sábado, 25 de janeiro de 2025

Das respostas aos fluxos migratórios

 


Desde a viragem do milénio que a integração (no sentido das polémicas em curso) de outros povos na Europa é muito discutida. No relatório de Jacques Delors, 1998,  "A educação - um tesouro a descobrir", as questões do multiculturalismo e do relativismo cultural tiveram uma abordagem interessante e polémica.


Defendeu-se que o fenómeno do multiculturalismo contribuiu, na Europa, para acentuar as bolsas de "ghetização" com as consequências conhecidas. Invocou-se como negativa a preservação a todo o custo das matrizes culturais de origem por parte das comunidades imigrantes que se foram "ghetizando". Os resultados foram indiscutíveis.


Em alternativa, o relatório propôs a ideia de interculturalidade, através da educação, para a "normalização" de costumes que assentassem num valor primeiro: a liberdade entendida como impossibilidade de invasão no espaço de liberdade do outro. É neste patamar de discussão que se coloca a questão dos "véus escolares" ou dos templos religiosos.


Estamos numa encruzilhada?


Claro que estamos. Mas só há uma solução: tolerância, determinação na defesa dos nossos valores inscritos nas constituições e nas leis, muita persistência e uma corajosa atitude de não desistência. Quem chega deve respeitar esses valores vigentes (desde logo e por exemplo, direitos das mulheres e proibição da excisão genital feminina). A história não deve registar um qualquer caminho de luta pela liberdade que se tenha feito só com vitórias e sem vítimas brutais e injustiçadas. É assim a natureza humana e os tempos nunca mudam tão depressa: só o afastamento histórico nos permite perceber melhor as épocas que fomos vivendo.


Repare-se como termino o meu último texto no Público:



"(...)Em suma, a extinção do Conselho das Escolas (para a representação destes 0,61% dos professores ainda existem duas associações de dirigentes) é um imperativo democrático que quebrará a inércia governativa, mudará a gestão das escolas e encontrará o fio à meada. Fará do ambiente inequivocamente democrático a matriz da escola pública do futuro. A renovação democrática da sociedade, que se quer intercultural e capaz de acolher fluxos migratórios sem os condenar a relativismos e fenómenos de guetização, passa inevitavelmente por aqui."


2 comentários:

  1. Sim, Prudêncio, é exatamente como dizes e eu não tenho qualquer dúvida de que tens razão. Tu tens razão. Tu mostras a realidade e a verdade com clareza. Só não vê isso quem persiste em ser ignorante, ou porque outros interesses são mais vantajosos.

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