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terça-feira, 21 de outubro de 2025

E a luz dos astros?

 



Captura de ecrã 2022-10-21, às 15.52.57.png


As sociedades polarizaram-se e as redes sociais ampliaram os fanatismos e os excessos de pertença: somos os melhores, somos os primeiros, os nossos primeiro e por aí fora. Classifica-se pessoas que nem se conhece e o que é preciso é ter trincheira. Desconvocou-se o mais elementar respeito pelo outro e pela sua liberdade. O ódio é o ruído de fundo crescente, tão ubíquo como outrora o silêncio. É um vórtice diário e barulhento. Transformou o espaço público num ringue à espera da burqa ou de outra coisa do género, que chegará no dia ou hora seguinte.


Repita-se o Bábrio:


 


"Uma lâmpada cheia de azeite vangloriava-se,


uma noite, perante os que passavam ao pé de si,


que era superior à estrela da manhã,


pois projectava uma luz mais forte que todas.


De repente, sacudida por um sopro de vento


que se levantou, apagou-se. Alguém, que a reacendeu,


disse-lhe: "Brilha, mas deixa-te estar calada, ó lâmpada;


a luz dos astros, essa, não morre".


Bábrio


 


Antologia da Poesia Grega Clássica (2009:465).


Tradução e notas de Albano Martins.


Lisboa, Portugália Editora.





terça-feira, 7 de outubro de 2025

Gaza, dois anos depois

Captura de ecrã 2025-10-07, às 09.52.48.png


 


nesse Horto em chamas,


onde bombas ceifam vidas,


não há fogo no coração dos homens,


que não se cansam de chamar a guerra.


 


(já usei este meu poema para outras guerras)


Nota: há dois anos, o Hamas lançou o seu maior ataque contra Israel e matou cerca de 1200 pessoas e fez mais de 250 reféns. A resposta de Israel tem sido arrasadora. É eterno e sangrento o conflito entre os extremados israelitas e os extremados palestinianos. Não só persiste, como tem momentos de alucinante descontrole e de horror. Recordo-me sempre das palavras de Amos Oz"A essência do fanatismo reside no desejo de obrigar os outros a mudar... O fanático é uma das mais generosas criaturas. O fanático é um grande altruísta."

sexta-feira, 15 de agosto de 2025

15 de Agosto é sempre Rilke



O 15 de Agosto recorda-me sempre o filme imperdível de Gianni de Gregorio. E nem sei porquê, mas desta vez associo-o à difícil poesia de Rainer Maria Rilke: exige leitura repetida, mas o resultado é sublime. É um dos meus poetas preferidos. Uma das suas obras maiores, "As elegias de Duíno", confunde-se com a aura do local onde o poeta a iniciou: o castelo de Duíno, situado perto da cidade de Trieste e sobre o mar Adriático. Deixo-vos uma parte - na tradução de Maria Teresa Dias Furtado - da primeira elegia.



Se eu gritar quem poderá ouvir-me, nas hierarquias


dos Anjos? E, se até algum Anjo de súbito me levasse


para junto do seu coração: eu sucumbiria perante a sua


natureza mais potente. Pois o belo apenas é


o começo do terrível, que só a custo podemos suportar,


e se tanto o admiramos é porque ele, impassível, desdenha


destruir-nos. Todo o Anjo é terrível.


 


Por isso me contenho e engulo o apelo


deste soluço obscuro. Ai de nós, mas quem nos poderia


valer? Nem Anjos, nem homens,


e os argutos animais sabem já


que nós no mundo interpretado não estamos


confiantes nem à vontade. Resta-nos talvez


uma árvore na encosta que possamos rever


diariamente; resta-nos a rua de ontem


e a fidelidade continuada de um hábito,


que a nós se afeiçoou e em nós permaneceu.


 


Oh, e a noite, a noite, quando o vento, cheio de espaço do universo


nos devora o rosto -, por quem não permaneceria ela, a desejada,


suavemente enganadora, que com tanto esforço se ergue em frente


do coração isolado? Será ela para os amantes menos dura?


Ah, um com o outro eles se ocultam da sua própria sorte, apenas.(...)


 


 



Depois da poesia, um vídeo do filme - é um muito bom momento de humor -.



 


quinta-feira, 9 de maio de 2024

Composição escrita num exemplar da gesta de beowulf (5)

 


Pergunto a mim próprio que razões
Me movem a estudar sem uma esperança
De precisão, enquanto a noite avança,
A língua desses ásperos saxões,
Já gasta pelos anos a memória
Deixa cair a em vão repetida
Palavra e é assim que a minha vida
Tece e destece sua exausta história
Será (disse-me então) que de algum modo
Secreto e suficiente a alma sabe
Que é imortal e que o seu vasto e grave
Círculo abarca tudo e pode tudo.
Pra lém deste cuidado e deste verso
Espera-me inesgotável o universo.



