segunda-feira, 10 de novembro de 2008

uma interessante discussão

 


 


 


Não me revejo num discurso que, por princípio, seja anti-sindical. Mas também considero que não há organizações incriticáveis.


 


Começava a escrever sobre o assunto quando decidi dar uma volta pelos meus blogues de referência. E encontrei um pertinente texto de José Luiz Sarmento sobre o tema. O texto completo está aqui, mas publico, com a sua autorização, o que me pareceu mais essencial.


 


Ora leia.


 


 


"Contra os sindicatos?





...Não, não sou contra os Sindicatos. Estou filiado num e pago as minhas quotas. E entendo que um dos maiores crimes do neoliberalismo foi "partir a espinha" aos sindicatos, como fez Margaret Thatcher e como tentam fazer desde então todos os que se inspiram nela. E do que eu mais gostava era de ver o maior número possível de trabalhadores inscritos em Sindicatos fortes e independentes - aqui, na China, em todo o mundo.



Ser a favor dos Sindicatos não me obriga, porém, a ser a favor de tudo o que os Sindicatos fazem. E não tenho medo de dizer que estou frontalmente contra algumas actuações que os Sindicatos dos Professores, incluindo aquele a que pertenço, têm tido em Portugal. De algumas destas actuações já escrevi noutros posts; neste vou escrever sobre mais uma.



Durante décadas os Sindicatos habituaram-se a ser os únicos porta-vozes dos Professores; e, de posse deste monopólio, criaram filtros. Das opiniões e da vontade dos professores, só passava para a opinião pública aquilo que os Sindicatos queriam. E não deixavam passar, nomeadamente, quaisquer opiniões ou reivindicações que fossem contra a Pedagogia de Estado à qual a maioria dos pais, professores e alunos sempre se opuseram, mas com a qual as direcções sindicais estavam de acordo por ser, supostamente, uma pedagogia "de esquerda".



Ora acontece que a "Pedagogia de Estado" que vigora em Portugal não é necessariamente de esquerda. A direita mais reaccionária também contribuiu para a implantar, e não foi pouco. Do mesmo modo, as críticas que têm surgido a essa pedagogia não são necessariamente de direita - a não ser na opinião sectária de.... ...Muitas delas têm sido feitas por gente de esquerda, na qual me incluo, e sê-lo-ão cada vez mais à medida que se torne cada vez mais óbvio que essa pedagogia se articula muitíssimo bem com o projecto da direita de transformar as pessoas em meros "recursos humanos".



Já o disse aqui, e repito-o para que fique claro: quero ensinar, não quero "qualificar" (para usar uma expressão tão cara à Ministra). Quero formar pessoas, não quero fabricar "recursos humanos" (para usar uma expressão tão cara aos nossos empresários). Quero "liceus", pois claro - onde todos, repito, todos, tenham oportunidade de adquirir uma formação cultural, humanística, filosófica, científica e crítica que lhes crie resistências contra todas as manipulações ideológicas, venham elas de onde vierem: de governos, de partidos, de igrejas, de empresas, dos media, das centrais de propaganda. Não me resigno a ser um fabricante de mão-de-obra dócil, barata, e competente só naquilo que interessa ao patrão.



As circunstâncias em que os Sindicatos têm que funcionar mudaram muito em pouco tempo. Perderam o monopólio da comunicação entre os professores e a opinião pública. Nunca o vão recuperar. Agora têm que escolher: ou se adaptam a esta circunstância e se tornam, como eu desejo, mais fortes, ou não se adaptam e morrem. Mas para se adaptarem vão ter que pagar um preço muito alto: romper não só com o Memorando de Entendimento, mas também com quaisquer veleidades de intervenção em matéria de filosofia educativa.



Os factos são, como se sabe, teimosos. Mas deu-me a impressão, pelo discurso de Mário Nogueira, que os Sindicatos se começam a aperceber de alguns dos factos que apontei acima. Oxalá não me engane."


 


 


Porque a democracia está longe de se esgotar no que existe, afirmo que continuo a acreditar na importância das iniciativas que nascem nas possibilidades da "nova rede". Sem essas novas capacidades, não teriam estado 120 mil professores em Lisboa, no dia 8 de Novembro de 2008.


 





 


 


 


 


(Quer ler o que já escrevi sobre educação?


Clique aqui.


 

2 comentários:

  1. "Mas para se adaptarem vão ter que pagar um preço muito alto: romper não só com o Memorando de Entendimento, mas também com quaisquer veleidades de intervenção em matéria de filosofia educativa."

    hummm... a intervenção em matéria de filosofia educativa é uma coutada de quem?

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  2. Nesta altura nem sei. Mais parece uma selva do que uma coutada, meu caro Miguel.

    Interessa-me apenas reforçar o seguinte: "Porque a democracia está longe de se esgotar no que existe, afirmo que continuo a acreditar na importância das iniciativas que nascem nas possibilidades da "nova rede". Sem essas novas capacidades, não teriam estado 120 mil professores em Lisboa, no dia 8 de Novembro de 2008."

    E isso foi aquilo que interessou, nesta altura.

    Abraço forte para ti, caro Miguel. Continua.

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