Esta é uma história de arrepiar. Não me parece aconselhável a pessoas insensíveis ao sofrimento alheio. Eu sei que deveria dizer de outro modo: que esta história não é aconselhável a pessoas muito sensíveis, ou então, que a história contém imagens chocantes. Aliás, basta ligarem o título do texto à imagem que aqui coloquei, para se compenetrarem dos perigos que vão correr.
Mas não, o que eu quero é convocar os seres deste mundo e partilhar com eles o destino de uma das minhas memórias. Só tive uma pequena dúvida: se não seria um abuso usar a imagem de um tubarão numa história tão violenta - até porque sei, pela voz da ciência, que estes animais são normalmente inofensivos e que a sua ferocidade é a reacção natural de quem é habitado pelos medos do mundo. Como os humanos, afinal.
Acredito que, no fim da história, serei naturalmente compreendido e absolvido.
Parece-me palpitante começar uma narrativa desta maneira. Estou entusiasmado. Mas ainda antes de vos subir o pano não resisto a fazer uma declaração de princípios: sempre que assisto a um discurso do tipo ministeriável para uma plateia de professores e assisti a uma coisas dessas, recentemente, num congresso de professores de história reforça-se, com veemência, a necessidade dos jovens treinarem a memória através dos exercícios de cálculo na matemática. Pergunto-me sempre: então e a história?
Ficarão eles, os jovens, mais bem preparados para enfrentarem os domínios da razão e do afecto com a tabuada na ponta da língua ou com o conhecimento da história nos serviços de recepção da memória? Se tivesse que optar, escolhia a segunda via. E, para ilustrar esta minha excêntrica conclusão, vou dar-vos a conhecer como os encantos da infância podem ser ensombrados pelos relatos da investigação histórica.
Mas não, o que eu quero é convocar os seres deste mundo e partilhar com eles o destino de uma das minhas memórias. Só tive uma pequena dúvida: se não seria um abuso usar a imagem de um tubarão numa história tão violenta - até porque sei, pela voz da ciência, que estes animais são normalmente inofensivos e que a sua ferocidade é a reacção natural de quem é habitado pelos medos do mundo. Como os humanos, afinal.
Acredito que, no fim da história, serei naturalmente compreendido e absolvido.
Parece-me palpitante começar uma narrativa desta maneira. Estou entusiasmado. Mas ainda antes de vos subir o pano não resisto a fazer uma declaração de princípios: sempre que assisto a um discurso do tipo ministeriável para uma plateia de professores e assisti a uma coisas dessas, recentemente, num congresso de professores de história reforça-se, com veemência, a necessidade dos jovens treinarem a memória através dos exercícios de cálculo na matemática. Pergunto-me sempre: então e a história?
Ficarão eles, os jovens, mais bem preparados para enfrentarem os domínios da razão e do afecto com a tabuada na ponta da língua ou com o conhecimento da história nos serviços de recepção da memória? Se tivesse que optar, escolhia a segunda via. E, para ilustrar esta minha excêntrica conclusão, vou dar-vos a conhecer como os encantos da infância podem ser ensombrados pelos relatos da investigação histórica.
Paulo Guilherme Trilho Prudêncio.
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