sexta-feira, 3 de fevereiro de 2006

de terceiras moradas

folha.jpg Estava difícil. Escolher um poema de António Franco Alexandre para oferecer ao caro leitor, não é uma tarefa fácil. É, até, duplamente difícil. Do seu livro, poemas, do capítulo terceiras moradas, o nº 22 diz assim: Julgavas, então, que a poesia era um discurso de palavras em sentido? Sei quanto a musa aprecia glória, poder e uniforme, quanto aguarda o cavaleiro que produz. A vida, afinal, anda lá fora, antes da folha ter passado a prensa; a mais pequena árvore é verde eterna, comparada ao arbusto que, mal tocada a haste, se desvai em fumo. Por isso eu fico lendo as crónicas, as lendas, o jornal, que bem ou mal, cruza as palavras com o tempo, e contudo! quando o lábio se engana, solta a mais aguda fífia do trombone, e de repente o corpo sabe a gente, e então se diz: eis a verdadeira e pura poesia! pois seria, talvez, somente a tua mão, cobrindo a folha. Publicado por Paulo Guilherme Trilho Prudêncio.

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