Jorge Luís Borges (1961, p:51)
Poemas escolhidos,
Cadernos de poesia, 20,
Publicações dom quixote.

quarta-feira, 10 de abril de 2024

Gostaria de ir subindo (reedição porque temos mais um programa de Governo que anuncia outra explosão dos professores)

Captura de ecrã 2022-10-16, às 13.59.04.png


 

Gostaria de ir subindo num vidoeiro,
Subindo em galhos pretos ao longo de um tronco
branco como a neve
Em direcção ao céu, até que a árvore não aguentasse mais,
E se vergasse toda e me recolocasse no chão,
As duas coisas seriam boas, tanto ir como
voltar.

 




Robert Lee Frost

 

(São Francisco,

Califórnia,

26 de Março de 1874

— Boston,

29 de Janeiro de 1963) 

 

"Vidoeiros",
tradução de Maria Murray, R. J. Lidador,

1969, p. 42.

(reedição motivada pelo costume: um novo programa de Governo

que anuncia mais uma explosão dos professores)

quinta-feira, 21 de março de 2024

O Xadrez de Borges (repetindo os intemporais)

Captura de ecrã 2022-03-25, às 16.15.13.png


"Xadrez


 


No seu grave recanto, os jogadores


Deslocam os peões. O tabuleiro


Tem-nos até à alva do altaneiro


Âmbito em que se odeiam duas cores.


 


Dentro irradiam mágicos rigores


As formas: torre homérica, ligeiro


Cavalo, alta rainha, rei postreiro,


Oblíquo bispo e peões agressores.


 


Quando os jogadores se houveram ido,


Quando o tempo os tiver já consumido,


Nem por isso terá cessado o rito.


 


A leste se ateou uma tal guerra


Que hoje se propaga a toda a terra.


Como o outro, este jogo é infinito.


 


 


Jorge Luís Borges, 


poemas escolhidos."

domingo, 22 de outubro de 2023

Composição escrita num exemplar da gesta de beowulf (4)


Pergunto a mim próprio que razões
Me movem a estudar sem uma esperança
De precisão, enquanto a noite avança,
A língua desses ásperos saxões,
Já gasta pelos anos a memória
Deixa cair a em vão repetida
Palavra e é assim que a minha vida
Tece e destece sua exausta história
Será (disse-me então) que de algum modo
Secreto e suficiente a alma sabe
Que é imortal e que o seu vasto e grave
Círculo abarca tudo e pode tudo.
Pra lém deste cuidado e deste verso
Espera-me inesgotável o universo.




Jorge Luís Borges (1961, p:51)
Poemas escolhidos,
Cadernos de poesia, 20,
Publicações dom quixote.


quinta-feira, 19 de outubro de 2023

E a luz dos astros?

Captura de ecrã 2022-10-21, às 15.52.57.png


As sociedades polarizaram-se e ampliaram os fanatismos e as necessidades de pertença: somos os melhores, somos os primeiros, os nossos primeiro e por aí fora. Há um número inédito - de pessoas e de factos - de fantásticos, de excelentes e de históricos. A pressa pela notoriedade é instantânea e excessiva. Desconvoca a humildade. Passada a euforia, instala-se a frustração que gera mais polarização. Eleve-se o vagar. Aliás, a observação, e a passagem do tempo, recomenda repetir a seguinte lição:


 


"Uma lâmpada cheia de azeite vangloriava-se,


uma noite, perante os que passavam ao pé de si,


que era superior à estrela da manhã,


pois projectava uma luz mais forte que todas.


De repente, sacudida por um sopro de vento


que se levantou, apagou-se. Alguém, que a reacendeu,


disse-lhe: "Brilha, mas deixa-te estar calada, ó lâmpada;


a luz dos astros, essa, não morre".


Bábrio


 


Antologia da Poesia Grega Clássica (2009:465).


Tradução e notas de Albano Martins.


Lisboa, Portugália Editora.

quarta-feira, 13 de setembro de 2023

Sempre Os Vidoeiros

Captura de ecrã 2022-10-16, às 13.59.04.png



Gostaria de ir subindo num vidoeiro,

Subindo em galhos pretos ao longo de um tronco
branco como a neve
Em direcção ao céu, até que a árvore não aguentasse mais,
E se vergasse toda e me recolocasse no chão,
As duas coisas seriam boas, tanto ir como
voltar.

 




Robert Lee Frost

 

(São Francisco,

Califórnia,

26 de Março de 1874

— Boston,

29 de Janeiro de 1963) 

 

"Vidoeiros",
tradução de Maria Murray, R. J. Lidador,

1969, p. 42.

