![]()
As sociedades polarizaram-se e as redes sociais ampliaram os fanatismos e os excessos de pertença: somos os melhores, somos os primeiros, os nossos primeiro e por aí fora. Classifica-se pessoas que nem se conhece e o que é preciso é ter trincheira. Desconvocou-se o mais elementar respeito pelo outro e pela sua liberdade. O ódio é o ruído de fundo crescente, tão ubíquo como outrora o silêncio. É um vórtice diário e barulhento. Transformou o espaço público num ringue à espera da burqa ou de outra coisa do género, que chegará no dia ou hora seguinte.
Repita-se o Bábrio:
"Uma lâmpada cheia de azeite vangloriava-se,
uma noite, perante os que passavam ao pé de si,
que era superior à estrela da manhã,
pois projectava uma luz mais forte que todas.
De repente, sacudida por um sopro de vento
que se levantou, apagou-se. Alguém, que a reacendeu,
disse-lhe: "Brilha, mas deixa-te estar calada, ó lâmpada;
a luz dos astros, essa, não morre".
Bábrio
Antologia da Poesia Grega Clássica (2009:465).
Tradução e notas de Albano Martins.
Lisboa, Portugália Editora.
