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Avaliar, sem qualquer "olhos nos olhos", um professor numa farsa administrativa (que inclui um relatório de três páginas e mencionará, ou não, duas farsas: aulas observadas e horas de formação) pontuada até às centésimas numa escala de 1 a 10, cria uma engrenagem diabólica. O actual ministro da Educação já a denunciou, mas nada acontece. O SIADAP (avaliação na administração pública) só funciona em clima de faz de conta. Quando se aplica com quotas em universos de grandes escalas, como na Educação, provoca uma falta estrutural de profissionais. Se às quotas ainda se acrescenta vagas e carreiras protelarizadas, a exaustão e a indignação geram uma explosão social; é uma questão de tempo. Agrava-se com um modelo de gestão de escolas com portas abertas à autocracia e à parcialidade.
Em suma, nenhuma profissão pode ser avaliada no modelo aplicado aos professores.
De resto, não se sai desta tragédia que "adoeceu os professores" e que os mergulhou num tríptico de "fuga", cansaço e revolta contida. Quem testa a profissão identifica de imediato o clima arbitrário e o inferno burocrático. E repita-se: desde que há escolas que os professores devem estar sempre preparados para a prestação de duas contas: como gerem o programa da disciplina que leccionam e como avaliam os alunos. Contudo, e por influência dos graduados em desconfiança, aplicou-se aos professores uma espécie de inversão do ónus da prova com o registo de todos os passos em actas, relatórios, notas, pareceres ou plataformas digitais. Os resultados estão visíveis, mas instalou-se uma diabólica máquina de cunhas e troca de favores que paralisa qualquer mudança.
Pois Paulo, é mesmo isso, bela síntese. Que não te canses nunca, que não contenhas a tua revolta (fugir nunca fugiste), ajudas-me a manter a minha indignação e, os teus escritos, a organizar os meus protestos. Obrigado.
ResponderEliminarObrigado, Teresa. Força aí. Aquele abraço.
ResponderEliminarAvaliação de professores: farsa administrativa e engrenagem diabólica.
ResponderEliminarModelo de gestão de escolas: autocracia e parcialidade.
Diabólica máquina de cunhas e troca de favores.
Tudo dito.
Se o ministro reconhece o problema, como não são apresentadas medidas para o resolver?
... porque acaba por lhes ser muito útil.
ResponderEliminarDestrói o sistema por dentro? Destrói, mas há muito que dão mostras de que não é isso que os preocupa.
Nem mais, Dália.
ResponderEliminarÉ uma conclusão irrefutável, Fátima.
ResponderEliminarPontuada até às milésimas. A explosão já aconteceu. E nada acontecerá porque "it's money and nothing else". Ou "alias-te a eles" ou ficarás renegado. Este modelo permite a corrupção: um envelope recheado de umas centenas de euros para que as milésimas atinjam o percentil calculado; um investimento que compensa e jamais poderá ser detetado. Semelhante ao que aconteceu no passado.
ResponderEliminarMuito mau. Força aí.
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