terça-feira, 18 de novembro de 2008

intimidade

 


 


 


 


 


 


 


Nunca me esqueço de Vergílio Ferreira: "... Uma forma de o medíocre convencido imitar a grandeza é não dizer mal de ninguém...".


 


Vem isto a propósito de uma outra coisa que escrevi um dia destes: a ministra da Educação tem de sair.


 


Tenho lido algumas opiniões que defendem que esta ideia é inflexível. Também advogam que o actual modelo de avaliação do desempenho é redutível e, com isso, exequível. Já escrevi o suficiente sobre o segundo tema e a questão já ultrapassou esse limiar.


 


Mas a propósito do primeiro, verifico que o desrespeito inicial e inadmissível da actual equipa que governa o Ministério da Educação mantém-se. É assim que vêem os professores, e, portanto, é do mesmo modo que se auto-avaliam. A menos que se auto-incluam num regime de excepcionalidade que ninguém consegue reconhecer. Não há volta a dar a essa convicção. Sendo assim, como é que se pode sequer negociar?


 


Quando se diz a alguém que se deve demitir das funções que temporariamente exerce não se está a dizer à pessoa nada de transcendente. Neste caso concreto, em que já lá vão uns anos de humilhação sistemática ao exercício dos professores consubstanciado num conjunto de políticas comprovadamente desastroso, trata-se também de um corte sentimental.


 


Sei que não é fácil tomar posições de rotura. Mas francamente, esta patologia, que tanto mal tem feito à Educação do país, não merece outra posição por parte de um professor. E lembrei-me da passagem com que termina um livro de excepção.


 


"O que gostaria de adiantar com força é o seguinte: a fé ou a sua ausência é, ou deveria ser, o ingrediente mais íntimo, mais discretamente guardado, da pessoa humana. Também a alma deve ter as suas regiões íntimas privadas. Tornar pública a crença degrada-a e falsei-a sem remédio. O crente adulto procura estar a sós com o seu Deus. Como eu me esforço por estar sem a Sua soberana ausência. Já disse - já falei em dizer - de mais.


Há uma velha maldição que reza: "Oxalá o meu inimigo publique um livro." Ao que eu acrescento: "Oxalá publique sete.""


 


 


 


George Steiner em "Os livros que não escrevi".

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