Já dei conta da minha perplexidade com o modo como, nós, portugueses, nos organizamos. Exaspero-me, por vezes, com a forma pouco respeitadora como os governantes decidem alterar as variáveis das diversas organizações que tutelam.
Julgo que a maioria dos portugueses, e o meu caro leitor também, já ouviu falar dos concursos para professor titular. Concorde-se ou discorde-se da ideia, não vamos discutir isso agora, importa perceber que, e por despacho da senhora ministra da educação, esses concursos vão alterar algumas das componentes organizativas das escolas - não fazia sentido tanto barulho... -.
Por exemplo, altera-se a ordem na distribuição do serviço docente, ou seja, os docentes deixam de ser graduados pela sua classificação profissional e passam a sê-lo pela pontuação que obtiveram no concurso para professor titular. Também devem ser alterados os regulamentos dos diversos processos eleitorais para a escolha dos quadros docentes dos estabelecimentos de ensino e por aí adiante. Ora, e em pleno mês de Julho, nada se sabe. É assim há anos e parece que este modo de ser eterniza-se. Não seria razoável e moderno que estas questões fossem tratadas nos meses de Setembro a Dezembro, para que o ano lectivo e as suas importantes componentes críticas pudessem ser estudadas com tempo e decididas com sensatez e profissionalismo?
Outro dia dei com a senhora ministra da educação em pleno telejornal. Apressou-se a exibir o seu regozijo com a eficácia das aulas de substituição e com o "plano da matemática": dizia, eu ouvi, que já se notam os resultados: o sucesso nos exames de matemática do 12º ano, são, este ano, prova disso. Fiquei estarrecido. É grave: se uma ministra tem este atrevimento e revela tanta imaturidade científica e pedagógica, então, meu caro leitor, está tudo explicado. É escusado dizer, mas uma semana depois a senhora ministra é desmentida por mais dados: os alunos do 9º ano nunca tiveram resultados tão fracos nos exames de matemática.
É claro que o diagnóstico está feito e há muito tempo e com uma simples formulação: o que importa é celebrar contratos de autonomia com as escolas e avaliá-las.
Gastar - sim gastar, porque raramente se investe - somas astronómicas em salas TIC , programas de computadores portáteis, planos da disciplina x ou y , é apenas preencher com euros as rubricas dos orçamentos ministeriais. Os sucessos conhecidos, em Portugal e no mundo, tiveram outro caminho: investiram globalmente, sistematicamente e com projecto - leia-se, com autonomia, com responsabilidade, com estudo e com conhecimento -.
PS: o lema português de deixar tudo para a última hora e de nada planear, justifica-se: quem planeia trabalha a dobrar e a triplicar e quem não o faz safa-se; aliás, a ideia de "estamos safos" parece mesmo a grande virtude do ser português.
(texto escrito e publicado em 19 de Julho de 2007 - reedição)
Caro Amigo chega a ser cómico como o lema do desenrasca chega aos mais altos cargos políticos mandantes, tenho que fazer no entanto uma correcçãozita , os alunos de 9º ano não fizeram provas de afrição (que nada contam para a avaliação e progresso dos alunos) mas sim exames nacionais de matemática (que valem 30% da nota final) o que revela ainda ser mais grave aquilo aquilo que diz, como aluno (e penso que muitos colegas meus concordam) acho esta "coisa" do plano da matemática uma profunda estupidez, só serve para encher horário e estoirar com uma disciplina que (se fosse bem organizada com ideias definidas) seria bem útil a todos e para todas as disciplinas, estou obviamente a falar de estudo acompanhado, a ideia de leccionar mais 90 minutos semanais de uma disciplina sempre tão desgastante e para muitos um autentico sacrifício embora útil mas não deixa de ser um sacrifício desmotiva os alunos que não gostam da disciplina (80% ) e como se viu só piora os resultados porque nas cabeças de muita gente aqueles 90 minutos substituem o trabalho que tem de ser necessariamente feito em casa.
ResponderEliminarLogo se não se estuda e se desprezam os que vulgarmente chamamos de TPC-trabalhos de casa para o mais distraídos , os resultados pioram logicamente.
E depois há outra coisa que não compreendo, embora com menos ênfase os resultados de português também não costumam ser famosos, então porque não se fez um plano do Português? , ou será que derrepente a língua mãe passou a ser factor secundário na sociedade, deve ser isso porque quando se fazem exames nacionais que qualquer miúdo de 6º ano resolveria sem o mínimo de problema , quando se exige que os alunos se preparem para uma visão fantasma durante três períodos
por ano e depois se apresenta um exame que não foca a gramática de 3º ciclo que não questiona sobre matéria de 3º ciclo (engano-me se bem me lembro havia para lá uns farrapos a cheirar a 9º ano) sescalhar a senhora ministra deveria exigir mais do português nos exames e não tomar os alunos de 9º como se fossem de 6º , cada coisa no seu lugar senhora ministra.
Ou será que estes exames foram feitos assim para que passadas semanas se pudesse vir gritar aos quatro ventos o contentamento pelos resultados obtidos nos exames de português?
ah poisa talvez seja mesmo isso
Abaço grande
Olá Nuno. Já corrigi, obrigado: não eram de aferição... Abraço.
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