sexta-feira, 10 de outubro de 2008

e, de novo, o momento aproxima-se

 


 


 


 


 


 


 (esta imagem foi tirada com o meu telefone na emocionante manifestação do dia 8 de Março de 2008. O que se passou foi o seguinte: Iniciámos, com mais 3 amigos, o regresso a casa. Caminhávamos numa das ruas que liga o Terreiro do Paço ao Rossio, quando nos apercebemos duma manifestação que decorria, em sentido contrário, na Rua do Ouro. Eram cerca de 19h00. Fomos para lá. Eram os colegas do norte. Manifestavam a ideia de chegar ao Terreiro do Paço, desse como desse. E iam imparáveis. Em linhas compactas, enérgicos, de braço dado e com palavras de ordem ditas em conjunto e com uma força surpreendente para quem se deslocara da tão longe. Ficámos a aplaudir, arrepiados e acompanhados por todos os que por ali passavam. Horas depois, soubemos que as intervenções do Terreiro do Paço tiveram uma natural repetição).

 

 

Tal como se previa, os professores portugueses preparam-se para dar, de novo, corpo aos seus sentimentos de completa saturação com as políticas do actual ministério da Educação.

 

Depois da célebre manifestação de 8 de Março de 2008, seguiu-se um período marcado por uma espécie de entendimento entre duas entidades - governo e plataforma de sindicatos - assustadas e atónitas com a força da contestação.

 

Algumas vozes do partido do governo, aquelas que conhecem as razões dos professores, e alguns sindicalistas, acreditaram que o entendimento envolvia a demissão da ministra da Educação antes da abertura do presente ano lectivo e, em consequência disso, a queda dos diplomas. Se isso era ou não verdade, talvez nunca se venha a concluir. Mas já se viu que não se confirma. As mesmas vozes, incrédulas e quase sem argumentos, justificam-se com o apoio incondicional da presidência da República à ministra da Educação. Lá sabem do que falam.

 

 

Mas há factos incontestáveis:

 


  • o mote da contestação parte do monstruoso processo de avaliação do desempenho de professores que é contrariado pela simples razão de ser completamente inexequível, e, claro, brutalmente injusto;

  • há outros diplomas que são objecto da mais lúcida contestação - o estatuto da carreira e a gestão escolar -;

  • a saturação dos professores atingiu um grau tão elevado que é impossível estabelecer estratégias de médio prazo ou agir a pensar em calendários eleitorais (arrepio-me quando leio propostas recheadas de "tácticas" de "lume brando" e penso nos professores que se vão reformando com brutais penalizações).


 


Nem quero advogar um estatuto de adivinho: mas o dia 15 de Novembro de 2008 será marcado pelo recomeço das idas à rua por parte dos professores portugueses; com os sindicatos, espero bem que sim, e com os movimentos que, entretanto, se tinham organizado.

 

Nesta altura, saliento dois aspectos que me parecem importantes: ninguém se deve pôr em bicos de pés nem lançar libelos acusatórios e importa consertar, o mais possível, modos de actuação.

 

Aonde isto vai parar, não sei dizer. Mas se estes diplomas não caírem cedo, adivinha-se uma confrontação sem paralelo conhecido na democracia portuguesa.

 

38 comentários:

  1. "Nesta altura, saliento dois aspectos que me parecem importantes: ninguém se deve pôr em bicos de pés nem lançar libelos acusatórios e importa consertar, o mais possível, modos de actuação."

    É uma recomendação sensata. Claro que concordo. Este não é o tempo para tibiezas nem para recalcamentos.

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  2. Claro Miguel. Isto está de novo a arder e os professores não merecem uma coisa destas. Abraço.

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  3. :). Fizeste-me rir, apesar de tudo:). Abraço.

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  4. Só me lembrei desta frase, curiosamente associada a uma música que não me sai da cabeça, que ouço com frequ~encia, mas sem conseguir colocar-lhe o nome do grupo.

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  5. Tem piada que me aconteceu o mesmo: é duns tipos do country, julgo eu. Achei um piadão. Estás a ver o pessoal a descer a avenida com um som desses a ajudar :)

    E voltaremos, se necessário for...

    Está contraditório: cansa muito mas começa a ficar bonito...

    Abraço.

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  6. Claro.

    Temos feito o que é possível... :)

    Bj.

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  7. Raquel (Biana) :))))))11 de outubro de 2008 às 00:52

    Olá , Paulo! Tudo bem?
    Saudades vossas ...e das rotundas das caldas... risos
    Já cá faltava a marca do pessoal do NORTE, carago!
    Tenho lido com atenção os posts que cá tens colocado, que primam sempre pela qualidade e critica inteligente e construtuva... (N.B.Conste-se , e para que nao sejam tiradas conclusões erradas, que não vou ser avaliada por este membro avaliador,logo, este elogio não pretende funcionar , - como diriam os nossos alunos- , de "graxa"...risos ... e, sim, como uma verdade e facto constatado..(Agora estive bem..risos)

    És, sem dúvida alguma, um excelente escritor e amigo!
    Quanto ao post...É verdade.. !Sou quase levada a subescrever a frase do nosso colega..here it goes again...lol

    Beijinho grande para ti
    e para todos que estão sempre cá dentro

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  8. Só para corrigir duas gralhas...risos
    (construtiva e subscrever)
    Isto de escrever às escuras ...risos

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  9. Raquel (Biana) :))))))11 de outubro de 2008 às 00:57

    Só para corrigir duas gralhas...risos
    (construtiva e subscrever)
    Isto de escrever às escuras ...risos

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  10. É claro o desnorte de toda esta situação.
    Os iluminados da parametrização têm que se ir embora, para dar lugar ao humanismo e à verdade me todas as vertentes da acção educativa. Confesso-me cada vez mais carente de verdade em todos os níveis, na avaliação dos alunos, dos professores e das escolas.
    Pressionam-se os professores para não dar negas e proclama-se a vitória do sucesso escolar.

