Não gosto de afirmar que "há muito que digo que se devia fazer isto ou aquilo". Mas como ando desde 1990 a programar bases de dados e a estudar o alcance e os efeitos da sociedade em rede e dos sistemas de informação (e não foi por acaso que o software que programei para escola que dirigi foi o único em meio escolar devidamente licenciado pela Comissão Nacional de Protecção de Dados), foi com conhecimento que andei uma década a tornar pública a fundamentação que exigiria a restrição das redes sociais a menores de 16 anos. E dei nota da classificação de alarmista que fui recebendo. Volto ao tema porque não foi fácil avisar com tanta antecedência. E também sei que decidir agora é tarde e que a democracia e a escola pública estão já muito degradadas. Mas é crucial fazê-lo. E é um sinal muito bom ler no Público que a "Espanha quer menores de 16 anos fora do “faroeste digital” das redes sociais e que vai obrigar as empresas, tal como pretendem Portugal e a França, a introduzir mecanismos de verificação de idade que realmente funcionem".
Também leio que "a Austrália foi o primeiro país a proibir redes sociais para menores de 16 anos, responsabilizando as plataformas com multas pesadas. Outras países com restrições incluem a Dinamarca e a Noruega. Também a União Europeia e a Flórida (EUA) estão a desenvolver acções nesse sentido. As plataformas afetadas são: Instagram, TikTok, Facebook, Snapchat, X, YouTube, Reddit, Threads, Twitch e Kick."
Colo algumas passagens entre os vários textos que escrevi sobre o assunto:
"Mas o smartphone, que fascinou os adultos e os impediu de criar regras para os mais pequenos, foi o poderoso instrumento de mercado das gigantes tecnológicas, ignorado por uma esquerda informada, mas inebriada por um intelectualismo vintage, e depois usado sem escrúpulos pela extrema-direita. A desinformação, o ódio, o racismo, a misoginia e a violência fizeram o seu caminho e os jovens eleitores apresentam-se radicalizados pelos algoritmos adictivos das gigantes tecnológicas. As desesperadas proibições na escola darão uma ajuda educativa, mas o flagelo responsabiliza uma sociedade confrontada com o crepúsculo da democracia."
"Estamos a chegar a este fenómeno com dez anos de atraso. Ora leia se está interessado em saber que Mikazz é o Andrew Tate (o tal influencer da série Netflix "Adolescência") português. Já agora, perguntem à extrema-direita (e não só) porque é que não quer as crianças e jovens sem tiktoks e adicção tecnológica."
"Em suma, não se deixe este péssimo legado. Que, daqui a uma ou duas gerações, nenhuma adolescente portuguesa de 14 anos diga, como em 2023, a um canal televisivo sobre estas restrições: "Ai agora? Mas agora já está tudo agarrado"."

Muito tarde. Uma tragédia o estado da democracia e da escola pública.
ResponderEliminarNem mais.
EliminarAtento e sabedor. Obrigada. Boa mudança de casa Paulo. Beijinhos. Joana Ramos.
ResponderEliminarObrigado, Joana.
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