(reedição)

sábado, 3 de junho de 2023

Composição escrita num exemplar da gesta de beowulf (2)

Pergunto a mim próprio que razões
Me movem a estudar sem uma esperança
De precisão, enquanto a noite avança,
A língua desses ásperos saxões,
Já gasta pelos anos a memória
Deixa cair a em vão repetida
Palavra e é assim que a minha vida
Tece e destece sua exausta história
Será (disse-me então) que de algum modo
Secreto e suficiente a alma sabe
Que é imortal e que o seu vasto e grave
Círculo abarca tudo e pode tudo.
Pra lém deste cuidado e deste verso
Espera-me inesgotável o universo.




Jorge Luís Borges (1961, p:51)
Poemas escolhidos,
Cadernos de poesia, 20,
Publicações dom quixote.

domingo, 25 de dezembro de 2022

Chove. É dia de Natal.

Chove. É dia de Natal.


Chove. É dia de Natal.
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal,
E o frio que ainda é pior.

E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar.

Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção,
Quando o corpo me arrefece
Tenho o frio e Natal não.

Deixo sentir a quem quadra
E o Natal a quem o fez,
Pois se escrevo ainda outra quadra
Fico gelado dos pés.

Fernando Pessoa, in 'Cancioneiro'

segunda-feira, 24 de outubro de 2022

Composição escrita num exemplar da gesta de beowulf (3)


Pergunto a mim próprio que razões
Me movem a estudar sem uma esperança
De precisão, enquanto a noite avança,
A língua desses ásperos saxões,
Já gasta pelos anos a memória
Deixa cair a em vão repetida
Palavra e é assim que a minha vida
Tece e destece sua exausta história
Será (disse-me então) que de algum modo
Secreto e suficiente a alma sabe
Que é imortal e que o seu vasto e grave
Círculo abarca tudo e pode tudo.
Pra lém deste cuidado e deste verso
Espera-me inesgotável o universo.




Jorge Luís Borges (1961, p:51)
Poemas escolhidos,
Cadernos de poesia, 20,
Publicações dom quixote.


sábado, 22 de outubro de 2022

"A Luz dos Astros, Essa, Não Morre"

Captura de ecrã 2022-10-21, às 15.52.57.png


As sociedades polarizaram-se e ampliaram os fanatismos e as necessidades de pertença: somos os melhores, somos os primeiros, os nossos primeiro e por aí fora. Há um número inédito - de pessoas e de factos - de fantásticos, de excelentes e de históricos. A pressa pela notoriedade é instantânea e excessiva. Desconvoca a humildade. Passada a euforia, instala-se a frustração que gera mais polarização. Eleve-se o vagar. Aliás, a observação, e a passagem do tempo, recomenda repetir a seguinte lição:


 


"Uma lâmpada cheia de azeite vangloriava-se,


uma noite, perante os que passavam ao pé de si,


que era superior à estrela da manhã,


pois projectava uma luz mais forte que todas.


De repente, sacudida por um sopro de vento


que se levantou, apagou-se. Alguém, que a reacendeu,


disse-lhe: "Brilha, mas deixa-te estar calada, ó lâmpada;


a luz dos astros, essa, não morre".


Bábrio


 


Antologia da Poesia Grega Clássica (2009:465).


Tradução e notas de Albano Martins.


Lisboa, Portugália Editora.

segunda-feira, 17 de outubro de 2022

Sempre Os Vidoeiros



Captura de ecrã 2022-10-16, às 13.59.04.png


Gostaria de ir subindo num vidoeiro,
Subindo em galhos pretos ao longo de um tronco
branco como a neve
Em direcção ao céu, até que a árvore não aguentasse mais,
E se vergasse toda e me recolocasse no chão,
As duas coisas seriam boas, tanto ir como
voltar.

 




Robert Lee Frost

(São Francisco, Califórnia, 26 de Março de 1874

— Boston, 29 de Janeiro de 1963) 

 

"Vidoeiros",
tradução de Maria Murray, R. J. Lidador, 1969, p. 42.

(reedição)

terça-feira, 4 de outubro de 2022

Cálamo


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Parte de uma carta de Walt Whitman ao seu editor inglês William Rosseti, em 1867.

"Cálamo é uma palavra corrente. Trata-se da erva ou juncácea aromática de grande porte que cresce nas zonas pantanosas dos vales, cujo caule mede quase um metro de altura;..."

Um dos poemas de Cálamo.




Separando a erva dos prados.

Separando a erva dos prados, aspirando o seu raro aroma,
Dela reclamo a espiritualidade,
Exijo o mais íntimo e abundante companheirismo entre os homens,
Peço que ergam as suas folhas, as palavras, actos, seres,
Esse de límpidos ares, rudes, solares, frescos, férteis,
Esses que traçam o seu próprio caminho, erectos e livres avançando, conduzindo e não conduzidos,
Esses de indomável audácia, de doce e veemente carne sem mácula,
Esses que olham de frente, imperturbáveis, o rosto dos presidentes e governadores como se dissessem Quem és tu?
Esses de natural paixão, simples, nunca constrangidos, insubmissos,
Esses de dentro da América.