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  11. Lá estaremos, todos juntos, outra vez.
    A união ainda faz a força (ou pelo menos gosto de pensar que sim)
    Bom fim de semana.

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  12. Face ao que se tem passado nos últimos meses, após o entendimento entre Ministério e Sindicatos, quase nos esquecemos de duas coisas importantes: a primeira é a de que o Ministério, não age de boa fé! Mas disso sabemos há muito. Espero que não se esqueçam os Sindicatos. A segunda é que muito do que é hoje o clima nas escolas resulta de certos "gestionários" que têm sido mais papistas que o Papa!. Espero que os Professores não os esqueçam...

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  13. Olá Raquel.

    Gosto de te ver por aqui, Está tudo bem, obrigado.

    As Caldas continua cheia de rotundas mas tb vai ter uns centro comerciais (desculpem-me, mas esta é uma piada privada que só a Raquel percebe :) :))

    É: o Paulo Guinote tem toda a razão: here it goes again...

    Força aí.

    Bj.

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  14. "É claro o desnorte de toda esta situação." e mainada, como alguém escreveu.

    Abraço.

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  15. Estou seguro que não se esquecem. Uns mais do que outros, claro.

    Abraço.

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  16. Claro.

    Isto está a andar: por simples motivos: inexequibilidade e brutais injustiças. Mesmo com os contornos políticos que já pensamos conhecer, a sociedade em rede, que só um dia perceberemos como funciona; está aí: na simcult quem não for rápido morre e na nova rede não há servidores. Isto está imparável e tudo o que é organização só tem um caminho: apoiar e somar.

    Abraço.

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  17. Dia 15 novamente e todas as vezes que sejam precisas.
    Bom fim de semana.

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  18. "dia 15 de Novembro de 2008 será marcado pelo recomeço das idas à rua por parte dos professores portugueses; com os sindicatos, espero bem que sim, e com os movimentos que, entretanto, se tinham organizado". Concordo plenamente. Aí vamos nós, outra vez até ao Paço! Movimentos , sindicatos... e quem mais quiser lá estar...Vai ser um GRANDE DIA!
    Abraço

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  19. Que me desculpem todos os outros, mas o regresso da pronúncia do norte e logo a um post destes só pode ser o melhor dos sinais.

    Abraço.

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  20. Paulo
    Dia 15, ou qualquer outro, contra as políticas públicas que afundam o país e os portugueses, marchar! marchar!
    Mas com as bandeiras certas! e não as do divisionismo e do oportunismo, que sempre surgem em momentos de contestação das massas.
    Um abraço

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  21. Claro meu caro Francisco.

    Estão bem identificadas as bandeiras: a luta contra um modelo inexequível e que cria brutais injustiças. Depois há ainda uma série de temas que têm merecido a nossa preocupação.

    Na sociedade em rede não há servidores nem lugar para os de picos de pés: é tudo rápido e essas intenções têm tanto de datado com de escusado.

    Mas compreendo-te, fica descansado.

    Abraço.

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  22. O dia dos 100 mil foi para mim arrepiante e comovente, como tu sabes. Já tinha participado em diversas marchas, mas a do dia 8 de Março foi única. Espero que em Novembro sejamos mais de 100 mil a mostrar que sabemos o que não queremos, mas sobretudo o que queremos. Não vamos ficar adormecidos nem anestesiados. Temos de continuar a lutar, sob pena de deixarmos morrer um ensino gravemente enfermo, após tantos ataques de vírus e bactérias.
    Estou convicta que seremos muitos, mesmo sem a presença de alguns PCE's medrosos e graxistas, que obedecem às ordens de um ME desgovernado e assustam os colegas com o monstro da Avaliação.
    Lá estaremos, sem dúvida!
    Bjo

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  23. Lá estarei. Há momentos na vida em que.

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  24. Claro. Mas não merecíamos isto :)

    Abraço.

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  25. É verdade: foi arrepiante e comovente. Mas também sabíamos que estava quase tudo por fazer.

    Boralá.

    Bj

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  26. Caí neste blog por acaso mas não posso deixar de assinalar que a maioria dos cidadãos não percebeu o que se passa com os professores. O processo de avaliação pode estar mal do princípio ao fim mas qualquer trabalhador neste Pais é permanentemente avaliado. Os professores sempre foram uma classe respeitada pela sociedade mas negar a avaliação só porque o sr . nogueira não gosta parece-me pouco para quem quer ser levado a sério. Lamento mas não vou no mainstream .

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  27. Tb me parece que, naturalmente, a maioria dos cidadãos não percebeu o que se passou nesse domínio. Mas para quem caiu agora neste blogue, devo dizer-lhe duas coisas: nunca aqui se pugnou pela não avaliação nem as posições do "sr nogueira" (tenho ideia que se está a referir à Fenprof) influenciam o que o editor deste blogue pensa e escreve. Tem muitas entradas na coluna direita do blogue sobre o assunto e pode certificar-se do que acabei de escrever. Leia-as, sff, e depois diga coisas. Peço desculpa, mas depois de milhares de caracteres sobre o assunto não consigo fazer melhor. Obrigado por comentar.

    Cumprimentos.

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