Precisava de uma peça de vestuário e nem a fila para pagar me dissuadiu. Escolhi dois tamanhos e fui provar. O chão do provador estava preenchido por roupa misturada com cabides (alguns já partidos, provavelmente pisados pelos meus antecessores). A escolha correu bem. Trouxe a peça sobrante e mais o que lá estava. Coloquei tudo no balcão respectivo. Partilhei a estupefacção com uma das funcionárias que desabafou: "é todos os dias assim". Não sei se é um indicador da qualidade da nossa democracia, mas é, no mínimo, uma prova de qualquer coisa do género.
Nota: Se a confiança é a palavra determinante da democracia, este exemplo inscreve de alguma maneira a interrogação de Luhmann (Luhmann, N. (1989). La moral social y su reflexión etica. Barcelona: Antropos) sobre os motivos que levariam um indivíduo a ser honesto no escuro. Seria porque o deseja ou porque há procedimentos e regras de controlo dos comportamentos? É natural que não se consiga responder univocamente a este problema.
Paulo, talvez seja mais um indicador de uma sociedade demasiado autocentrada em que o Outro que não conhecemos é pouco mais que um figurante sem relevo. Bom Ano
ResponderEliminarNão percebi porquê o comentário saiu anónimo,não faz o meu género, Zé Morgado
ResponderEliminarTambém será uma explicação.
ResponderEliminarOk. Assinas no fim. Mas também não sei o motivo, já que os meus comentários estão configurados.
Um bom ano também José Morgado. Obrigado.
Aquele abraço.