMI e Troika e suas publicações, depois de tanto regulamento e normas, venha algo de higiénico.

    Enquanto isso não acontece e os poetas se demitirem, temos os 20 anos dos globos de ouro da Sic.

    "Carpe diem", dizem, numa pos-modernidade pueril e balofa. Atente-se na "técnica" da coisa, afirmam os chicos-espertos. Continue-se com as fotos e os likes em Facebooks. Agora até já temos o Tinder, que as selfies viraram piroseira.

    Venham os poetas.

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