Walt Whitman

 


Tradução de José Agostinho Baptista.

 

3ª edição

sábado, 30 de abril de 2022

Rainer Maria Rilke para o Último Dia de Abril

A poesia de Rainer Maria Rilke não é fácil. Exige leitura repetida. O resultado é sublime. É um dos meus poetas preferidos. Uma das suas obras maiores, "As elegias de Duíno", confunde-se com a aura do local onde o poeta a iniciou: o castelo de Duíno, que se situa perto da cidade de Trieste sobre o mar Adriático. Deixo-vos uma parte - na tradução de Maria Teresa Dias Furtado - da primeira elegia.


 



Se eu gritar quem poderá ouvir-me, nas hierarquias


dos Anjos? E, se até algum Anjo de súbito me levasse


para junto do seu coração: eu sucumbiria perante a sua


natureza mais potente. Pois o belo apenas é


o começo do terrível, que só a custo podemos suportar,


e se tanto o admiramos é porque ele, impassível, desdenha


destruir-nos. Todo o Anjo é terrível.


 


Por isso me contenho e engulo o apelo


deste soluço obscuro. Ai de nós, mas quem nos poderia


valer? Nem Anjos, nem homens,


e os argutos animais sabem já


que nós no mundo interpretado não estamos


confiantes nem à vontade. Resta-nos talvez


uma árvore na encosta que possamos rever


diariamente; resta-nos a rua de ontem


e a fidelidade continuada de um hábito,


que a nós se afeiçoou e em nós permaneceu.


 


Oh, e a noite, a noite, quando o vento, cheio de espaço do universo


nos devora o rosto -, por quem não permaneceria ela, a desejada,


suavemente enganadora, que com tanto esforço se ergue em frente


do coração isolado? Será ela para os amantes menos dura?


Ah, um com o outro eles se ocultam da sua própria sorte, apenas.(...)


domingo, 3 de abril de 2022

Dos Crimes de Guerra na Ucrânia

Captura de ecrã 2022-04-03, às 17.37.45.png


Que em Irpin


os tanques não se rebelassem,


que os mísseis não se "arrependessem",


é o escândalo do silêncio de Deus,


mas também uma falha no humano.


 


Adaptado de uma passagem de "Queda sem fim" de José B. de Miranda. Escolhi Irpin, mas podia ser Bucha ou Mariupol. Imagem: Ukraine March 28, 2022. REUTERS/Oleksandr Ratushniak. (tem que clicar em continuar a ler para ver a formatação que escolhi para o post)


 

sexta-feira, 1 de abril de 2022

Dos Horrores, Dos Silêncios e Das Falhas

auschwitzcapaatrocidade.jpg


(clique em continuar a ler para ver o post integral)


"Que em Auschwitz


as paredes não se rebelassem,


que o gás não se "arrependesse",


é o escândalo do silêncio de Deus,


mas também uma falha no humano."


 


José B. de Miranda, 
Queda sem fim.

sexta-feira, 25 de março de 2022

O xadrez de Borges não hesitaria e condenaria Putin

Captura de ecrã 2022-03-25, às 16.15.13.png


"Xadrez


 


No seu grave recanto, os jogadores


Deslocam os peões. O tabuleiro


Tem-nos até à alva do altaneiro


Âmbito em que se odeiam duas cores.


 


Dentro irradiam mágicos rigores


As formas: torre homérica, ligeiro


Cavalo, alta rainha, rei postreiro,


Oblíquo bispo e peões agressores.


 


Quando os jogadores se houveram ido,


Quando o tempo os tiver já consumido,


Nem por isso terá cessado o rito.


 


A leste se ateou uma tal guerra


Que hoje se propaga a toda a terra.


Como o outro, este jogo é infinito.


 


 


Jorge Luís Borges, 


poemas escolhidos."

terça-feira, 22 de março de 2022

Mariupol Como Guernica

Captura de ecrã 2022-03-22, às 14.01.15.png


nesse Horto em chamas,


onde bombas ceifam vidas,


não há fogo no coração dos homens,


que não se cansam de chamar a guerra.


(e deu-me para a poesia)


Nota: O bombardeio de Guernica ocorreu a 26 de abril de 1937. Aviões alemães reduziram a cinzas a cidade basca. Trezentas pessoas morreram imediatamente e milhares ficaram feridas. Três quartos dos prédios foram arrasados em menos de três horas. O nazi Hermann Göring utilizou Guernica como campo de testes para a Força Aérea. A obra de Pablo Picasso lembra a destruição.