terça-feira, 11 de dezembro de 2007

on bullshit

 








A democracia mediatizada tem destas coisas: se há um assunto que passámos a vida a estudar, é natural que, pelo menos sobre essa matéria, nos indignem as pessoas que, tendo um acesso ilimitado aos meios de comunicação de massas, falem com desfaçatez sobre aquilo que desconhecem. É o caso da educação escolar em Portugal.

Em homenagem a essa forma de ganhar a vida, reedito uma publicação que o meu caro leitor pode já ter encontrado por aqui, mas a propósito de outro assunto: "on bullshit".

“On bullshit” é o título de um pequeno livro do filósofo americano Harry G. Frankfurt e na tradução portuguesa ficará, provavelmente, como “a conversa da treta”.

Mesmo com a quantidade enorme de “bullshit” nas nossas sociedades, não há estudos profundos sobre o tema, diz o autor.

Por isso, “não existe uma teoria geral do “bullshit”, o que é paradoxal, considerando a sua ubiquidade”.

“O “bullshit “ é uma ameaça mais insidiosa para a verdade do que a mentira, pois está totalmente desligado de uma preocupação com a verdade - enquanto os mentirosos podem manter uma ideia clara da verdade. O “bullshit” é objecto de uma estranha tolerância, enquanto a mentira é vista em geral sem benevolência”.

“Outra das razões para o aumento do “bullshit “, é o facto da sociedade actual exigir de todos que tenhamos opinião sobre tudo, mesmo sobre aquilo que desconhecemos - o que constitui uma excelente oportunidade para “bullshit “.

Neste contexto, é evidente que o mundo dos media constitui um excelente caldo de cultura “bullshit “.




(reedição)

6 comentários:

  1. Bom dia.

    O Correntes está mais uma vez em destaque. Aparece na Homepage do SAPO e na Página Principal dos Blogs.

    Boa continuação :)

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  2. claro que existem abundantes estudos da sociologia do conhecimento sobre o poder da linguagem comum. Claro que lendo o seu texto tenho que lhe dizer o seguinte: eu tenho uma opinião sobre o assunto (MAS NÃO DIGO!). :)

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