"(...)Há o bem e o mal, e há uma categoria intermédia que é o Mal tolerado. Há um cinismo inconsciente, que é necessário à vida. É o que eu chamaria o intolerável tolerado. Mas agora isso tornou-se num cinismo demasiado visível, que tomou conta do espaço público, é ubíquo. Essa transparência, visibilidade do intolerável, pode levar, a longo prazo, a que o sistema mude a partir do interior, por acção de uma outra categoria, que competiria com a da ganância: a vergonha. Agora já não é possível esconder a podridão moral da sociedade, por pura vergonha. Mas enquanto isso não acontece, os jovens não podem mais viver com esse Mal intermédio. Querem afirmar-se. Não é por ressentimento, ou impulso de destruição, castigo ou vingança. É uma indignação contra a intolerabilidade do Mal mediano.(...)"
José Gil, Pública,
4 de Março de 2012, pág. 24.
Os meus textos e os meus vídeos
domingo, 19 de junho de 2022
Do Mal Tolerado
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
-
O discurso, em Davos, de Mark Carney, PM do Canadá, é corajoso. O texto - a prosa é mesmo sua e publico a tradução como recebi por email de...
-
O cartoon "One year of Trump" é de Gatis Sluka. Encontrei-o na internet sem restriçoes de publicação. Sabemos que o centro de gr...
-
O Correntes mudou de casa. A nova morada é em https://correntesprudencio.blogspot.com/ A mudança da SAPO para o Blogspot deve-se ao encerr...
O autor deixa implicitamente a ideia de que o cinismo é pejorativo; aconselho a que se faça um estudo epistemológico da escola grega cinica, sendo Diógenes o seu representante, e certamente compreenderão que foi a ocidentalização cultural que perverteu essa filosofia. Se a população fosse culta no cinismo que Diógenes divulgou, não seria tão passiva e não viveria em modelo de manada, havendo um equilibrio de poder na sociedade hoje inexistente.
ResponderEliminar