terça-feira, 5 de junho de 2018

Governo exclui professores

 


 


 


O Governo argumenta com a avaliação para eliminar tempo de serviço (o ministro da educação recuperou o discurso das finanças, SE do emprego público, de Outubro de 2017). É inaceitável. São razões financeiras e ponto final. Se não existe financiamento, não se aplique a supressão apenas aos professores e negoceie-se. É difícil? Nunca ouvi dizer que a democracia não é exigente. O Governo diz que exclui por causa dos pontos. Diz o Governo que nas outras carreiras se obtém um ponto por ano até ao necessário à mudança de categoria e que nos professores é por menção qualitativa. Neste contexto, a distinção é uma falácia destinada à manipulação mediática. A menção é obtida, com quotas, numa escala de 0 a 10 pontos (por exemplo: 7.51 pontos é bom e 8.53 pontos é muito bom) e a mudança de categoria acontece também ao fim de x anos (algumas categorias obedecem a vagas). Era preferível o Governo pedir desculpa aos professores por os excluir como os anteriores e dizer a verdade: os professores são muitos.


Importa sublinhar, e prevendo já o argumentário habitual do "arremesso ao professor", que a sucessão de "reformas estruturais" deixou o Estado, e a sociedade, sem norte e a avaliação do desempenho é um espelho: no Estado (SIADAP) é um fingimento e em 95% das empresas não existe.


 


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Imagem: Página 13 da edição impressa do Público de 15 de Fevereiro de 2014.


O estudo que concluiu que a avaliação do desempenho não era praticada em 95% das empresas foi publicado uma semana antes, salvo erro.


Os sindicatos de professores usaram, e bem, o argumento.

2 comentários:

  1. Sabendo que milhares de milhões foram oferecidos aos grupos económicos sob variadas formas e outros tantos estão na forja para serem despejados nos bancos, claro que agora o dinheiro é retirado a outros serviços públicos.
    O debate parlamentar já mostrou qual a posição dos partidos na putativa ILC: reprovação.
    Está criado o ambiente para a revisão da carreira, estabelecendo definitivamente a proletarização da profissão; a quantidade de candidaturas no concurso, mostra que existe muita gente disposta a trabalhar sem perspetivas, numa atitude de pura sobrevivência, aproveitando-se o governo desta desvalorização social, usando a tática ‘se-não-estás-satisfeito-existem-muitos-para-entrar-no-teu-lugar’ (o ministério da saúde está a fazer a mesma estratégia com os médicos, com a alteração das vagas para a especialidade).
    A discussão sobre a progressão está ‘coxa’ porque, mesmo na melhor das hipóteses, só um grupo de profs seria beneficiado com a solução da recuperação do tempo de serviço, deixando um outro grupo estagnado ad eternum por causa das vagas de acesso ao 5º e 7º escalões; este assunto é provavelmente o mais critico na carreira profissional mas não será objeto de alteração.
    A carreira docente como existiu só será usufruída por uma minoria mais grisalha, estando definida para a maioria que ainda subsiste, uma carreira que terá como topo o 6º escalão.
    O ano de 2008 ficará na história da educação como o ‘turning point’ da carreira profissional, que conduziu a uma degradação sócio-económica irreversível.

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  2. É bem possível que assim seja. É muito triste mesmo.

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