Sempre me impressionou o facto de alguns alunos incapazes do menor esforço ou sacrifício para aprender uma disciplina na escola serem capazes de esforços e sacrifícios maiores para se treinarem num desporto. Compreendem que para serem bons numa arte marcial - ou num jogo online - precisam de esforço, repetição, exercício, dedicação, tempo; mas não compreendem que precisam do mesmo para serem bons a inglês ou a matemática. Isto, em parte, é assim porque lhes mentiram: disseram-lhes que era possível aprender brincando e sem se esforçarem, e não lhes disseram que o esforço pode ser em si mesmo um prazer. E também é assim porque não vêem utilidade em aprender: quem eles vêem ter "sucesso" e dinheiro são as estrelas do futebol e os "influencers," muitos dos quais não sabem quase nada de quase nada. E ninguém lhes disse que a maior parte destes fica pelo caminho.
Viva, José Luiz. Sem dúvida: é muito objectiva essa comparação entre a escola e o treino desportivo. "Disseram-lhes que era possível aprender brincando e sem se esforçarem, e não lhes disseram que o esforço pode ser em si mesmo um prazer" e as actividades estrelares fizeram o resto numa pirâmide que deixa a maioria pelo caminho e sem qualquer qualificação. Lá nisso, os norte-americanos criaram um modelo interessante no Basquetebol mas que se tem vindo a desvirtuar paulatinamente com esta capitalismo desregulado. Aquele abraço.
Francamente. Nem me parece que a generalização de Gilles Lipovetsky, "foram deitados fora", seja acertada. Há mais sensatez dentro das salas de aula do que se quer fazer querer.
“Ressurge então, porém com muito mais precisão, vigor e pertinência, a ideia da escola unitária, capaz de aderir à nova realidade, escola única inicial de cultura geral, humanista, formativa, que equilibre o desenvolvimento da capacidade de trabalhar manualmente com o desenvolvimento da capacidade de trabalhar intelectualmente. Porém este processo não é fácil e exige muita disciplina dos alunos, pois o estudo é também um trabalho muito fatigante, um hábito adquirido com esforço, aborrecimento e mesmo sofrimento aos quais uma criança de família tradicional de intelectuais já está acostumada, mas à qual os filhos dos proletários terão dificuldades de se adequar pois identificam o cansaço apenas como aquele que provém de trabalhos manuais.” (Gramsci, 1982, p. 139)
Sempre me impressionou o facto de alguns alunos incapazes do menor esforço ou sacrifício para aprender uma disciplina na escola serem capazes de esforços e sacrifícios maiores para se treinarem num desporto. Compreendem que para serem bons numa arte marcial - ou num jogo online - precisam de esforço, repetição, exercício, dedicação, tempo; mas não compreendem que precisam do mesmo para serem bons a inglês ou a matemática. Isto, em parte, é assim porque lhes mentiram: disseram-lhes que era possível aprender brincando e sem se esforçarem, e não lhes disseram que o esforço pode ser em si mesmo um prazer. E também é assim porque não vêem utilidade em aprender: quem eles vêem ter "sucesso" e dinheiro são as estrelas do futebol e os "influencers," muitos dos quais não sabem quase nada de quase nada. E ninguém lhes disse que a maior parte destes fica pelo caminho.
ResponderEliminarViva, José Luiz. Sem dúvida: é muito objectiva essa comparação entre a escola e o treino desportivo. "Disseram-lhes que era possível aprender brincando e sem se esforçarem, e não lhes disseram que o esforço pode ser em si mesmo um prazer" e as actividades estrelares fizeram o resto numa pirâmide que deixa a maioria pelo caminho e sem qualquer qualificação. Lá nisso, os norte-americanos criaram um modelo interessante no Basquetebol mas que se tem vindo a desvirtuar paulatinamente com esta capitalismo desregulado. Aquele abraço.
ResponderEliminarsubscrevo mas é uma ideia considerada antiquada e inadaptada ao modelo pedagógico moderno, de muito afeto e promoção da felicidade hedonista.
ResponderEliminarFrancamente. Nem me parece que a generalização de Gilles Lipovetsky, "foram deitados fora", seja acertada. Há mais sensatez dentro das salas de aula do que se quer fazer querer.
ResponderEliminar“Ressurge então, porém com muito mais precisão, vigor e pertinência, a ideia da escola unitária, capaz de aderir à nova realidade, escola única inicial de cultura geral, humanista, formativa, que equilibre o desenvolvimento da capacidade de trabalhar manualmente com o desenvolvimento da capacidade de trabalhar intelectualmente. Porém este processo não é fácil e exige muita disciplina dos alunos, pois o estudo é também um trabalho muito fatigante, um hábito adquirido com esforço, aborrecimento e mesmo sofrimento aos quais uma criança de família tradicional de intelectuais já está acostumada, mas à qual os filhos dos proletários terão dificuldades de se adequar pois identificam o cansaço apenas como aquele que provém de trabalhos manuais.”
ResponderEliminar(Gramsci, 1982, p. 139)
Outros contextos, Rui, mas alguma intemporalidade.
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